segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ser Brincante...


Não é de hoje que venho convidando todos vcs a visitarem sua criança-interior.De quando em vez, despirem-se das árduas vestimentas da razão e assim libertos(as) sentarem-se á uma sombra acolhedora( no verão é aconselhável) e rumarem para as boas terras da infância, revendo as doces memórias e reconstruindo os bons planos que foram tecidos entre brincadeiras festivas.
Com a minha feliz descoberta através duma entrevista na TV, do poeta e escritor  português Álvaro Magalhães, transcrevo aqui um trecho da obra: O Brincador, verdadeiro manifesto poético ao melhor de nós mesmos: nossa essência infantil.
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«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador…
A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»



Álvaro Magalhães 
Imagem: Weheartit.com

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Aconteceu Comigo


Aconteceu comigo e, não foi a primeira vez, ainda bem, mas todas as vezes que se repete é como a primeira. A emoção toma conta...Num dia qualquer da semana que passa, estava fazendo compras quando ouvi meu nome,chamado duas vezes, voltei-me e me deparei com um rapagão bonito todo sorridente que vinha ao meu encontro de braços abertos. Parei.
___ Professora, sou um ilustre desconhecido para você, mas você é a melhor professora que eu já tive.
E me abraçou com tanto carinho que eu entre alegre e desconcertada perguntei seu nome.
___ Sou eu, tia, o Vinícius.
Surpresa geral.Mais abraços.A mãe dele veio até nós e começamos um papo entusiasmado, cheio de recordações, muitos risos, muitas curiosidades, afinal, aquele rapagão deixara lá atrás o menino de 8 anos que um dia , no recreio, resolveu pegar numa lagarta de fogo e entrou aos prantos na sala dos professores com a mão vermelha totalmente inchada.Ao que, no ato, coloquei-o no colo,apliquei um bolsa de gelo na queimadura e pedi que ligassem para a mãe afim de tomar as providências mais eficazes.Enquanto aguardávamos, ele choramingava em meu colo e repetia;
___ Tá doendo muito, tia.Faz parar!
E como eu queria ter tido uma varinha de condão para realizar este pedido e muitos outros iguais que aconteceram e aconteceriam ao longo de minha carreira.
Mas lembramo-nos de alegrias também, como quando dois anos depois montei a apresentação de fim de ano onde a turma do 5º ano era a estrela da festa. Combinamos uma representação do conto: O Ganso de Ouro.E quem foi eleito em votação para ser o filho do moleiro, dono do ganso?Vinícius.
A peça foi um sucesso.Levamos 15 dias preparando cenários e figurinos( adaptados) para o dia da festa de encerramento. A turma saiu-se tão bem na encenação que tiveram de "bisar" 3 vezes sob chuva de aplausos.
E è este Vinícius, menino levado, que hoje aos 22 anos, trabalha numa das filiadas da Petrobrás e estuda no curso universitário sobre petróleo e gás.
Enquanto conversávamos, ali em meio ao movimento da rua, as pessoas que passavam talvez supusessem o motivo, mas jamais avaliariam o grau de emoção em que eu me encontrava recebendo um carinho genuíno de mais um aluno, hoje um cidadão, para o qual tive a oportunidade de contribuir um pouquinho com sua história de vida.

Desejo à vc , Vinicius, como a todos os meus alunos e alunas, uma estrada florida  e venturosa por toda a vida!
Obrigada por vcs existirem! 
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E, aqui vem a doce Cora, coroar esta dulcíssima lembrança.

Aninha e suas Pedras
Cora Coralina

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.

E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
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Imagem: brasilescola.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Memórias de Verão

È verão,
Bom sinal
Já é tempo
De abrir o coração
E sonhar..." 


