sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Reconhecimento





 Ao olhar, mais que ver, sentir a pertença àquele lugar, é graça, é completude próxima de um arrebatamento que dispensa explicação. Todo sentimento despertado lampeja em fração de segundos, despeja uma certeza até então desconhecida e traz à vista o quê fala a sensação.

De onde surgiu essa voz que só a mim é audível? Como essa vibração acelerou meu pulso, meu passo distraído, minha intuição? Serão visões do passado? Serão lembranças de alguém? Serão histórias lidas ou não?

Parei de indagar, afinal, de que me serve saber para além do fundamental que me diz pleno de convicção que:

 ___Sim, reconhece-te nesta plaga. Faz-te parte das folhas, das copas, do vento. Vista-se das gramíneas. Banhe-se na luz esmiuçada nos troncos. Abrace a paz estendida em mesa farta e saboreie a grandeza da criação. 

~~~~~~~~~~~


 Canção do Caminho

( Cecília Meireles) 


Por aqui vou sem programa, sem rumo, 

sem nenhum itinerário.

O destino de quem ama é vário,

Como o trajeto do fumo. 


Minha canção vai comigo.

Vai doce.

Tão sereno é seu compasso,

que penso em ti , meu amigo.

Se fosse invés da canção,

Teu braço. 


Ah, mas logo ali adiante,

___Tão perto,

acaba-se a terra bela.

para este pequeno instante,

decerto,

é melhor ir só com ela. 


(Isto são coisas que digo, 

que invento,

Para achar a vida boa...

 A canção que vai comigo

é a forma de esquecimento

do sonho sonhado à toa.)


sábado, 2 de outubro de 2021

Memórias têm sono leve



Foi fácil deixar-me conduzir por teus passos ao ritmo cadenciado ecoando pelo salão belamente decorado para a data. O maestro não comandava somente os músicos, mas também a nós, casais encantados pelas melodias emblemáticas, ali apresentadas.

Foi fácil deslizar pelo salão segura em teus braços em passos marcados por volteios conhecidos guiados aos ritmos dolentes que fazem morada no corpo, que desatam o sorriso dando corda num relógio sem ponteiros. 

Foi fácil acompanhar os compassos de Vansolini, de Vinicius e Tom, de Menescal e Bôscoli e tantos mais mestres de mágicas composições do nosso cancioneiro. Foi fácil e emocionante todas as vezes que pudemos desfrutar destes momentos.

" Hoje, eu rondo a cidade a lhe procurar, sem encontrar..." canta, nesta manhã o afinado artista na pracinha local em meio à feirinha de variedades reinaugurada. Minha alegria instalada embaralhava os sentimentos despertados pela volta da atração antiga e pela música que estava sendo entoada.

Entre surpresa, agradecida e saudosa, eu cantei, dancei sozinha e embalei as boas saudades que moram em mim. Não foi fácil... 


sábado, 25 de setembro de 2021

Acontecimentos



Aconteceu bem ali

por caminhos, veredas

salpicadas no verde maior,

recosto das singelezas

floridas pela ramagem,

 vaidosas entre  folhagens,

donas daquele chão;

longe das apressadas

gentes sem  direção.

Puseram-se a tagarelar

exibindo seus aromas,

atraindo pares de asas

delirantes e afoitas,

embriagadas da magia

da crescente sedução.

Com o riso abafado

deixavam-se sorver

em delírio adocicado.

E por todo lado via-se

faina agitada, alarido

em festivo banquete

pelas iguarias variadas

sorvidas nas floradas.

Tudo assim se deu,

bem ali, aconteceu!

 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Boas vindas à nova estação


 Saber quantas flores cabem num ramo importa bem menos do que apreciar-se a beleza ali contida: a exuberância das cores, a sutileza das formas, a harmonia disposta, o impacto do conjunto. Tudo que ali mora ressalta a distinção de cada flor e também sua integração no ramo coletivo.

Pois eis chegada a primavera! Por aqui, por ali, por acolá muitos ramos se apresentam floridos em saudação à estação que nos chega. 

Por caminhos bem cuidados em floridas publicações temos muitas belezas comemorando a nova estação.


Diadema Floral espalhando poesia e delicadezas enlaçadas em painel caprichado feito pela amiga Rosélia no seu:  flordocampo3.blogspot.com 

Também encontramos curiosidades primaveris coletadas pela amiga Verena, em seu: bichinhos amados.blogspot.com

Outra linda exposição nos traz a amiga Chica, em seu: colorindonossosdias.blogspot.com 

Uma excursão imperdível ofertada pela amiga Lena, em seu: enkantosdalena.blogspot.com

E, para não dizer que fui redundante, convido-lhes a visitarem as lindas fotos outonais da Ailime, em seu: ailime-sinais.blogspot.com


Se fosse continuar garimpando esta lista seria quilométrica, então, paro por aqui   ( desculpando-me com as faltas sentidas) esperando ter-lhes aguçado a curiosidade em visitar estes lindos recantos primaveris.

 

Assim enxergo a Blogosfera!

FELIZ PRIMAVERA PARA VOCÊS! 



terça-feira, 14 de setembro de 2021

Voando pelo sul


 Passo ante passo
na superfície do chão, 
passo suspenso
no vazio, imensidão;
olhos abertos, 
céu e vão,
espaço escalado
por ventos nos verdes,
na pedra edifício
gigante paredão.
Olhos abertos,
calma visão. 



 

Pois então, fui logo ali , fazer um vôo curto. Foi ousado ou como diz o nome da atração: abusado. Gostei! A vista é de tirar o fôlego na Skyglass. Um vale verdejante circundando o rio frenético em suas corredeiras riscando o chão. Beleza de par a par, de cima a baixo, de todo lado, por todo lugar. Um passeio lindo, divertido e ultra agradável em Canela; ainda mais sensacional porque estava com minha família amada. 
Dias de muitas alegrias! 



Chegando no meu cantinho constato que tenho um pc temperamental. Já deu pane há 2 meses, sem que fosse encontrada nenhuma causa grave. Voltou no ritmo normal. Domingo passado fez greve. Não ligava de jeito nenhum. Tentei os truques que me ensinaram e nada. Hoje me rendi. Chamei o técnico pela manhã. Só poderia vir à noite. Fiz há pouco mais uma tentativa e, Shazan... o danado ligou.
Acho que passo por biruta na opinião do técnico,kkkkkkk





quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O dom das palavras


 Ponto de partida e também de chegada: as palavras ditas, 

escritas, lidas, gravadas...

Extensões proferidas ou caladas, 

 são sempre o traço que nos desenha 

os contornos e a essência.

Levam em seu arcabouço 

cada intento significante e significado.


AMOR_ desejo que seja semente perene de flor.

CAFÉ_ desejo que expanda o sabor das boas companhias.

ROSCA_ desejo que dissolva todo amargor acontecido.

BISCOITO_ desejo que reacenda o sabor da infância.

SAÚDE_ desejo que esteja sempre presente nos dias.

CHOCOLATE_ desejo que adoce as horas memoráveis. 

