segunda-feira, 11 de junho de 2018

Diz o dito popular



*(Tica)

" Eita, mundão véio sem porteira, sô", costuma-se ouvir na voz cantada do povo nos rincões deste país.São tantas expressões e ditados pitorescos a nos trazer de bandeja a sabedoria acumulada nas diferentes regiões da nação. Em minha recém-inaugurada juventude, em meados dos anos 70, fui presenteada com a convivência amiga de uma vizinha mineira de raiz. Com ela aprendi sobre as muitas sabedorias ancestrais colhidas na linguagem rotineira do povo do interior; povo castiço, guerreiro, trabalhador.

E, não é que nas duas semanas que passaram , mais uma vez pus em prática um ditado que ela repetia muito: __" Quando a água bate nas costas, a gente sai nadando."

Muitos(as) de vocês souberam que meu amigão, Thuran (Thuco), adoentou-se com gravidade. Até internado ficou. A coisa foi braba. Teve de receber sangue. O tratamento incluía um armário de medicamentos. Ele, embora caidinho, é um teimosão pra ingerir comprimidos.Assim, a cada dia travávamos quase uma luta corporal e inglória pra mim; ele vencia quase todas as batalhas.Eu punha os comprimidos partidos na banana amassada, no pedacinho de carne... ele mastigava, mastigava e cospia os remédios, arghf!

Me queixei chorosa com a veterinária, minha irmã por parte de pai, que me deu a notícia:
 __ Você terá de dar os medicamentos em injeções nele.
Como assim? Nunca dei injeção nem em boneca! No meu tempo de menina não havia boneca dodói. Ai, meus sais, e agora? " Durma-se com um barulho desses!"

Ela me tranquilizou. Veio aqui em casa e me ensinou como fazer. Enquanto ela aplicava a injeção com a maior naturalidade eu só conseguia me afligir vendo-me naquela situação.
" O que não tem remédio, remediado, está"!

Foi deste jeito que levantei decidida na manhã seguinte à aula e preparei a seringa com os três medicamentos do horário.Mirei o maior espaço de pele dele, logo após o pescoço e apliquei. Ele ficou quietinho e nem chorou. Desconfio que o sabichão percebeu a minha insegurança e colaborou. " Hip, Hip, Hurra! Hoje terminou todo o lote injetável. Ficam , ainda, dois comprimidos de antibióticos que precisam completar 40 dias... " Vamoquevamo!

* Há tempos , os fenômenos dos ditos populares/ sabedoria popular, vêm chamando a atenção dos linguistas e dos profissionais que trabalham com semiótica.Foi, então, criada uma ciência para estudar os provérbios: a paremiologia.

Vocês têm algum ditado de preferência? Contem aí nos comentários!

* Manuscrito Voynich__ é um misterioso livro manuscrito e ilustrado com conteúdo incompreensível. Acredita-se datado de mais de 600 anos por autor desconhecido. É chamado: "o livro que ninguém consegue ler".
Foto: Tica-2017- Feira do Livro de Frankfurt





quinta-feira, 7 de junho de 2018

Lirismo ao vento




Tudo ao vento pode soltar-se. Tudo ao vento baila. Tudo o vento pode levar, aliado do tempo, vento é modelador. 
Pr'aqueles ventos cuidadosos em seu passar, a estes peço:
__ Leve todos os dissabores,
Traga todas as benesses.


Um sopro de lirismo ao fim da tarde pra abrigar n'alma as boas emoções. 

Música e natureza, par perfeito. 


 ( Les Choristes __ Cerf- Volant)





(Poesia de Bicicleta_ S. Capparelli)

Inspirada na partilha da amiga Verena ao trazer-me boas lembranças do poeta Sérgio Capparelli, sempre presente no bolsão da leitura em minhas salas de aula, solto luas e estrelas para que os céus permaneçam sempre enfeitados de sonhos.





domingo, 3 de junho de 2018

Brincando de verdade

( Tica)





Longa pausa; talvez, média, pra me consolar do tempo afastada daqui. Muitas atribuições. Muitas preocupações...muitas! Até ensaiei uma postagem. Até quis retomar as visitinhas aos Blogs. Até devia, mesmo, fazê-las, mas o ânimo me faltava entre o espaço da porta da sala ao computer.Amanhã, farei. Amanhã postarei, amanhã, sendo hoje, quase procrastinei outra vez, mas eis que fui resgatada pela incrível animação da amiga Chica e, parei aqui, no "E" de escrita. 

