Arte de Nicoletta Ceccoli
Naqueles momentos em que o coração dispara, as emoções afloram e as palavras se escondem, sim, porque faltar, na verdade, não faltam,elas meio que fogem ao nosso alcance, desfazem-se no caminho entre a vibração e a voz deixando-nos numa frustração com o inacabado.São nestes momentos que não passam totalmente, que terminam e não se findam, seja pela emoção, seja pelo silêncio, seja pelo que poderia ter sido dito e não o foi, que sentimos uma grande necessidade de revivê-los, de "voltar a fita" e completar o vazio acontecido pela ausência da palavra.
Mas qual palavra ali caberia? Pode ser que até a tenhamos presa na garganta, pode ser que nem façamos idéia de qual seja.Ela, a palavra que enfeitaria um encontro com pessoas queridas que perdemos de vista
há um longo tempo e que de repente ,o acaso nos presenteia.Entre abraços e beijinhos afetuosos embaralhamos nossas vozes e sons desconexos afluem de ambos os lados sem que ninguém se aperceba da confusão de risos, lágrimas felizes e emoções gritantes.
O que falar, então, ao recebermos um carinho especial, um bouquet maravilhoso, um abraço do neto, um mimo que alguém preparou, um desejo realizado, conhecer o lugar dos sonhos;agradecimentos emocionados não faltariam, mas seriam poucos diante do sentimento que acelera o peito.
Destas boas e caras emoções,relicários da memória afetiva, temos( ainda bem) aos montes no cantinho querido entre a mente e o sentir que ao serem revisitadas acabam por nos devolver um bocadinho da magia daquele instante, nos fazendo crer que foi completo ou que soubemos transparecer o que ia em nossa alma emocionada.
Mas quando não se trata dum momento destes, e sim, dum momento de tristezas, impotência, petrificação ante o ocorrido, onde palavras sabidas soam como clichês gastos, frios, análogos diante de tudo?E aí?O que dizer, quando não é possível fazer-se nada?Confesso que não achei resposta, embora a pergunta me roa constantemente, não me paralisa.Vou agindo, por instinto, por motivação buscando atenuar aquela situação conforme me é possível, porém, trazendo na boca um vazio incomodativo da falta desta palavra-ação que comporia , quem sabe, um quadro mais suave sobre aquele momento.
Calu