~~~~~~~~~~~~~~~


Enfeitando a tarde de hoje chegou esse presente surpresa agradavelmente carinhoso. O livro da amiga Rosélia( idade-espiritual.com.br).                   Obrigada, querida Rosélia.

Sorridente e agradecida irei passear pelas páginas amorosas aqui contidas. Ao final trarei as fotos-palavras do passeio proporcionado pela leitura. 


Gente bonita, o blog entrará em pausa. Vou ali curtir filha e netos e já volto. Bjssss... 



( pinterest_ Vania Lian)


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Quantos nomes você tem?


 " Maria Madalena dos Anzóis Pereira
Teu beijo tem aroma de botões de laranjeira
Mas a Pretoria não é brincadeira
Maria Madalena dos Anzóis Pereira..." 

Em 1942, o compositor Pedro Caetano estava numa festinha em casa de parentes e uma menina lhe pediu para "fazer" uma música. Embora não gostasse de compor assim, Pedro animou-se ao saber que a garota se chamava Maria Madalena de Assunção Pereira, um nome tão musical que tinha até ritmo de chorinho.

Nomes sonoros já inspiraram poetas e compositores em todo o mundo e, para além dos nomes próprios ainda chovem inspirações vindas de apelidos muitas vezes bizarros. Quando o mote faz nascer peças bonitas, a referência está mais que consagrada.