Tomar direção__ leio agora: fazer escolhas.Sim, mas isto é parte do movimento da vida. Qual a novidade? Direcionar o intento e rumar pra ele.Já falei disso, recentemente, se não me falha a memória.Ainda que assim seja o mote dado tem sido uma constante em minha vida. Consegui, em grande maioria escolher as direções certas pras situações acontecidas. Tive frustrações, óbvio. Tive acertos. Cometi enganos. Corrigi o curso e segurei firme o leme outra vez, e outras mais...

Hoje reconheço que todas essas situações não eram as mais difíceis de lidar; o verdadeiramente difícil não diz respeito às direções que escolhi e sim as que tenho de escolher por outra pessoa. Bem difícil!


Que minhas escolhas me levem em direção ao melhor!





domingo, 20 de maio de 2018

Amenidades


Amenidades...porque há dias pesados,
porque há fardos seqüentes,
 porque há goteiras,
há frestas correntes.

Amenidades...porque há cansaço,
há choro silente,
porque há busca também
em resilir, renovar,
renascer e viver!



"... Pela lente do amor
sou capaz de entender
os detalhes da alma de alguém.
Pela lente do amor
vejo a flor me dizer
Que ainda posso enxergar mais além..."
( música: Lente do Amor/ Gil) 



Carinhos que recebi nas encomenda feitas para meu mais novo hobby: encadernação artesanal.
Não importa em nada a forma e o tamanho do carinho recebido. Importa, sim, ser ele íntegro em sua natureza original.


Estes dois cadernitos já estão com suas donas.Postei dias atrás no Instagram os detalhes de cada um. Ando bem envolvida com a produção deles. Sempre fui fã de artigos de papelaria e, agora, poder fazer cadernos artesanais caprichados em originalidade e carinho, me traz enorme satisfação. Creio que passo a fazer parte do time seleto das artesãs; espero que com excelência da minha parte.  


Noitinha chega fechando o dia lindo de domingo meio friinho. 
Pra arrematar com laço de fita, um creme de baroa com alho-poró é bem-vindo.



Um bela e proveitosa semana para vcs! 




quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ao sabor dos bons ventos



 Tive a sorte , na minha infância, em morar em casa com quintal.Um quintal é o paraíso da criançada e comigo não foi diferente. O cimento  e a grama conviviam margeados pela horta e o pequenino pomar. Pequenino, mesmo, mas sempre carregadinho de sapotis dulcíssimos, goiabas vermelhinhas e tenras e suculentas amoras. Era uma festa nesta época do ano. Eu não dava sossego ao recanto frutífero; já a hortinha só recebia minha visita quando minha mãe me pedia para colher um raminho de hortelã ou outra erva que lá estivesse.
Hoje, vejo, com imensa alegria, meus netinhos repetirem minhas vivências "quintalescas", enchendo a boca de amoras até escorrer o sumo pelos queixinhos arrendondados para logo em seguida, sentados no chão de pernas cruzadas, descascarem com precisão as deliciosas bergamotas/ tangerinas colhidas no pé.  


Todos estes gostosos momentos vivi no fim de semana passado na casa da minha filha, no Sul.
Fomos também pra serra, na linda Gramado, onde os pitorescos atrativos da cidade sempre  me encantam muito.




Coroando o brilho deste final de semana especial, o encontro-relâmpago transbordante de alegria com a queridíssima Chica e a lindeca da Marina, foi a cereja confeitada do meu bolo.

Obrigada, Chica(link) querida pelo carinho extremo em deslocar-se só para me ver.  
AMEI vê-las e abraçá-las!


No poema do encantado Manoel de Barros, desfilam em versos meus desejos...

"Senhor, ajudai-nos a construir nossa casa
com janelas de aurora e árvores no quintal
___ Árvores que na primavera
fiquem cobertas de flores
E ao crepúsculo fiquem cinzentas como 
a roupa dos pescadores."


(Im: revista casa e jardim.)