sábado, 31 de julho de 2021

" O barquinho vai/a tardinha cai"




Vou falar do frio... não; vou destacar os dias azuis intensos, claros e luminosos que têm feito por aqui.
Não fosse o ar gelado( ih, falei...) seriam de uma perfeição magistral.
Me sinto revigorada ao desfrutar dias assim e, entre um click e outro, registrei  na paisagem este barquinho branco contrastando com o cinza do Pão de Açúcar. Linda visão que me lembrou a célebre música da Bossa Nova: "O Barquinho", de Menescal e Bôscoli, gravada por inúmeros cantores(as) daqui e de fora.
Embora minha foto seja pífia de resolução, fechem os olhos e cantem com os experts da boa música mostrada no vídeo abaixo.




História original da composição " O Barquinho"( CBN- Campinas)

Um clássico da MPB  já  regravado por vários artistas  foi  inspirado em uma situação que correu  sério risco de ser a  notícia de uma tragédia, quando um barco ficou a deriva em alto mar durante todo a dia.

O episódio aconteceu  com  Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli  que tiraram o dia para um  passeio  em alto mar  com os amigos e um problema mecânico no barco os deixaram à deriva  e  no final da tarde quando foram rebocados de volta ao porto a inspiração pra compor surgiu.

A  prosaica cena inspirou    Roberto Menescal e Ronado Bôscoli na canção  O barquinho  lançada no inicio de 1960  que se tornaria  um símbolo da Bossa Nova.



segunda-feira, 26 de julho de 2021

" A última carta de amor"

*
Sob efeito da leveza do filme que assisti ontem, me animei a trazer esta dica  aqui na blogosfera.

Sou do time água-com-açúcar declarada. Quero ver bonitezas, levezas e gentilezas, assim mesmo, rimadas de preferência. Como acredito que nossas aspirações são ímãs atrativos, encontrei na netflix um destes exemplares: " A última carta de amor", inspirado no livro da escritora Jojo Moyes. 

Gostei de tudo, do roteiro à ambientação. Uma história do passado que é descoberta no presente; só por isso já me cativou. Adoro estas tramas que o tempo mostra e esconde. Sou fã de carteirinha, afinal, meu livro transcorre nestes trilhos.


Para além de tudo que descrevi acima, cabe destacar meu assombro pelas coadjuvantes cartas de amor. Sabendo que foram traduzidas em legenda e, mesmo assim, conservando uma narrativa expressiva em nossa língua materna. Cada uma delas lida nas cenas, traz tamanha gentileza romântica que só me lembro de ter visto parecida no "Os sofrimentos do jovem Werther"( romance epistolar). 

Nas cartas condutoras da trama, encontram-se declarações de amor profundo carregadas de sublimidade ante a realidade. Enternecedoras!

Fiquei saudosa deste tempo em que se escreviam cartas de amor.


*pinterest/artesdalivia

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Coisas Boas da Vida



    As Boas Coisas da Vida 

( Rubem Braga)

Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as " dez coisas que fazem a vida valer a pena", sem pensar demasiado, fiz esta pequena lista:

_ Esbarrar às vezes, com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é um sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.

_ Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes. E acontecem.

_ Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem pra seu lado e, de repente, dar um chute perfeito_ e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.

_ Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.

_ Aquele momento em que você sente que de um grande amor ficou uma grande amizade_ ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.

_Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne...

_ Viajar, partir...

_ Voltar...

******* 

 O brilhante Rubem Braga, desfila suas preferências ( pontualmente masculinas) nesta crônica bem-humorada. Pra mim, excetuando o " bate-bola e a aflição de espírito ", todos os demais ítens figuram na minha lista. 

Por propósito, suprimi os dois últimos ítens que fecham a crônica para assim ousar me aliar ao grande escritor assinalando-os na minha lista preferencial.

A saber: 

_ Desfrutar a vida em família, em horas crescentes de risos e afetos.

_ Flanar por lugares novos e antigos sem preocupações tendo apenas a tranquilidade segura na rotina dos dias.




domingo, 11 de julho de 2021

Semana Nova- Fé Renovada








Dia novo. Semana nova. 
Abraço as horas com ânimo renascido na esperança do melhor a acontecer para todas as pessoas. 
Abraço as horas com fé na alegria que existe nas belezas naturais.
Abraço as horas com entusiasmo habitado nos afetos, nos netos, na família, nos amigos(as).
Abraço as horas com sorriso franco e perseverante para a vida que transcorre.
Abraço as horas , que me são dádivas e bênçãos.
Abraço as horas com toda pujança pelas maravilhas que nelas se movem.


Começo cantando. 
Cantem comigo a canção que exalta o bom que há na vida.
Caminhos do Coração- Gonzaguinha 


                                 Há muito tempo que eu saí de casa
Há muito tempo que eu caí na estrada
Há muito tempo que eu estou na vida
Foi assim que eu quis, e assim eu sou feliz
Principalmente por poder voltar
A todos os lugares onde já cheguei
Pois lá deixei um prato de comida
Um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar
E aprendi que se depende sempre
De tanta, muita, diferente gente
Toda pessoa sempre é as marcas
Das lições diárias de outras tantas pessoas
E é tão bonito quando a gente entende
Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá
É tão bonito quando a gente sente
Que nunca está sozinho por mais que pense estar
É tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração

Feliz semana para todos vcs!

terça-feira, 6 de julho de 2021

A borboleta amarela


(*)

 Não combinamos de antemão, mas íamos cadenciadas como se houvesse uma melodia só audível para nós duas. Eu avançava em passo lento e ela ia à minha frente dando volteios graciosos, hora próximos, hora distantes. Parecia estar comemorando o novíssimo par de asas. Por vezes, achei que ela só se aproximara para dar um gentil cumprimento pela companhia na caminhada e tomaria seu rumo pra longe dali, mas, logo em seguida ela voltava pro meu lado e continuávamos  o passeio. 

Fomos nós duas pela calçada ladeada ao mar, sorvendo a brisa que o dia azul proporcionava, guardando nos olhos as cores e na alma as sutilezas deste encontro fortuito para nós.

Minha delicada companheira prosseguiu comigo até chegarmos a uma rala touceira de pequeninas flores na beira da areia. Ali ela acenou e partiu para novas explorações.

Fiquei presa ao encantamento e às nuances despertas pela boa companhia em sua singular existência fugaz e bela, fato que acendeu em mim a forte conexão com os tempos restritivos; "sou como uma crisálida em  terceiro estágio de preparação, mal contendo a ansiedade de romper o casulo, abrir as asas novinhas e voar..." 


(*( goaway-tumblr)