Nosso cancioneiro é um manancial de belas criações inspiradas em nomes próprios e/ou apelidos mimosos( referindo-me às décadas antes da virada do século). É intrínseco à humanidade nomear-se tudo e todos e até ultrapassar quantidades para uma única pessoa.

Quantos nomes(apelidos) temos? Somos filhas/filhos, netos/netas, sobrinhos/sobrinhas, pais/mães, avós...somos nós na lista de chamada escolar, nos documentos oficiais, no chamamento dos amigos(as), nos apelidos em família, no curriculum, no trabalho, somos nós mesmos que atendemos aos chamados que nos conferem a multiplicidade dos nossos papéis na vida. 

Eu sou Carmen Luiza. Sou também, Carminha. Sou Calu; todas sou eu, a mesma, mas com muitos nomes carinhosos.



segunda-feira, 23 de agosto de 2021

BC_ Meu olhar na pandemia


Celebrar é preciso, mais que nunca, é preciso e, as rodas interativas na blogosfera consagram festivas celebrações.

 PARABÉNS, amiga Rosélia por 12 anos do blog: idade-espiritual.com.br, página promotora de alimentos pra alma.

*********

Quando foi que se dissolveram as horas conhecidas? 

Quando foi que se reviraram nas horas as certezas antigas?

Quando aconteceu o redemoinho que tomou os ares

lugares, sentidos, viveres?

Quando foi que as portas trancaram-se por dentro

assumindo papel de barreira?

Quando foi que os sorrisos ficaram escondidos?

Quando os olhares se entristeceram por igual?

Quando o medo tornou-se companheiro?

Quando o outro virou ameaça?

Quando o desejo foi adiado, isolado, embaçado?

Quando? Está marcado no calendário,

tatuado na pele da memória,

gravado a ferro em brasa...

******


É diante da perplexidade que se constrói uma nova realidade! 


" Escondo o medo e avanço. Devagar. 

Ainda não é o fim. É bom andar mesmo de pernas bambas...

( Thiago de Mello)



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

"Coloque floreiras na janela"


 Caminha agosto, às vezes vagarosamente, às vezes aceleradamente, porém, segue agosto trazendo a cada dia suas horas avoantes.


"O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações. Vamos apreciar agosto, recebê-lo com espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras. Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela. Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!"

( Miryan Lucy de Resende)


Li, pela primeira vez o texto acima ao recebê-lo como mensagem enviada pela minha prima querida no dia 15, meu aniversário. Isto foi em 2018 e de lá pra cá vejo-o reaparecer a cada agosto pelas mídias sociais, tornando-se uma legenda configurando o mês e movendo as atenções à sabedoria da mãe-natureza em suas inúmeras significações.

Na bela prosa-poética da autora cabem as nuances acontecidas nos dias de todos os agostos.


segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Recordar o que há de bom - 12 anos/Pensando em família


 Hoje é o dia da celebração pelo aniversário do blog da querida Norma Emiliano, que nos convidou para a festa com o tema: Recordar.

Deixo meus Parabéns e votos de vida longa ao Pensando em Família, pouso de tantas reflexões e poemas que nos trazem lindas leituras. 


Recordar é abrir o relicário das saudades que repousadas nas esquinas da memória afetiva aguardam o bimbalar do chamado do coração para voltarem à cena dos bons sentimentos.

Mais que nunca, vejo o quanto as boas lembranças me são nutrição revigorante no correr dos dias e nelas reflito os ecos das horas felizes, como as que passamos no Natal/2019, quando grande parte da minha família e a de meu genro, desfrutou das celebrações da data com enorme alegria. Bem verdade que faltou meu povo do Canadá, mas, mesmo assim, as comemorações ficaram gravadas no sorriso de cada um.


O álbum familiar tem inúmeras páginas a nos renovarem as esperanças de dias iguais àquele e a outros de tempos bem vividos no afeto e na graça de estarmos juntos muitas vezes mais e mais...



Como prévia de momentos agigantados no tempo e nos encontros que logo, logo surgirão, celebramos ontem o domingo dos Pais.

