quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Considerações


 Quando a alma está serena, o vento pode soprar, o céu pode escurecer, mas dentro de você continuará existindo luz.

A verdadeira força não está em evitar as lutas, mas em manter o coração em paz enquanto elas acontecem.

( Kalil Gibran



Pequenos segredos me foram sendo contados a conta-gotas ao longo da vida. Claro, que não me lembro de todos, mas acredito que alguns com marcada importância se incorporaram aos meus hábitos e configuraram posturas já cristalizadas. 

Só de citar de que se trata de um segredo, a curiosidade natural toma corpo e acende a atenção.Assim o fiz quando ouvi: 

" Olhe para as luzes do entardecer e guarde-as no coração!"

Creio que tudo que nosso olhar traduz em emoção, encantamento, tem mesmo de ser guardado com carinho no coração ( memória afetiva) para figurar no acervo das boas lembranças, dos risos acontecidos, da ternura compartilhada...   

Uma doce lembrança pode salvar um dia cinzento e ser ponte para outras que seguindo-se a ela trarão um sorriso aberto no rosto e n`alma. 

Tudo que a memória amou já ficou eterno!

( Adélia Prado

Amo o amor encantado

Que moldura o vivido,

Dá brilho aos saberes

Do bem acontecido.


Consciência desse amor

me perfaz no desenho

pelas linhas cruzadas

       por destino ou engenho.   


E no amor acredito,

no amor vivo e sinto

com alma absoluta

e propósito lindo. 


sábado, 21 de fevereiro de 2026

Breve Instante





Breve Instante


 Antes das estrelas se cruzarem

Dando moldura ao instante,

Um olhar curioso se lançou

Naquele encontro radiante.


Nada garantia a permanência,

Nada confirmava um início,

Tudo concorria para o sempre,

Tudo se dizia num princípio.



O vento parou seu passeio,

o sol estancou de repente,

o ar sustentou os efeitos da

 troca de olhares pungentes. 


Como  perfeita pintura,

a cena se eternizou no

vão entre dois olhares

que o entorno festejou. 


Se houve o segundo ato,

Se houve celebração,

não se faz a certeza,

mas, ficou a emoção. 



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Vejo a chuca cair



 "Muitas perguntas que afundas de respostas

Não afastam minhas dúvidas, me afogo longe de mim

Não me salvo porque não me acho, não me acalmo porque não me vejo,

Percebo até, mas desaconselho...

Espero a chuva cair, na minha casa, no meu rosto, nas minhas costas largas

Que afagas enquanto durmo...

Enquanto durmo... "

( Zélia Duncan- Enquanto durmo/ trecho-da-música)



Vejo além da tua gota

sinto o frio deste ar,

Se me alongo, te toco,

se me escondo...

não podes me tocar. 


Transpareces sobre mim.

Me salpicas de umidade

Como a me convidar

a ser tua paridade. 


Vertes com elegância

sobre todo calçamento.

Cai o teu véu cobrindo

Todo meu pensamento. 


Fazes filetes ligeiros

a conduzir os caminhos.

Lavas, regas, choras,

as mazelas do destino. 




sábado, 31 de janeiro de 2026

Linhas na vida





Já desenhadas na gestão da rama, na sequência natural do despontar, foram as linhas abrindo um leque de verde intenso a dar-se ao sol, exibindo textura fresca, vida nova em todo lugar.



O balé murmurado ao marear na praia traceja desenvolto linhas ao seu passar como pintura impressionista 
feita por mãos mestras a riscar a areia molhada, fazendo arabescos ao mar. 



Sem intenção dita, vai o tecido alongando suavidade ao fincar as linhas nascidas do manusear. Dobras alinham cores, mostram matizes, misturam os tons sugerindo multiplicidades. 



Antes, a escrita solta na página mostrava a desordem no grafar. Ao convite do alinhamento, a folha em branco ganhou método ordenado, favoreceu o deslizar das ideias pelas linhas generosas. 


De muitas formas, de muitos jeitos, linhas se dão ao efeito de criar. 

Enlaçam, amarram, tecem, suportam, sustentam, demarcam, constroem, medem...manejam o desenhar. 



Mesmo sendo apenas desenhadas, elas ( as linhas) educam os espaços e os seres que por elas passam.

Algumas vezes, são vilmente desrespeitadas e essa ação tem consequências nefastas. 



Que nenhuma Linha da Vida seja interrompida cruelmente!




domingo, 25 de janeiro de 2026

BC- Botando a cabeça para funcionar - Lampião antigo


BC- Botando a cabeça para funcionar, promovida pela amiga, Chica, nos dias 5/15/25 de cada mês,em seu blog: sementesdachica.blogspot.com


 


Lampião antigo


Coro de passarinhos

abrindo a nova manhã

acorda  todos vizinhos

para começarem o afã.


Na ruazinha antiga

ainda sob a luz tênue

do fiel lampião suspenso

cantam pedras do calçamento.


Tudo se queda pacato

naquele recanto cuidado

da ruazinha antiga com

 murmúrios e resguardos.


Quantas histórias ali vão

empilhadas pelas vidas

de todos seus moradores

em suas casas erguidas. 


Distinto relicário contido

nas dobras de um tempo

lento, preservado e antigo

a soltar memórias no vento. 


A cada entardecer chegado

vai-se aquietando o dia.

Dorme a ruazinha antiga

onde o lampião vigia.