sábado, 31 de julho de 2021

" O barquinho vai/a tardinha cai"




Vou falar do frio... não; vou destacar os dias azuis intensos, claros e luminosos que têm feito por aqui.
Não fosse o ar gelado( ih, falei...) seriam de uma perfeição magistral.
Me sinto revigorada ao desfrutar dias assim e, entre um click e outro, registrei  na paisagem este barquinho branco contrastando com o cinza do Pão de Açúcar. Linda visão que me lembrou a célebre música da Bossa Nova: "O Barquinho", de Menescal e Bôscoli, gravada por inúmeros cantores(as) daqui e de fora.
Embora minha foto seja pífia de resolução, fechem os olhos e cantem com os experts da boa música mostrada no vídeo abaixo.




História original da composição " O Barquinho"( CBN- Campinas)

Um clássico da MPB  já  regravado por vários artistas  foi  inspirado em uma situação que correu  sério risco de ser a  notícia de uma tragédia, quando um barco ficou a deriva em alto mar durante todo a dia.

O episódio aconteceu  com  Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli  que tiraram o dia para um  passeio  em alto mar  com os amigos e um problema mecânico no barco os deixaram à deriva  e  no final da tarde quando foram rebocados de volta ao porto a inspiração pra compor surgiu.

A  prosaica cena inspirou    Roberto Menescal e Ronado Bôscoli na canção  O barquinho  lançada no inicio de 1960  que se tornaria  um símbolo da Bossa Nova.



segunda-feira, 26 de julho de 2021

" A última carta de amor"

*
Sob efeito da leveza do filme que assisti ontem, me animei a trazer esta dica  aqui na blogosfera.

Sou do time água-com-açúcar declarada. Quero ver bonitezas, levezas e gentilezas, assim mesmo, rimadas de preferência. Como acredito que nossas aspirações são ímãs atrativos, encontrei na netflix um destes exemplares: " A última carta de amor", inspirado no livro da escritora Jojo Moyes. 

Gostei de tudo, do roteiro à ambientação. Uma história do passado que é descoberta no presente; só por isso já me cativou. Adoro estas tramas que o tempo mostra e esconde. Sou fã de carteirinha, afinal, meu livro transcorre nestes trilhos.


Para além de tudo que descrevi acima, cabe destacar meu assombro pelas coadjuvantes cartas de amor. Sabendo que foram traduzidas em legenda e, mesmo assim, conservando uma narrativa expressiva em nossa língua materna. Cada uma delas lida nas cenas, traz tamanha gentileza romântica que só me lembro de ter visto parecida no "Os sofrimentos do jovem Werther"( romance epistolar). 

Nas cartas condutoras da trama, encontram-se declarações de amor profundo carregadas de sublimidade ante a realidade. Enternecedoras!

Fiquei saudosa deste tempo em que se escreviam cartas de amor.


*pinterest/artesdalivia

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Coisas Boas da Vida



    As Boas Coisas da Vida 

( Rubem Braga)

Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as " dez coisas que fazem a vida valer a pena", sem pensar demasiado, fiz esta pequena lista:

_ Esbarrar às vezes, com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.

_ Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes. E acontecem.

_ Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem pra seu lado e, de repente, dar um chute perfeito_ e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.

_ Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

_ Aquele momento em que você sente que de um grande amor ficou uma grande amizade_ ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

_Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne...

_ Viajar, partir...

_ Voltar...

******* 

 O brilhante Rubem Braga, desfila suas preferências ( pontualmente masculinas) nesta crônica bem-humorada. Pra mim, excetuando o " bate-bola e a aflição de espírito ", todos os demais ítens figuram na minha lista. 

Por propósito, suprimi os dois últimos ítens que fecham a crônica para assim ousar me aliar ao grande escritor assinalando-os na minha lista preferencial.

A saber: 

_ Desfrutar a vida em família, em horas crescentes de risos e afetos.