Tenho aprimorado a percepção sobre a importância dos bons momentos e do quanto devemos valorizá-los e aproveitá-los sem adiamentos.

Hoje é o presente!


sábado, 31 de julho de 2021

" O barquinho vai/a tardinha cai"




Vou falar do frio... não; vou destacar os dias azuis intensos, claros e luminosos que têm feito por aqui.
Não fosse o ar gelado( ih, falei...) seriam de uma perfeição magistral.
Me sinto revigorada ao desfrutar dias assim e, entre um click e outro, registrei  na paisagem este barquinho branco contrastando com o cinza do Pão de Açúcar. Linda visão que me lembrou a célebre música da Bossa Nova: "O Barquinho", de Menescal e Bôscoli, gravada por inúmeros cantores(as) daqui e de fora.
Embora minha foto seja pífia de resolução, fechem os olhos e cantem com os experts da boa música mostrada no vídeo abaixo.




História original da composição " O Barquinho"( CBN- Campinas)

Um clássico da MPB  já  regravado por vários artistas  foi  inspirado em uma situação que correu  sério risco de ser a  notícia de uma tragédia, quando um barco ficou a deriva em alto mar durante todo a dia.

O episódio aconteceu  com  Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli  que tiraram o dia para um  passeio  em alto mar  com os amigos e um problema mecânico no barco os deixaram à deriva  e  no final da tarde quando foram rebocados de volta ao porto a inspiração pra compor surgiu.

A  prosaica cena inspirou    Roberto Menescal e Ronado Bôscoli na canção  O barquinho  lançada no inicio de 1960  que se tornaria  um símbolo da Bossa Nova.



segunda-feira, 26 de julho de 2021

" A última carta de amor"

*
Sob efeito da leveza do filme que assisti ontem, me animei a trazer esta dica  aqui na blogosfera.

Sou do time água-com-açúcar declarada. Quero ver bonitezas, levezas e gentilezas, assim mesmo, rimadas de preferência. Como acredito que nossas aspirações são ímãs atrativos, encontrei na netflix um destes exemplares: " A última carta de amor", inspirado no livro da escritora Jojo Moyes. 

Gostei de tudo, do roteiro à ambientação. Uma história do passado que é descoberta no presente; só por isso já me cativou. Adoro estas tramas que o tempo mostra e esconde. Sou fã de carteirinha, afinal, meu livro transcorre nestes trilhos.


Para além de tudo que descrevi acima, cabe destacar meu assombro pelas coadjuvantes cartas de amor. Sabendo que foram traduzidas em legenda e, mesmo assim, conservando uma narrativa expressiva em nossa língua materna. Cada uma delas lida nas cenas, traz tamanha gentileza romântica que só me lembro de ter visto parecida no "Os sofrimentos do jovem Werther"( romance epistolar). 

Nas cartas condutoras da trama, encontram-se declarações de amor profundo carregadas de sublimidade ante a realidade. Enternecedoras!

Fiquei saudosa deste tempo em que se escreviam cartas de amor.


*pinterest/artesdalivia

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Coisas Boas da Vida



    As Boas Coisas da Vida 

( Rubem Braga)

Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as " dez coisas que fazem a vida valer a pena", sem pensar demasiado, fiz esta pequena lista:

_ Esbarrar às vezes, com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.

_ Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes. E acontecem.

_ Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem pra seu lado e, de repente, dar um chute perfeito_ e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.

_ Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

_ Aquele momento em que você sente que de um grande amor ficou uma grande amizade_ ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

_Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne...

_ Viajar, partir...

_ Voltar...

******* 

 O brilhante Rubem Braga, desfila suas preferências ( pontualmente masculinas) nesta crônica bem-humorada. Pra mim, excetuando o " bate-bola e a aflição de espírito ", todos os demais ítens figuram na minha lista. 

Por propósito, suprimi os dois últimos ítens que fecham a crônica para assim ousar me aliar ao grande escritor assinalando-os na minha lista preferencial.

A saber: 

_ Desfrutar a vida em família, em horas crescentes de risos e afetos.

