Enquanto eu ouvia abismada a conversa ente minha sogra e a irmã, à mesa do almoço naquele mês de janeiro de 74,aqui no Rio, elas continuavam suas recordações da infância e juventude passadas no casarão do bairro dos Tucuns, em Parnaíba,Piauí.O assunto girava em torno da figura duma das ajudantes da casa que, sabidamente sofria de violência doméstica.As irmãs comentavam sobre as preocupações da mãe delas frente ao sofrimento da mulher naqueles idos de 1920, e seus esforços em protegê-la oferecendo morada e abrigo pra ela e os filhos, ao que a vítima ponderava:
___ "Carece, não, dona Nena.Ele só me rela a mão quando bebe.Fora isso é home bom."
___ "Carece, não, dona Nena.Ele só me rela a mão quando bebe.Fora isso é home bom."
Que esta cena fosse corriqueira naqueles tempos eu até podia culpar o contexto árido e a mentalidade machista que imperava absoluta, embora nada disso se justifique seja em que tempo for, mas que ainda hoje,fatos como este e piores façam parte da cotidianidade extrapola o limite do humano.Não que eu esteja comparando estas atitudes ignóbeis a algum representante do reino animal, porque seria uma ofensa sem par à natureza animal.
Como ela, centenas de outras mulheres, ao longo de séculos, emudecem, submetem-se amedrontadas por uma infinidade de motivos que as levam a um absurdo sacrifício de sua integridade física e moral.Começam a surgir importantes medidas/leis contra esta aberração em alguns estados brasileiros e as estatísticas mostram que o Piauí é o estado com menos ocorrências.Minha sogra, se fosse viva, comemoraria a notícia.Segundo uma reportagem, o trabalho educacional e conscientizador das equipes sociais indo até a população em trabalho de campo permanente é a raiz deste números animadores.Educação comprometida sempre e cada vez mais é o caminho, mesmo não garantindo sucesso absoluto, pois, em se tratando de seres humanos, não há uma certeza acabada.
A lei Maria da Penha,o botão do pânico, no ES, são algumas das já implantadas e com bons resultados,porém muitas mais são necessárias e urgentes.É profundamente lamentável que ainda hoje precisemos criar mecanismos de proteção para crianças/adolescentes e mulheres que se vêem ameaçadas em suas integridades, em seu direito à vida.
Como ela, centenas de outras mulheres, ao longo de séculos, emudecem, submetem-se amedrontadas por uma infinidade de motivos que as levam a um absurdo sacrifício de sua integridade física e moral.Começam a surgir importantes medidas/leis contra esta aberração em alguns estados brasileiros e as estatísticas mostram que o Piauí é o estado com menos ocorrências.Minha sogra, se fosse viva, comemoraria a notícia.Segundo uma reportagem, o trabalho educacional e conscientizador das equipes sociais indo até a população em trabalho de campo permanente é a raiz deste números animadores.Educação comprometida sempre e cada vez mais é o caminho, mesmo não garantindo sucesso absoluto, pois, em se tratando de seres humanos, não há uma certeza acabada.
A lei Maria da Penha,o botão do pânico, no ES, são algumas das já implantadas e com bons resultados,porém muitas mais são necessárias e urgentes.É profundamente lamentável que ainda hoje precisemos criar mecanismos de proteção para crianças/adolescentes e mulheres que se vêem ameaçadas em suas integridades, em seu direito à vida.
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Lágrimas silenciosas
descem pelas faces
sulcadas por gestos
agressores, avilte
lacerando a carne,
sangram a alma
curvam o corpo
ao rés do chão;
suplicante, decaído,
indefeso ante
o brutal, chora
sua dor, sua desdita
ignomínia maldita,
vergonha da espécie,
lodo abissal.
(Calu)
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Imagem:bjwos22
