sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Céu Particular









Podermos, de vez em quando, repousar o olhar e o coração em remansos que nos confortam, é grata colheita num dia inesperado.Repito muito uma citação do mestre Rubem Alves, que diz: "__ Sempre que posso levo meus olhos para passear". E eu procuro ao máximo seguir esses e outros ensinamentos deste admirável pensador/educador a quem eu tive o privilégio, tempos atrás, de ouvir em pessoa num seminário da área.Inesquecível!

De olhos pregados no céu de anteontem, onde se desenhou um esplêndido arco-íris no final da tarde mesclada de luz,calor e ventos, me extasiei com o espetáculo.Corri para fotografar as cores, as vozes que brotavam entre as nuvens sortidas de claridade, porém, minha péssima habilidade nesta arte da fotografia ou talvez a agitação emotiva em não perder nenhum detalhe, deixou todas as fotos fora de foco.Fiquei na maior dúvida se as postaria, só que pesei a escolha, se não o fizesse, vcs não poderiam nem imaginar o caleidoscópio que aqui se formou.Pronto, resolvi trazer os desfocados registros pedindo desculpas pelas distorções, mas querendo que todos(as) se detenham e descansem nas luzes coloridas pintadas num céu particular.


Olhem só as cores, tá?:))







" Pastora de nuvens, fui posta a serviço
por uma campina tão desamparada
que não principia nem também termina,
e onde nunca é noite e nunca madrugada.

(Pastores da terra, vós tendes sossego,
que olhais para o sol e encontrais direção.
Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.
Eu não.)" 

Cecília Meireles (trecho)



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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nossa Nova Juventude






Vi num trechinho da entrevista dada por uma conhecida editora de moda, ela afirmar que quando lhe perguntam a idade, ela prontamente aumenta dois anos (rsrsrs), o que me trouxe imediatamente á lembrança, minha sogra que fazia o mesmo. Na 1ª vez que saímos juntas ao encontrar uma conhecida que emendou num papo inevitável de filhos e netos e parentada puxando ao final da frase a pergunta crucial de com quantos anos ela estava, ouviu elegantemente a afirmação duma numeração maior que a real; seguiu-se logo a declaração esperada:__ "Mas, você está muito bem para sua idade!"

E após as despedidas simpáticas fui logo lhe perguntando porque havia aumentado a idade e ela bem faceira me responde: __ "Pra ouvir esses elogios, minha filha". Olhem só que saída bem bolada, simples e eficiente, com alto grau de sucesso, uma singela massagem no ego,o que vamos combinar faz um bem danado. Foi-se o tempo que a mulherada com mais de 30 enganava a idade.É voz corrente que os 50 são os novos trinta e eu quero mais é me enturmar sem neuras nesse time antenado, ativo, buscando o bem-viver e a valorização do que realmente importa na vida.Chegar e passar dos cinquenta é um marco e tanto mesmo para o século XXI.A princípio causa um certo desconforto; meio século... para em seguida baixar uma certeza das conquistas realizadas e do tempo que agora se merece aproveitar ( ao menos deveríamos ) que parece um renascimento, e é. 

O visual  não é mais aquele velho conhecido, mas o espírito ganha asas sem precisar de vitaminas e, como isso é energético.Nosso olhar se aprimora pra vida na mesma proporção que as lentes dos óculos aumentam de grau.O que será motivo pra comprarmos armações moderninhas e desfilarmos por aí.Abusamos da capacidade de encantamento e soltamos o riso com vontade.Se a insônia resolve fazer uma visitinha não nos pega mais de surpresa, vamos navegar na web e o relógio fica esquecido.Treinamos o desapego diariamente, seja dos objetos, seja dos infortúnios.Não queremos mais perder tempo com besteiras, muito menos com mudanças de planos de última hora.Estamos sempre prontas para qualquer clima, chova ou faça sol. Se os problemas não são graves, então não são problemas, este é nosso lema.Nós cinquentonas e tais, somos agora muito melhores do que já fomos, imaginem só quando formos centenárias (rsrsrsrs)! 



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Achei a imagem ultra inspiradora.O reinventar-se a cada dia!




Imagem II: Cartum de Ana Von Reuber, premiadíssima cartunista argentina, representante da FECO ( federação das organizações de cartunistas).Promove um projeto de criação do Museu do Cartum, com doação de seu acervo pessoal. 