Sonhar é pouco diante destas gostosuras.Tem mesmo de saboreá-las até o finalzinho.Sorvete é bom demais, né?E no verão é perfeito.O casamento ideal: delícia geladinha,hum...!Eu me derreto por um sorvete desde pequenininha.Nasci na rua da minha cidade, onde ao final, ficava a lojinha-distribuidora dos "sorvex Kibon".Já imaginaram isso? Pois é, assim era!Que loucura gustativa os meus verões até os 8 anos__"Ah que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida...(rsrs)."
Gente,era um tal de picolé, eskibon,sorvete de creme em lata e o bolo de sorvete.Ah o bolo!Era uma plataforma de massa de biscoito com uma torre de sorvete, uiiiii, e sempre aos domingos à tarde, quando meu pai trazia esta gostosura pro lanche.Durante a semana seguia a agenda de férias: praia pela manhã, almoço, leitura ou TV até as 16h esperando o sol baixar e depois ia toda serelepe com minha avó comprar a quota de sorvete do dia. Ô beleza!


A variedade sempre me deixava com dúvidas na hora das escolhas.Mas, nada que não se consertasse nas compras do dia seguinte.Rápido e fácil.


Como morávamos no 3º andar dum prédio antigo e minha janela dava para a rua, eu acompanhava todas as manhãs aquela verdadeira procissão de sorveteiros com suas carrocinhas indo ao trabalho do dia.Era  bonito de se ver! 


Tentei achar um bolo parecido com o que descrevi.Esse foi o que chegou mais perto.


Essa ilustração faz parte do livro I da coleção do Mundo da Criança( lembram)?Eu adorava lê-la.
Então vamos lembrar a infância.Esquecer a dieta( só um pouquinho) e, sem culpa , nem medo, nos entregarmos às travessuras que a estação propicia.
Bom Verão pra vcs!
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Imagens: foiumrioquepassou.com.br
tudogostoso.uol.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

Olhe... Borboletas!!


Cores aladas, as borboletas povoam o real e o imaginário.Suaves criaturas que simbolizam a beleza das transformações.Delicadas companhias que queremos por perto, dos olhos e do coração.São musas eternas. As borboletas, permitem poemas, cantigas e o que mais criar nossa imaginação.
Nesta semana, pontualmente , tenho-as visto ao vivo e a cores por cá e por aí, no real e no virtual, voejando, borboletando, num ir e vir alegre que enfeita cada minuto em sua presença.Inspiração confirmada, nomeia muitos blogs e faz da sua existência moldura perfeita para a beleza que nos cerca.

Borbo- Leta 

A grande borboleta
leve numa asa
a lua
E o sol na outra,
e entre as duas, a seta.
A grande borboleta
seja completa-
mente solta.
(Caetano Veloso) 

Vôo das Cores 

Translúcida voa,
frágil borboleta
levando nas asas
a cor que toca.
Hora verde, hora rosa,
violeta, azulada,
hora nuvem cinzenta,
hora luz da madrugada.
Breve vida cintilante;
longa dádiva distante.
(Calu) 


Caminhos Desconhecidos 

Entre aparições e
esconderijos
vamos tateando
pelos fatos,
espreitando atos,
descrendo e acreditando.
Mas, que caminho tomar
se nessa seara 
desconhecida,
estamos à mercê
do inesperado 
da vida?
E assim seguimos,
nós,
tontas borboletas
coloridas.
(Calu)
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Procurem as borboletas.Elas mostram caminhos incríveis!

Façam uma visita a um lindo canteiro recém-criado, o Pintando Borboletas, da querida Meire.Recomendo muito!
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Imagens: free-images
arte de Duy Huynh

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sempre por Perto


Não briguem comigo, pessoal!Juro que a imagem tem uma razão de ser para além de dar água na boca;já que isto é inevitável para quem é "formiguinha" como eu.Ela vem compor um texto da Martha Medeiros que considero apropriado para uma gostosa pausa do dia-a-dia. Aquela que entre uma tarefa e outra nos permite  esbarrar com um texto desses,com um filme legal, um programa interessante ou a retomada da leitura suspensa há dois dias por absoluta falta de tempo e energia.
Então deliciem-se com o conjunto texto-imagem. 
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Quindins na Portaria

Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença". Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.

Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.

Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.

Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.

Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.

Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.

Pessoas estão jantando.

Pessoas estão preocupadas.

Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.

Pessoas estão chorando.

Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.

Pessoas estão se amando.

Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.

Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.

Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.

Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.

Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?

Nem se discute que o encontro é sagrado.

Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.

Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.

Quando mando flores, vou junto com o cartão.

Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.

Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Martha Medeiros 
Imagem: dicaslegais.net