_ Flanar por lugares novos e antigos sem preocupações tendo apenas a tranquilidade segura na rotina dos dias.




domingo, 11 de julho de 2021

Semana Nova- Fé Renovada








Dia novo. Semana nova. 
Abraço as horas com ânimo renascido na esperança do melhor a acontecer para todas as pessoas. 
Abraço as horas com fé na alegria que existe nas belezas naturais.
Abraço as horas com entusiasmo habitado nos afetos, nos netos, na família, nos amigos(as).
Abraço as horas com sorriso franco e perseverante para a vida que transcorre.
Abraço as horas , que me são dádivas e bênçãos.
Abraço as horas com toda pujança pelas maravilhas que nelas se movem.


Começo cantando. 
Cantem comigo a canção que exalta o bom que há na vida.
Caminhos do Coração- Gonzaguinha 


                                 Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
É tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

Feliz semana para todos vcs!

terça-feira, 6 de julho de 2021

A borboleta amarela


(*)

 Não combinamos de antemão, mas íamos cadenciadas como se houvesse uma melodia só audível para nós duas. Eu avançava em passo lento e ela ia à minha frente dando volteios graciosos, hora próximos, hora distantes. Parecia estar comemorando o novíssimo par de asas. Por vezes, achei que ela só se aproximara para dar um gentil cumprimento pela companhia na caminhada e tomaria seu rumo pra longe dali, mas, logo em seguida ela voltava pro meu lado e continuávamos  o passeio. 

Fomos nós duas pela calçada ladeada ao mar, sorvendo a brisa que o dia azul proporcionava, guardando nos olhos as cores e na alma as sutilezas deste encontro fortuito para nós.

Minha delicada companheira prosseguiu comigo até chegarmos a uma rala touceira de pequeninas flores na beira da areia. Ali ela acenou e partiu para novas explorações.

Fiquei presa ao encantamento e às nuances despertas pela boa companhia em sua singular existência fugaz e bela, fato que acendeu em mim a forte conexão com os tempos restritivos; "sou como uma crisálida em  terceiro estágio de preparação, mal contendo a ansiedade de romper o casulo, abrir as asas novinhas e voar..." 


(*( goaway-tumblr)



sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ainda ontem...


 Time vencedor do torneio semanal posando pra foto "oficial" após o jogo. É o Atlético Junior, time de bambas da bola. Sempre classificado entre os cinco primeiros dos torneios de futebol de salão da AABB- Brasília.

Aí , na foto de 1989, todos amigos do peito e da bola. Levavam a sério suas posições no time. Tão dedicados eram, que todo domingo tocavam o interfone às 7:30h,  chamando o treinador param irem ao clube onde aconteceria a peleja. Todos arrumadinhos em seus uniformes de atletas consagrados fazendo algazarra. 

O meu centro-avante é o segundo de pé da direita para esquerda. Vivia perseguido pelo time adversário , o que me fez deixar de assistir aos jogos. Mãe é Mãe!

Hoje aniversaria meu atleta que não é mais mirim. Filho amado, pai de dois filhos lindos, mora no Canadá  e me abarrota de saudades. 

Parabéns, Pedro! Toda Felicidade te acompanhe!



sábado, 26 de junho de 2021

Registros artísticos

 Tradições e Artes 

"A natureza é bela quando tem o aspecto de uma obra de arte. A arte, por sua vez, não pode ser chamada de bela senão quando, deixando-nos conscientes de que é Arte, oferece-nos, entretanto, o aspecto da natureza..."( Kant-citado por Suassuna)


Somos natureza nas belezas que provocamos, nos sentimentos que revelamos.

Anita Malfatti _ Festa no Interior



Alberto Guignard- Balões



Festa de São João/ Heitor dos Prazeres



Festa de São João/ Alfredo Volpi-1940




Grande fachada festiva/ Alfredo Volpi-1950




:* Biblioteca Virtual_Estado de São Paulo

(Seleção e organização_ Festas juninas_ Centro Cultural Delfos/ Fundação Edson Queiroz))

segunda-feira, 21 de junho de 2021

" Todos são poetas na praça "


Em meio ao clima que envolve os dias de junho/julho , vamos nos nutrindo das boas memórias trazidas nas festas populares de nosso riquíssimo folclore.