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sábado, 23 de novembro de 2013

Passos e Descompassos









Se formos perguntados hoje sobre nossos medos mais básicos saberemos listar uns três ou quatro de imediato; daqueles que estão bem na superfície da percepção, mas os outros mais arraigados, estes só tornam a revelar-se diante de situações que nos constrangem verdadeiramente, tipo um fracasso.Como temos medo de fracassar no que quer que seja.Fomos todos(as) criados para o sucesso e a simples possibilidade do inverso nos aterroriza a ponto de nos abalar emocionalmente.

Quem, no tempo de escola, não sentiu-se intimidado ao ser chamado(a) ao quadro pela professora.Poderia estar preparadíssimo para resolver a questão proposta, mas que sentiu um friozinho na barriga, ah, isso sentiu.O medo de errar acaba por paralisar nossas certezas e pode até nos desarticular a ponto de ficarmos em dúvida sobre o que conhecemos.Em minha época ginasial havia prova oral de todas as matérias sociais e muitas colegas passavam mal de fato na hora do exame.Eu sempre fui tagarela e quando chamada, ligava a torneira e só parava quando chegava ao ponto final da questão perguntada, porém, meu coração ficava saltitando na garganta o tempo todo.

Ao longo de minha experiência profissional fui desenvolvendo melhor minha atenção pra este fato e percebendo os(as) alunos que se melindravam ante uma apresentação ou mesmo uma prova escrita. Fui modificando certas praxes em sala de aula.Comecei tirando o tal cabeçalho formal das provas escritas e para descontrair promovia concursos de grupos de tarefas ao quadro, onde eles se agrupavam como preferiam e se engajavam na atividade.Bom, estas e outras estratégias direcionadas, acredito que abreviaram para muitos(as) o terror de expor seu "erro", que já começa por ser inadequado desde a palavra que o nomeia, pois em aprendizagem não há erro, há tentativas de acertos, umas são bem sucedidas,outras precisam ser refeitas em novas tentativas.Martelei muito esta minha tese nos ouvidos das crianças e jovens, meus alunos(as), crendo firmemente que ao acreditarmos que podemos cometer enganos na busca do conhecimento, estamos nos fortalecendo para a assertividade em nossas escolhas na vida.

Vejo adultos tão preocupados em não cometerem nenhum pequeno engano de qualquer natureza, que demonstram sofrimento real quando isto ocorre.Não faço aqui apologia aos erros/falhas de caráter ou de outras espécies abomináveis, ressalto especialmente os reveses que podem acometer qualquer ser humano.Ninguém falha premeditadamente, pelo menos, eu assim penso.Todo mundo quer acertar em suas escolhas e ações na vida, principalmente nos campos social e profissional.Ninguém quer acreditar que possa falhar e isto acaba por ser nocivo para o equilíbrio emocional de cada um.Quantos casos de enfarto são verificados após um fracasso pessoal ou profissional? A gente somatiza ( a maioria de nós) e, diante dum tombo doído, muitas da vezes, ficamos acocorados no chão com receio de levantarmos e encontrarmos um dedo em riste nos apontando:__Eu te avisei!

Isto dói tanto quanto o acontecido e não resolve nada, pior, só faz com que nos sintamos uns fracassados, o que para milhares de pessoas é avassalador e paralisante; o que na minha visão é o mais trágico disso tudo.O fracasso deve ser visto como aprendizado.Esmiuçado e não esquecido.Detalhado e compreendido para que seja reordenado em cada etapa do processo e que venha a estabelecer os fundamentos dos desacertos para que com clareza e empenho transforme-se em futuros acertos.Se os cientistas de toda as épocas tivessem desistido ao primeiro fracasso em suas pesquisas não teríamos hoje os avanços que dispomos nas áreas de medicina e tecnologia, só pra citar algumas.

Fácil não é, assumirmos que não somos tão incríveis como gostaríamos e que não só damos passos certos, mas na crença de que somos capazes de corrigir as rotas e buscar acertar em nossas escolhas, nos reveste da força motivadora da criação; a resiliência.



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Imagem: freepick

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Tímida comemoração









Vila Real da Praia Grande,foi o nome dado as terras do lado de cá da baía da Guanabara no iniciozinho do período colonial.De vila já não tem nem a sombra faz tempo.De real, nem uma joinha da coroa perdida num buraquinho das calçadas, mas de praias grandes, ah, essas ainda resistem aos séculos de poluição por serem crentes em cada promessa eleitoreira de melhorias e cuidados, tch,tch,tch, princesinhas iludidas.

