quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Muitos ninhos



Achar histórias que levam a outras histórias e vão assim laçando situações coincidentes( ou não) atraídas por nossos interesses, são muito recorrentes.

Venho lá da Verena,bichinhosamados.blogspot, em seu post tocante às fibras de um coração materno vibrando na leitura da crônica belíssima de Rubem Alves; ah, o mestre Rubem, sempre sensível como cordas de um violino.

Pois sim, o tema caiu-me aos olhos, assim que parei em frente à tela vinda da ligação em vídeo triplo com três dos meus grandes amores, meus filhos, que moram em outras cidades. Falação solta, risos descontraídos, causos e circunstâncias compartilhados e acolhidos com amorosidade.

Moram longe, mas vivem dentro, aninhados nesse meu amor infinito. Verdade, que a saudade também mora comigo, mas não espeta dor aguda, queda-se calma e silenciosa confortando-me pela certeza de sabê-los em bem-estar. 

Como eu, tantas outras mães vivenciam essa realidade e aprendem a contornar o vazio com interesses múltiplos, mas sem nunca deixar de trazer os filhos presentes nos momentos de cada dia; é um filme que assistimos e nos lembramos do gosto de um deles, uma roupa na vitrine que, achamos ficaria perfeita na  segunda, um prato saboroso que é do agrado do terceiro...

Pra meu consolo, tenho aqui próximo de mim, o quarto filho com sua família amada, que me nutre de companhia carinhosa. Assim, vamos nós, mães de muitas léguas percorridas e cultivadas na perseverança e empenhadas na felicidade de cada filho(a) que temos.

Sou mãe de quatro filhos(as). Sou feliz!

* Recomendo uma visita ao blog mencionado(link acima). 😍 


terça-feira, 9 de novembro de 2021

Uma imagem / Um conto - novembro

"Visão do Rio"

Original pintado com a boca por Thomas Kahlau


Continuando a série promovida pela Norma Emiliano, de contos/prosas/poesias, inspiradas nas telas feitas com a boca ou os pés por pintores únicos.
 



Pela caixa de som seguia ritmada a música envolvente, em letra cadenciada, cantava o sonho de muita gente:

" ...Fui a pé a Salvador,

De joelhos ao Redentor,

Pra ver nosso amor abençoado.

Nosso lar se enfeitou

A esperança germinou,

Ah, tem muita flor pra todo lado..." 

Seria um sinal, aquilo que tão profeticamente ouvia? Poderia a música conter uma mensagem que só ela, Rosana, entenderia? Sem duvidar, agarrou-se à probabilidade e correndo programou uma visita ao outro lado da cidade. Subiria o Corcovado, chegaria aos pés do Redentor, conforme dizia a letra da canção e, ofertaria sua fé em intensa oração por seu amor escolhido.

Entregaria ao Cristo Abençoador todas as esperanças em um casamento feliz, onde reinasse a harmonia e o respeito a frutificar a nova família que se iniciaria mês seguinte. 

* (Trecho da música: Tá Perdoado)


segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Contato estreito com a natureza



De longe , não sou a pessoa mais indicada para discorrer sobre pesca de qualquer tipo. Nunca pesquei nada em lugar nenhum. Presenciei meu pai , meus tios, em algumas pescarias amadoras muito de vez em quando e sem maiores interesses.

 Foram em passeios de fim de semana com minha garotada que descobri os pesque-pague e pesque-solte( prefiro este último) em trechos demarcados do lago Paranoá. Por vezes curtimos tal programa.

Cresceram , mudamos e a atração ficou esquecida no tempo deles, até que neste  passeio pelo interior do Paraná, revi a prática sendo concorrida por visitantes dos muitos lagos nas propriedade rurais que a  oferecem, mas não só, por lá tem também o colha e pague nos mesmos moldes, abrangendo frutas, hortaliças e legumes cultivados em cada distinto sítio. 

Imaginei a alegria das crianças que tiverem acesso à atividade, o quanto aprenderão sobre os alimentos, seu cultivo, uso e benefícios nutricionais. É uma iniciativa que deveria estender-se por todas as áreas cultivadas nos entornos das cidades.

Com o físico e adepto da pesca fly, Marcelo Gleiser, descobri um pouco sobre as várias nuances filosóficas embrenhadas no contato direto com os oferecimentos da mãe-natureza.

"...Lancei, e em alguns momentos tinha outra truta na mão. Três trutas em três lançamentos, nunca havia visto isso em minha curta experiência com esse tipo de pesca. Mesmo assim, aprendi muito, em particular a respeitar o peixe do outro lado da linha. Peguei três trutas em quinze minutos, mas minha inexperiência fez-me perder a mais especial delas. Só aprendemos com humildade. E estava aprendendo, que era o que importava."

( Trecho-A simples beleza do inesperado-Marcelo Gleiser) 



quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Passeio inesquecível


 Cheguei de um passeio maravilhoso. Fui em excursão à Joinville, Curitiba e municípios vizinhos percorrendo o chamado turismo rural. Trago encantamento nos olhos e n'alma, mas, trago além disso, um sentimento de conforto emocional. Uma sensação palpável de confiança.
Reconheci, cheia de alegria,  a volta da normalidade aos trâmites cotidianos, embora, ainda mantendo precauções individuais, mas, percebendo o avanço das horas costumeiras a cada instante vivido. Isto não tem preço!


Lavandário 



Jardim das hemerocális ( vários espaços lindamente paisagísticos)


Lago no orquidário


Passeio de trem de Morretes à Curitiba ( dentro da mata Atlântica) 


A quantidade de fotos é enorme. A cada visitação coube o seu quinhão. Aos poucos virei mostrando aqui as belezas do sudeste-interior paranaense. 


💖💖💖

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Reconhecimento





 Ao olhar, mais que ver, sentir a pertença àquele lugar, é graça, é completude próxima de um arrebatamento que dispensa explicação. Todo sentimento despertado lampeja em fração de segundos, despeja uma certeza até então desconhecida e traz à vista o quê fala a sensação.

De onde surgiu essa voz que só a mim é audível? Como essa vibração acelerou meu pulso, meu passo distraído, minha intuição? Serão visões do passado? Serão lembranças de alguém? Serão histórias lidas ou não?

Parei de indagar, afinal, de que me serve saber para além do fundamental que me diz pleno de convicção que:

 ___Sim, reconhece-te nesta plaga. Faz-te parte das folhas, das copas, do vento. Vista-se das gramíneas. Banhe-se na luz esmiuçada nos troncos. Abrace a paz estendida em mesa farta e saboreie a grandeza da criação. 

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 Canção do Caminho

( Cecília Meireles) 


Por aqui vou sem programa, sem rumo, 

sem nenhum itinerário.

O destino de quem ama é vário,

Como o trajeto do fumo. 


Minha canção vai comigo.

Vai doce.

Tão sereno é seu compasso,

que penso em ti , meu amigo.

Se fosse invés da canção,

Teu braço. 


Ah, mas logo ali adiante,

___Tão perto,

acaba-se a terra bela.

para este pequeno instante,

decerto,

é melhor ir só com ela. 


(Isto são coisas que digo, 

que invento,

Para achar a vida boa...

 A canção que vai comigo

é a forma de esquecimento

do sonho sonhado à toa.)