Para cada região desta terra brasileira há inúmeras manifestações da alma do povo festeiro por excelência. Onde quer se ande nos diferentes rincões encontra-se tantas belezas, tantas comemorações a nos fazer mais convictos das nossas raízes multiplicadas em lindas manifestações que nos conferem o emblema.

Ontem, tive a enorme satisfação de participar na live do poeta/cantador Manoel Herculano. Em uma hora de boa conversa, muito riso e pró-esia, visitamos lugares de extrema beleza.

Fazendo a roda girar, trago os entendidos sobre essa arte:   

Na visão de Orlando Tejo, no livro" Zé Limeira, poeta do absurdo", está sintetizado o que vem a ser um cantador: Os cantadores constituem imensa legião de homens que amam, sonham, sofrem e brincam de viver no mundo;pescando estrelas, caçando ilusões, plantando tardes, colhendo auroras, levando sua imagem sutil e profunda, tímida e vigorosa ao povo ávido de poesia que os ouve embevecido. 

Na visão de Luís Câmara Cascudo, que dedicou a maior parte de sua vida ao folclore brasileiro, define assim um cantador: Representantes legítimos de todos os bardos e menestréis da história.

Guilherme Neto, conceitua: são cantores populares, poetas geniais e versejadores do sertão.

Todos são Poetas na Praça

( Manoel Herculano)

Meus senhores e senhoras

Poemas de todas as horas

Podem entrar que a casa é sua

Estamos no olho da rua,

Mas, se a praça é do povo

Vamos voltar lá de novo.

Beber poesia na taça.

Todos são poetas na praça.


Eu vim de lá bem grandinho

Sem essa de dar jeitinho

Entro e saio sem arranhão

Sou ilha e mar, sou Maranhão.

A minha prosa acontece

Quando um verso o outro tece

E transbordam peito e taça.

Todos são poetas na praça[...] 

             

O registro da live está gravado no Instagram do poeta.


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Não deixo a saudade assentar



(*)

 E lá vamos pelo meio de junho. Olho no movimento das calçadas procurando ver as crianças fantasiadas de caipira, e nada. Não tem bandeirinhas na frente das escolas. Não tem festa anunciada. Não tem cheiro de canjica no ar.                    Ô saudade arretada!

Mas, não adianta na saudade morar. 

O jeito é improvisar uma mesa modesta, 

Fazer algumas gulodices, comemorar.

 O jeito é dar vida a cada momento, 

 É desafiar as ausências,

 É persistir sem desanimar.

Ouvir aquelas canções que nos trazem as comemorações das datas juninas e dançar, sozinha, cantando desafinado , mas seguindo o ritmo sem perder o rebolado. Fiquei mais inspirada depois de ter lido e ouvido lá na Beth Lilás            ( Me and You.blogspot), uma postagem linda em 1ºde junho sobre a história da valsa Rosa/letra e música, um clássico de todos os tempos do cancioneiro popular. 

O novo conhecimento me despertou ainda mais curiosidade sobre outras histórias por detrás das músicas e até rendeu um livro novo: 

"A onda que se ergueu no mar", Ruy Castro. 

De história em história das canções e da minha própria lista de favoritas, trouxe aqui só a letra, pois sou atrapalhada para postar vídeos( nunca dá certo, rsrsrs)


Embarquem no Táxi Lunar...

"... Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Bela  linda criatura, bonita

 nem menina, nem mulher

Tem espelho no seu rosto de neve

Nem menina, nem mulher.

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Pela sua cabeleira vermelha

 pelos raios desse sol lilás,

Pelo fogo do seu corpo, centelha.

Pelos raios desse sol;

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar..."

( Zé Ramalho) 

(*) Pinterest-arte naif/Daniel Salvador)



domingo, 13 de junho de 2021

Meus garimpos


(*)

Tenho me empenhado em dobrar as horas do dia. Um espanto, isso! Afinal, temos tido mais tempo do que  esperávamos  nestes últimos 16 longos meses. Não sei responder a isso com uma lógica perfeita. O que constato é, que ainda me falta tempo hábil( de repente, sou inábil).