Não foi sempre assim, não.Nem aqui, nem em nenhum outro lugar do mundo.Tudo começou com a natureza exuberante que cada um recebeu.Dádiva emoldurada que acabou sendo sentença de castigos e descuidos ao longo dos séculos, porém se não fossem estas mesmas dádivas ela, a Vila Real, não teria atingido a categoria de cidade.Prêmio ou castigo? Difícil escolha.Estar próxima á primeira capital federal ajudou ou prejudicou? Bom, se eu dirigir o foco pros dias atuais, vou cair num choro convulso.Ai meus sais!

Hoje aconteceu uma reunião das autoridades locais e estaduais firmando um acordo de implemento na segurança da cidade, que esteve nestes últimos quatro anos entregue á própria sorte ou azar;quem mandou estar doutro lado da ponte, via expressa fácil de todas as mazelas do outro extremo.O país inteiro sabe que o choque de ordem no Rio afugentou toda a bandidagem pra cá e pros municípios vizinhos. No jornal de sábado vieram elencados os rankings da alta criminalidade que assola os niteroienses nestes dois últimos anos destacadamente.

Como, perguntou eu, não me agarrar ao antigamente quando nas noite de verão eu pulava amarelinha com as amiguinhas na calçada,enquanto meus pais e avós tomavam a fresca? Quando saía-se á rua com tranquilidade nos afazeres sem maiores preocupações com os pertences.Quando usava-se o transporte coletivo sem sufoco e podia-se planejar os horários do dia com um mínimo de folga para o cumprimento dos compromissos.Quando desfrutávamos da praia com descontração e proveito sem medo de arrastões.Quando trafegávamos de carro com as janelas abertas...quando, quando quando!Há bastante tempo atrás.

Mas, ainda temos alguns( poucos) motivos de comemoração nestes 440 anos, afinal as praias grandes reavivam em nós a esperança em melhores anos pra esta cidade das "Águas Escondidas".










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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Casa da Gente











Por mais definições feitas sobre a casa da gente, não se esgotará nem em outros tantos zilhões de anos, o tema. A casa pra mim é um elemento quase natural.Consegue se inserir em diversas categorias que se ampliam para além dum simples abrigo, indo se mesclar às vidas que habitam(ram) seus espaços.A casa da gente tem obviamente nossas preferências, mas não só, ela acaba por agregar um pouco de cada um que ali está ou esteve.Os cheiros, os objetos, as cores, a mobília, a disposição dos espaços, tudo,tudo nos reflete, e ás vezes nos revela mais do que gostaríamos.

Dificilmente nos esquecemos das casas que já habitamos.Da casa da infância, senão de toda ela, de algumas particularidades que continuam vivas em nós.Detalhes, que hoje nos são caras e queridas lembranças pintadas através das emoções.Da casa que erguemos em nossos sonhos e vimos materializar-se na nossa frente quase que como num passe de mágica;mesmo que essa mágica tenha custado muito suor,esforço e dedicação( o que acontece na maioria das vezes), ao girarmos a maçaneta da porta e entrarmos no espaço-lar, o mundo fica do lado de fora e tudo o que desejamos é nos aninharmos em seu interior aconchegante.Grande útero que de novo nos cabe e no qual podemos intervir a nosso gosto, e donde podemos ir e vir sempre que desejarmos.Isso é natureza rearrumada.Releitura ampliada em cada ângulo pensado, em cada chão sob o teto.

A casa da gente é um tudo entendido em pedacinhos que desenham o mosaico das nossas vidas.Ela tem nome, tipo: a casa da mamãe ou a casa de antigamente ou a casa da rua estreita... Foi sendo juntado em suas paredes nossos risos, algumas lágrimas, nossos planos, certos receios, muitas esperanças ( estas fazem parte da iluminação), amuos, sensações, emoções, delicadezas, por vezes até rudezas, ousadias e bastante temperanças ornadas na força construtiva do amor.

A casa da gente: lugar onde se faz vida! 



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Foi em vistas de céus de lá e de cá que me veio a incontida vontade de falar sobre a casa da gente.Foi lá, nos "Céus e Palavras" (link) da amiga Chica, que as belas conexões aconteceram. 





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1ª Imagem:pinterest(sunkemon)