__ Vá caçar o que fazer, menina! Mando comum tanto antigamente como agora.É só vermos algum(a) jovem parado, que a gente arruma logo uma ocupação pro dito cujo, aliás, esta é uma estratégia velhusca em sala de aula dirigida aos pimentinhas do pedaço; acabadas as tarefas e devidamente conferidas e corrigidas: ocupação neles!Cabeça vazia é oficina pro que não presta, diziam os mais velhos, e sabemos que há aí um fundinho de razão.
Desde cedinho somos impelidos a sermos ativos, pró-ativos, diligentes, excelentes, surpreendentes... e crescemos reproduzindo estas expectativas que foram se aderindo á nossa personalidade de mansinho até que se metamorfosearam em nós próprios, já que o mundo à mil e muitos kilômetros por hora nos impele em suas engrenagens "turbinodentadas", levando-nos a pensarmos que se diminuirmos o ritmo acabaremos nos esborrachando no chão- do trabalho/dos afazeres/das responsabilidades/dos horários/dos compromissos/da vida.
Quantas décadas foram precisas para descobrirmos a pegadinha que é esta postura?Quem ainda está longe do centenário, deve continuar com o pé no acelerador, mas pra quem como eu, que já avançou no cinquentenário e redescobriu o refinamento dum ritmo mais aproveitado em seu passar, valoriza cada instante vivido em cada dia e, não é delírio pollyanesco não, é reconhecimento das preciosidades que a vida oferece.De teses à filosofias são inúmeras as indicações/receitas para uma melhor qualidade de vida em todos os âmbitos da existência.
Claro, que pra quem como nós, pobres mortais que temos de ralar pra garantir o pão de cada dia,não é tão fácil chutar o balde, dar uma banana pro patrão e mudar-se prum sítio paradisíaco e virar criador de trutas ( será?).A priori, é difícil, ou não!Enfim,desconfio que mesmo atravessando a chamada fase produtiva ( expressão capitalista) e tudo o que ela venha a representar, porque eu sou altamente produtiva no que quero; mas retomando o rumo dessa prosa, tenho visto e sabido de muitas pessoas que souberam aliar o ócio criativo com estupendas realizações que somaram uma vida mais proveitosa na essência que ela representa.
Mesmo que a gente não compre um veleiro e saia pelos mares do mundo ou um big sítio na Mantiqueira, ainda que na cidade caótica e acelerada procuremos um refúgio num ambiente ou em nós próprios, certamente isso trará um alento novo, saúde ao corpo e ao espírito e uma inigualável sensação de bem-estar.Aconselho que sempre que pudermos sigamos aos ritmos: "lento, lentíssimo e Dorival Caymmi!"
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" Na ribeira desse rio
Ou na ribeira daquele
passam meus dias a fio
Nada me impede, me impele,
Me dá calor ou dá frio[...]"
(Na ribeira desse rio,F. Pessoa- trecho)
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