Mas, voltando ao rumo desta conversa originada pelos meus interesses em leitura e escrita extensivos para o infinito e além(rsrssr); pois sim, vivendo a abençoada multiplicidade dos papéis da vida, ser avó insere outras tantas atuações. Me dedico também a acompanhar os interesses dos netos nesta seara. Uns mais propensos. Outros mais arredios, mas, ninguém fica de fora.

Cada papo em vídeo-chamada vai sendo levado para qual o livro-história da vez. E o assunto rola fácil, fica animado, fica até reflexivo. O mais velho já lê Harry Potter em inglês( um luxo só), os menores já estão ficando mais seletivos e avançando em leituras mais substanciosas.

De quando em quando envio livros novos pra todos os seis, cada exemplar escolhido no interesse de cada um. Amanhã, mesmo, farei nova remessa lá para meus gaúchos. Em janeiro seguiu uma pros meus canadenses, mas quem sai ganhando são os daqui da terrinha, bem mais fáceis de serem  presenteados sempre.

Andei procurando coleções clássicas para os mais velhos. Descobri que muitos exemplares estão esgotados e não foram reeditados, pena! Gostaria que os filhos dos meus filhos lessem histórias que seus pais leram na idade deles. Os clássicos infanto-juvenis são imbatíveis. 

Coleção vagalume



Coleção Para gostar de ler



( Ilustração Victor Nizovtsev-pinterest)

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Uma imagem/ Um conto- junho


Uma imagem/Um conto; roda interativa de junho, proposta pela amiga Norma Emiliano(link), tendo como inspiração as pinturas feitas pelos artistas pintores com pés, mãos e boca.



 

Leo estava abismado fitando toda a imensidão multicor tingindo os céus do grande lago. Movia os olhos com vagareza querendo absorver todo o espetáculo daquele amanhecer fantástico. Arrependia-se de ter resmungado mais cedo, quando o avô o acordara no finzinho da madrugada para irem pescar à beira do lago. Sentia na emoção da beleza estendida a sua frente que todo incômodo ao sair das cobertas quentinhas era agora amplamente recompensado. 






quinta-feira, 3 de junho de 2021

Por um dia na praia


(*)

" Alegria é uma fonte da eternidade que emerge do tempo" disse Rubem Alves, e eu acentuo depressa com exclamação sorridente: sim, a alegria é bênção, é emoção querida que requer convite para fazer morada n'alma. 

Ao renovarmos esses convites a cada manhã estaremos nos nutrindo de graça e leveza, permitindo ao corpo e ao espírito um vigor novo, movimento imperceptível aos olhos , mas sabido aos sentimentos; e_moção= mover-se na ação de sentir a alegria.

Deixemos que ela, a alegria, seja a primeira a nos abrir as janelas do dia e saudar o sol, o céu, a natureza vívida circundada em nossas horas, pois, nas maravilhas da Criação nos fortalecemos nas trilhas da vida.

(*) Pare e veja a foto desta praia do sul e transporte-se para lá nesse dia claro, ensolarado, convidativo à alegria do desfrute dadivoso de um lugar assim, de uma beleza assim, de uma paz assim... 

Te convido a  inspirar-se nesse possível dia na praia criando uma frase ou um mini-conto, ou um haicai, enfim, palavras arrumadas a teu gosto e empolgação registrando-as nos comentários deste post para serem apreciadas por todos(as) que aqui passarem.

Que bom revê-los(as)! 



quarta-feira, 19 de maio de 2021

Águas correntes


...E o rio vai se alargando, dizendo adeus ao mistério das montanhas, chega às planícies, engorda como os homens que moram às suas margens, desaprende as brincadeiras de menino, fica vagaroso, arrasta-se pesado, os homens entram nele com seus barcos, esgotos, e ele suporta tudo sem reclamar, nem sei se guarda memórias da infância...guarde isso: os rios também pensam!