_ Flanar por lugares novos e antigos sem preocupações tendo apenas a tranquilidade segura na rotina dos dias.




domingo, 11 de julho de 2021

Semana Nova- Fé Renovada








Dia novo. Semana nova. 
Abraço as horas com ânimo renascido na esperança do melhor a acontecer para todas as pessoas. 
Abraço as horas com fé na alegria que existe nas belezas naturais.
Abraço as horas com entusiasmo habitado nos afetos, nos netos, na família, nos amigos(as).
Abraço as horas com sorriso franco e perseverante para a vida que transcorre.
Abraço as horas , que me são dádivas e bênçãos.
Abraço as horas com toda pujança pelas maravilhas que nelas se movem.


Começo cantando. 
Cantem comigo a canção que exalta o bom que há na vida.
Caminhos do Coração- Gonzaguinha 


                                 Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
É tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

Feliz semana para todos vcs!

terça-feira, 6 de julho de 2021

A borboleta amarela


(*)

 Não combinamos de antemão, mas íamos cadenciadas como se houvesse uma melodia só audível para nós duas. Eu avançava em passo lento e ela ia à minha frente dando volteios graciosos, hora próximos, hora distantes. Parecia estar comemorando o novíssimo par de asas. Por vezes, achei que ela só se aproximara para dar um gentil cumprimento pela companhia na caminhada e tomaria seu rumo pra longe dali, mas, logo em seguida ela voltava pro meu lado e continuávamos  o passeio. 

Fomos nós duas pela calçada ladeada ao mar, sorvendo a brisa que o dia azul proporcionava, guardando nos olhos as cores e na alma as sutilezas deste encontro fortuito para nós.

Minha delicada companheira prosseguiu comigo até chegarmos a uma rala touceira de pequeninas flores na beira da areia. Ali ela acenou e partiu para novas explorações.

Fiquei presa ao encantamento e às nuances despertas pela boa companhia em sua singular existência fugaz e bela, fato que acendeu em mim a forte conexão com os tempos restritivos; "sou como uma crisálida em  terceiro estágio de preparação, mal contendo a ansiedade de romper o casulo, abrir as asas novinhas e voar..." 


(*( goaway-tumblr)



sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ainda ontem...


 Time vencedor do torneio semanal posando pra foto "oficial" após o jogo. É o Atlético Junior, time de bambas da bola. Sempre classificado entre os cinco primeiros dos torneios de futebol de salão da AABB- Brasília.

Aí , na foto de 1989, todos amigos do peito e da bola. Levavam a sério suas posições no time. Tão dedicados eram, que todo domingo tocavam o interfone às 7:30h,  chamando o treinador param irem ao clube onde aconteceria a peleja. Todos arrumadinhos em seus uniformes de atletas consagrados fazendo algazarra. 

O meu centro-avante é o segundo de pé da direita para esquerda. Vivia perseguido pelo time adversário , o que me fez deixar de assistir aos jogos. Mãe é Mãe!

Hoje aniversaria meu atleta que não é mais mirim. Filho amado, pai de dois filhos lindos, mora no Canadá  e me abarrota de saudades. 

Parabéns, Pedro! Toda Felicidade te acompanhe!



sábado, 26 de junho de 2021

Registros artísticos

 Tradições e Artes 

"A natureza é bela quando tem o aspecto de uma obra de arte. A arte, por sua vez, não pode ser chamada de bela senão quando, deixando-nos conscientes de que é Arte, oferece-nos, entretanto, o aspecto da natureza..."( Kant-citado por Suassuna)


Somos natureza nas belezas que provocamos, nos sentimentos que revelamos.

Anita Malfatti _ Festa no Interior



Alberto Guignard- Balões



Festa de São João/ Heitor dos Prazeres



Festa de São João/ Alfredo Volpi-1940




Grande fachada festiva/ Alfredo Volpi-1950




:* Biblioteca Virtual_Estado de São Paulo

(Seleção e organização_ Festas juninas_ Centro Cultural Delfos/ Fundação Edson Queiroz))

segunda-feira, 21 de junho de 2021

" Todos são poetas na praça "


Em meio ao clima que envolve os dias de junho/julho , vamos nos nutrindo das boas memórias trazidas nas festas populares de nosso riquíssimo folclore.

