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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Só vale quando pesa ? Reais valores na vida









Que viemos sistematicamente sofrendo uma inversão em muitos valores não é novidade para ninguém, porém, cabe aqui definirmos quais valores são estes.Valor designa força de vida em todas as línguas, mas procurando seu significado em dicionário temos referências à: economia, cor, filosofia, pessoal, empresarial, marketing...coerente para as colocações que sabemos ter a palavra nesses tempos e como nos acostumamos com estas designações muitas das vezes nem nos damos conta do quanto o verdadeiro "valor" perdeu com esta multiplicidade, o quanto ficou reduzido, acanhado diante de alguns usos ao longo dos séculos.

O valor como força de vida, aquilo que realmente mobiliza e enriquece o sentido da vida, que destaca e ilumina as ações assertivas, as posturas íntegras, os merecimentos, foi sendo segredado a uma função monetária que domina letalmente todos as outras designações.É público e notório a face que predomina quando se fala em "valor", a econômica, a que categoriza em preço monetário as coisas do mundo e não só as coisas, como também o próprio mundo, o planeta.

Para muitos, valor se encontra num objeto de marca internacional,nas posses financeiras, no poder pessoal(berço) e, em nossa lógica mercadológica isto é fato, o capital domina e dita as regras em tal proporção que submete à sua tirania a maior parte da população mundial sem piedade aos povos e suas culturas; vide África, penoso exemplo desta vergonhosa realidade.

A mais recente agressão a valores de vida está prestes a acontecer numa cidade romena, onde se encontra em andamento o projeto para a reabertura da maior mina de ouro da Europa.O governo romeno já aprovou o projeto de lei permitindo o reinício das escavações que em seu caminho destruirão quatro grandes colinas, seu vale e rios causando um novo desastre ecológico e outros males que virão nessa esteira, além de comprometimentos penosos para o país.A população tem feito seguidas manifestações contra estas medidas abusivas, mas ainda não tiveram resposta ou sequer proposta de negociação pelas autoridades locais.O ouro, valor considerado supremo, acima do bem estar humano e do equilíbrio ecológico, sobe mais uma vez no pódio das escolhas como vencedor absoluto das consciências daqueles que detém o poder.

Valor e riqueza foram fantasiados com este traje economicista nocivo, e se exibem pomposos debaixo de aplausos vazios, esses, que vemos endeusarem mediocridades, confirmarem descalabros e protegerem atitudes,no mínimo, suspeitas.Que as muitas designações das palavras lhes confiram usos variados e multiplicativos, isto é  enriquecimento da língua, das expressões, mas quando apenas uma delas, a mais árida, fica acima das demais e não desperta nenhuma( ou pouca) estranheza, algo está fora de lugar, fora da ordem(como diz Caetano), que não a mundial que legitima esta visão, mas com certeza, está fora do real valor da vida.





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Imagens: presse.pt
fmanha.com