( Rubem Alves)


" as nuvens são do rio

seus calmos pensamentos

que um dia serão rio

 e levarão o suor dos homens

entre claras cantigas

e mãos frescas...

( Heládio Brito)


************** 


Águas correntes, fluindo livres, contornam percalços, encontram passagens, perseveram avante e redesenham os contornos, as margens, os seixos, seu leito... mas, prosseguem revigorando, insistem e renascem continuamente.


Gente querida, farei uma breve pausa por aqui para curtir a família.

 

sábado, 15 de maio de 2021

O primeiro poema a gente não esquece

 


Como no acender de uma luz onde antes havia pouca claridade, senti ressoar nas batidas do coração despertado um assombro a cada degrau que a leitura avançava  par e passo com minhas lembranças de uma certa tarde na meninice trazendo nas mãos o livro novo de páginas reluzentes e sedosas onde moravam poemas ilustrados com perfeição; convite sedutor para meus olhos  ávidos por belezas estampadas  ao alcance das mãos.

Foi meu primeiro livro de poemas, um relicário que trago hoje em memória viva da qual tomei reconhecimento ao ler aquele postado no blog da amiga, Rosélia: flordocampo3. blogspot. 

Minha surpresa ao primeiro verso foi intensa, pois, percebi que naturalmente "ele" transcorria na memória. Fiquei tão iluminada por todos os sentimentos que se reapresentaram naqueles breves  momentos e não contive a emoção: chorei com um sorriso no lábios.

Grata, amiga Rosélia pela chama afetiva que reavivou em mim!


A Fonte e a Flor

( Vicente de Carvalho)


Deixa-me fonte! Dizia 

a flor, tonta de terror.

E a fonte sonora e fria

Cantava, levando a flor.

Deixa-me, deixa-me fonte,

Dizia a flor a chorar:

Eu fui nascida no monte

Não me leves para o mar!

E a fonte rápida e fria

Com um sussurro zombador,

Por sobre a areia corria

Corria, levando a flor

Ai, balanços do meu galho,

Balanços do berço meu.

Ai, claras gotas de orvalho,

Caídas do azul do céu;

Chorava a flor e gemia

Branca, branca de terror

E a fonte sonora e fria

Rolava levando a flor.

Adeus, sombra das ramadas

Cantigas do rouxinol,

Ai, frestas da madrugada,

Doçuras do pôr-do-sol,

Carícias das brisas leves

Que abrem rasgões do luar... 

Fonte, fonte, não me leves,

Não me leves para o mar!

As correntezas da vida

E os restos do meu amor

Resvalam numa descida

Como a da fonte e da flor!




quinta-feira, 13 de maio de 2021

Uma Imagem/Um conto- Maio


Uma Imagem/ Um Conto é a roda interativa de maio proposta pela Norma__ pensandoem familia.com, com tema dado pelos pintores de pés e boca.



 

Beija-flor de bico rajado em meio ao vôo acelerado, contou ao colibri distraído o motivo de sua pressa: "elas abriram suas pétalas!" 

Nas paredes frias, nas beiradas das janelas, elas enchiam de cores o lugar e de cada janela podia-se ver um largo sorriso debruçado sobre as belezas floridas emoldurando a vida.

A passarinhada veio em bando saudar todo aquele encantamento!

************** 




Foi nesta data, há 11 anos, que adentrei devagarinho na Blogosfera e recebi de pronto carinho e atenção desta família virtual que me abraçou  e incentivou todos esses anos sorridentes vividos aqui no Fractais.

Gratidão , amigas e amigos queridos por cada palavra, cada abraço-virtual e real!



domingo, 9 de maio de 2021

Memórias do Maternar



 Puxando o fio condutor, separo os instantes entre as frestas do ontem e do hoje para contornar em cores néon os perfis ressaltados na memória amorosa do maternar. Ouço em alto e bom som, meu terceiro nome ecoar pelos cômodos:__"Manhêê, cadê você?

 " Estou aqui, sempre, sempre, aqui, a teu alcance, a teu chamado!"