Para cada região desta terra brasileira há inúmeras manifestações da alma do povo festeiro por excelência. Onde quer se ande nos diferentes rincões encontra-se tantas belezas, tantas comemorações a nos fazer mais convictos das nossas raízes multiplicadas em lindas manifestações que nos conferem o emblema.

Ontem, tive a enorme satisfação de participar na live do poeta/cantador Manoel Herculano. Em uma hora de boa conversa, muito riso e pró-esia, visitamos lugares de extrema beleza.

Fazendo a roda girar, trago os entendidos sobre essa arte:   

Na visão de Orlando Tejo, no livro" Zé Limeira, poeta do absurdo", está sintetizado o que vem a ser um cantador: Os cantadores constituem imensa legião de homens que amam, sonham, sofrem e brincam de viver no mundo;pescando estrelas, caçando ilusões, plantando tardes, colhendo auroras, levando sua imagem sutil e profunda, tímida e vigorosa ao povo ávido de poesia que os ouve embevecido. 

Na visão de Luís Câmara Cascudo, que dedicou a maior parte de sua vida ao folclore brasileiro, define assim um cantador: Representantes legítimos de todos os bardos e menestréis da história.

Guilherme Neto, conceitua: são cantores populares, poetas geniais e versejadores do sertão.

Todos são Poetas na Praça

( Manoel Herculano)

Meus senhores e senhoras

Poemas de todas as horas

Podem entrar que a casa é sua

Estamos no olho da rua,

Mas, se a praça é do povo

Vamos voltar lá de novo.

Beber poesia na taça.

Todos são poetas na praça.


Eu vim de lá bem grandinho

Sem essa de dar jeitinho

Entro e saio sem arranhão

Sou ilha e mar, sou Maranhão.

A minha prosa acontece

Quando um verso o outro tece

E transbordam peito e taça.

Todos são poetas na praça[...] 

             

O registro da live está gravado no Instagram do poeta.


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Não deixo a saudade assentar



(*)

 E lá vamos pelo meio de junho. Olho no movimento das calçadas procurando ver as crianças fantasiadas de caipira, e nada. Não tem bandeirinhas na frente das escolas. Não tem festa anunciada. Não tem cheiro de canjica no ar.                    Ô saudade arretada!

Mas, não adianta na saudade morar. 

O jeito é improvisar uma mesa modesta, 

Fazer algumas gulodices, comemorar.

 O jeito é dar vida a cada momento, 

 É desafiar as ausências,

 É persistir sem desanimar.

Ouvir aquelas canções que nos trazem as comemorações das datas juninas e dançar, sozinha, cantando desafinado , mas seguindo o ritmo sem perder o rebolado. Fiquei mais inspirada depois de ter lido e ouvido lá na Beth Lilás            ( Me and You.blogspot), uma postagem linda em 1ºde junho sobre a história da valsa Rosa/letra e música, um clássico de todos os tempos do cancioneiro popular. 

O novo conhecimento me despertou ainda mais curiosidade sobre outras histórias por detrás das músicas e até rendeu um livro novo: 

"A onda que se ergueu no mar", Ruy Castro. 

De história em história das canções e da minha própria lista de favoritas, trouxe aqui só a letra, pois sou atrapalhada para postar vídeos( nunca dá certo, rsrsrs)


Embarquem no Táxi Lunar...

"... Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Bela  linda criatura, bonita

 nem menina, nem mulher

Tem espelho no seu rosto de neve

Nem menina, nem mulher.

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Pela sua cabeleira vermelha

 pelos raios desse sol lilás,

Pelo fogo do seu corpo, centelha.

Pelos raios desse sol;

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar..."

( Zé Ramalho) 

(*) Pinterest-arte naif/Daniel Salvador)



domingo, 13 de junho de 2021

Meus garimpos


(*)

Tenho me empenhado em dobrar as horas do dia. Um espanto, isso! Afinal, temos tido mais tempo do que  esperávamos  nestes últimos 16 longos meses. Não sei responder a isso com uma lógica perfeita. O que constato é, que ainda me falta tempo hábil( de repente, sou inábil).

Mas, voltando ao rumo desta conversa originada pelos meus interesses em leitura e escrita extensivos para o infinito e além(rsrssr); pois sim, vivendo a abençoada multiplicidade dos papéis da vida, ser avó insere outras tantas atuações. Me dedico também a acompanhar os interesses dos netos nesta seara. Uns mais propensos. Outros mais arredios, mas, ninguém fica de fora.

Cada papo em vídeo-chamada vai sendo levado para qual o livro-história da vez. E o assunto rola fácil, fica animado, fica até reflexivo. O mais velho já lê Harry Potter em inglês( um luxo só), os menores já estão ficando mais seletivos e avançando em leituras mais substanciosas.

De quando em quando envio livros novos pra todos os seis, cada exemplar escolhido no interesse de cada um. Amanhã, mesmo, farei nova remessa lá para meus gaúchos. Em janeiro seguiu uma pros meus canadenses, mas quem sai ganhando são os daqui da terrinha, bem mais fáceis de serem  presenteados sempre.

Andei procurando coleções clássicas para os mais velhos. Descobri que muitos exemplares estão esgotados e não foram reeditados, pena! Gostaria que os filhos dos meus filhos lessem histórias que seus pais leram na idade deles. Os clássicos infanto-juvenis são imbatíveis. 

Coleção vagalume



Coleção Para gostar de ler



( Ilustração Victor Nizovtsev-pinterest)

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Uma imagem/ Um conto- junho


Uma imagem/Um conto; roda interativa de junho, proposta pela amiga Norma Emiliano(link), tendo como inspiração as pinturas feitas pelos artistas pintores com pés, mãos e boca.



 

Leo estava abismado fitando toda a imensidão multicor tingindo os céus do grande lago. Movia os olhos com vagareza querendo absorver todo o espetáculo daquele amanhecer fantástico. Arrependia-se de ter resmungado mais cedo, quando o avô o acordara no finzinho da madrugada para irem pescar à beira do lago. Sentia na emoção da beleza estendida a sua frente que todo incômodo ao sair das cobertas quentinhas era agora amplamente recompensado. 






quinta-feira, 3 de junho de 2021

Por um dia na praia


(*)

" Alegria é uma fonte da eternidade que emerge do tempo" disse Rubem Alves, e eu acentuo depressa com exclamação sorridente: sim, a alegria é bênção, é emoção querida que requer convite para fazer morada n'alma. 

Ao renovarmos esses convites a cada manhã estaremos nos nutrindo de graça e leveza, permitindo ao corpo e ao espírito um vigor novo, movimento imperceptível aos olhos , mas sabido aos sentimentos; e_moção= mover-se na ação de sentir a alegria.

Deixemos que ela, a alegria, seja a primeira a nos abrir as janelas do dia e saudar o sol, o céu, a natureza vívida circundada em nossas horas, pois, nas maravilhas da Criação nos fortalecemos nas trilhas da vida.

(*) Pare e veja a foto desta praia do sul e transporte-se para lá nesse dia claro, ensolarado, convidativo à alegria do desfrute dadivoso de um lugar assim, de uma beleza assim, de uma paz assim... 

Te convido a  inspirar-se nesse possível dia na praia criando uma frase ou um mini-conto, ou um haicai, enfim, palavras arrumadas a teu gosto e empolgação registrando-as nos comentários deste post para serem apreciadas por todos(as) que aqui passarem.

Que bom revê-los(as)! 



quarta-feira, 19 de maio de 2021

Águas correntes


...E o rio vai se alargando, dizendo adeus ao mistério das montanhas, chega às planícies, engorda como os homens que moram às suas margens, desaprende as brincadeiras de menino, fica vagaroso, arrasta-se pesado, os homens entram nele com seus barcos, esgotos, e ele suporta tudo sem reclamar, nem sei se guarda memórias da infância...guarde isso: os rios também pensam!

( Rubem Alves)


" as nuvens são do rio

seus calmos pensamentos

que um dia serão rio

 e levarão o suor dos homens

entre claras cantigas

e mãos frescas...

( Heládio Brito)


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Águas correntes, fluindo livres, contornam percalços, encontram passagens, perseveram avante e redesenham os contornos, as margens, os seixos, seu leito... mas, prosseguem revigorando, insistem e renascem continuamente.


Gente querida, farei uma breve pausa por aqui para curtir a família.