Meus dias se contam a partir de teus segundos e são por eles preenchidos entre risos e choros, amuos e contentamentos, ralhas e desculpas, encontros e desencontros tão efervescentes em lufadas, hora quentes, hora frias, perceptíveis, apenas, pelos sentidos aguçados na atenção de teus passos.

"___ Onde você vai? Com quem? Não perca a hora da volta, heim?

"Por que os ponteiros do relógio estão tão lentos?" "Quando quero a hora não passa!" 

Um complô tecido pela ansiedade de saber-te bem, saber-te feliz. Te espero chegar neste crepúsculo friorento duvidosa se levaste agasalho.

Basta a maçaneta girar e te ver entrar sala adentro pra tudo se iluminar e o coração acalmar-se, encher-se de amor dentro do teu abraço.

Passaram- se as horas? Passaram-se os dias? Passaram-se os anos? Nem vi!

O que vejo é tua presença amada, teu rosto querido, tua voz vibrante, teu ser que me confere a mais cara significação da minha vida: Ser mãe!


Muito Obrigada, meus filhos e filhas por vcs serem quem são!






Amigas-mamães da blogosfera, recebam este bouquet cheinho de carinho para todas vcs!

FELIZ DIA DAS MÃES!!

**************** 

O dia, aqui, amanheceu com lindas surpresas! 




sexta-feira, 7 de maio de 2021

Atenção aos detalhes


 São os detalhes que dão o toque surpreendente ao conjunto visto. Natureza, mestra inicial, é perfeita em seus caprichados toques de originalidades por todas as criações. Disse alguém que, a mãe-natureza exerce a verdade com caridade quando encontra-se preservada em sua existência; em tudo que fez-se vida naturalmente pelo decorrer dos tempos repousa sabedoria inata, conhecimentos exemplificados e sublimes.

Neste livro desenhado com exuberância ante nós, lemos sôfregos seus parágrafos, quando deveríamos lê-los pausadamente na atenção para com seus ricos conselhos. Sabermos traduzi-los em nossa linguagem traría-nos receitas do bem viver. 

No exercício constante desta verdade com caridade, aquela que não floreia suas declarações ao expô-las, mas, as suaviza com gotas de bálsamo perfumado, forte o bastante para acender os sentidos e iluminar a razão, desmistifica os volteios da ilusão cotidiana que nos dirige de encontro ao que apenas nos é favorável.   


( Fotos da Ceci)

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Faz-te Árvore



O Chamado das árvores

(Doroty Maclean)


"...Teríamos muito a dar aos seres humanos, se ao menos viessem repousar em nós. Temos um grande poder de cura, para o qual vocês podem se voltar. Somos guardiães da Terra de muitas maneiras e os seres humanos deveriam fazer parte do que temos de proteger." 


" Não somos jovens e ativas; somos, de certa forma, como uma escola de filósofos benevolentes, com pureza não humana e grande desejo de servir à humanidade..."

" Você sabe que o simples pensamento de um ser humanos sobre uma planta é suficiente para estabelecer comunicação com o mundo da natureza? Não é um contato grande nem duradouro, mas, mesmo assim existente..."

******************************   


Faz-te raiz volumosa

estendida e alongada,

temperada na seiva

nutriz ofertada.

Faz-te tronco

em camadas nas 

rugas do tempo,

volteios protetores

das fibras marcadas.

Faz-te galhos fortes

apoio pras folhas,

fonte dos frutos,

chão dos passarinhos.

Faz-te copa frondosa

e farta, esparramada

ao alto e para além,

estendendo sua sombra

 generosa ; renda bordada 

nos ventos das horas.

(Eu)


 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

O passeio da Carolina


Uma imagem/ Um conto 


 A roda em abril, proposta pela amiga Norma do: pensando em família,  traz  imagem de calendário dos pintores com pés e boca motivando a criatividade pela blogosfera. 
                                 Animem-se com as participações! 


Carolina ia saltitante pelo passeio cimentado entre corredores copados pela vegetação, hora densa, hora rala, do bem tratado zoológico de aves em Foz do Iguaçu. De nariz pra cima ia entusiasmada com cada espécie que via. Queria dividir sua pipoca com todos que se aproximavam da tela protetora, sendo constantemente impedida por sua mãe. 

Em dado momento soltou-se das mãos maternas e saiu em corrida pelo passeio protegido, mas, eis que após uma curva sinuosa se depara com uma ave solta apoiada na corrimão de madeira que circunda todo o local. Estancou seu passo, e com receio  corajoso foi se aproximando devagarinho daquela ave que a fitava altiva. Tinha um colorido extraordinário, quase fulgurante. E o bico? Longo, de cores ainda mais brilhantes que as penas, reluzia sob a luz do sol daquela tarde clara.  

Cheia da impetuosidade infantil, foi chegando perto para tocar naquele ser impressionante, mas , antes do ato ouviu o grito de sua mãe preocupada. Recolheu as mãos, mas não o olhar e, ficou ali pertinho, mirando aquela lindeza da natureza. 

O tucano percebeu o sentimento da criança e sem se perturbar, devolveu-lhe um olhar tão carinhoso quanto havia recebido. Foi aí que deu-se um fato incomum. Vendo a menina ser levada pela mãe para adiante, a ave seguiu-a mudando de pouso em pouso ao longo do passeio como a lhe guiar pelas outras belezas do parque.



( Araras do Parque)


sexta-feira, 16 de abril de 2021

No correr dos dias


" No novo tempo
Apesar dos castigos
Estamos crescidos
Estamos atentos
Estamos mais vivos
Pra nos socorrer..."
(*)

Dia após dia, nos reinventamos com empenho.
Dia após dia redesenhamos os passos,
criamos alegrias, criamos motivos
que nos movam e sustentem.




Para deleite das horas pequenas faço um chá tépido deitado em aromas. Uma mistura doce e animadora. Boa companhia em meio a tarde que desce suas luzes.


Junte em uma leiteira( ou panelinha)
1 rolo de canela
1 punhadinho de cravo da Índia
1/2 maçã picada com casca
Deixe ferver por 3 minutos.

Há muitos benefícios da canela e do cravo, mas, o mais apreciado é o sabor de aconchego.


Canção do dia de sempre
( Quintana)

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
como estas nuvens no céu. 

 E só ganhar toda vida
Inexperiência... esperança...
e a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
é sempre outro rio a passar
Nada jamais continua.
Tudo vai recomeçar. 

E sem nenhuma lembrança
 das outras vezes perdidas...
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas!


(*) Trecho da música: Novo Tempo- Ivan Lins


sexta-feira, 2 de abril de 2021

Traduções




 Nos passeios em meio à natureza somos absorvidos pela grandeza da Criação. Alguns sabem traduzi-la em poemas, em dizeres, em pinturas , em emoções... Traduções tão intensas, todas circundantes em belezas tocadas pelo visto e profundamente sentido. 


"O ato de ver é uma oração. O místico não se encontra no invisível. O místico se encontra no visível. O visível é o espelho onde Deus aparece refletido sob forma de beleza. Deus é um esteta. Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado."

(Rubem Alves)  


Sou testemunha dos fios oníricos que tecem os tecidos das belas palavras em todas as formas em que se apresentam. É bálsamo experimentar-se a tessitura habitada nos(as) poetas, nos(as) romancistas, nos(as) teatrólogos que ao contarem de si,  assim, contam também de nós. 


" Toda alma é uma música que se toca. Quis muito ser pianista. Fracassei. Não tinha talento. Mas, descobri que posso fazer música com palavras. Assim, toco a minha música... Outras pessoas, ouvindo a minha música, podem sentir sua carne reverberando como um instrumento musical. Quando isso acontece, sei que não estou só. Se alguém, lendo o que escrevo, sente um movimento na alma, é porque somos iguais. A poesia revela comunhão."

(Rubem Alves)

Rubem me traduz fidedignamente!


( Rafael-5anos)

Uma Feliz e Abençoada Páscoa para todos vcs!