sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Ecoando a primavera




 Das Pedras 
( Cora Coralina) 

Ajuntei todas as pedras que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta 
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi. 

Uma estrada,
um leito, uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra. 

Entre pedras
cresceu minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.

Entre pedras que me esmagavam,
levantei a pedra rude
dos meus versos. 


Ecos primaveris

Entre páginas antigas
tracejei meus relevos
fiz contornos em negrito,
registrei meus segredos. 

No correr da ponta fina
palavras ganham desenhos
gravam minha voz vertida
entre versos e desejos. 

Por muitas superfícies
vai se dando a poesia
que em mim brota inteira
ressoando a minha vida. 

Quando em vez as revisito;
algumas são escolhidas
para ecoar o momento
em que foram bem nascidas.

Palavras, versos, poemas,
são minhas amigas fiéis
em forma e sentimentos
 tidos nas telas e nos papéis.



De maneira natural
faço link á estação;
primavera rima com flores
que encantam o coração.

FELIZ PRIMAVERA!!!



terça-feira, 8 de setembro de 2026

Variações do mesmo tema: Sonhos



"Sonhar não custa nada" diz um verso de um famoso samba-enredo eternizado no cancioneiro popular.

Na voz de Adélia Prado, sonhar ganha claridade.

O sonho encheu a noite

extravasou pro meu dia

encheu minha vida

e é dele que vou viver,

porque sonho não morre.


Na verve poética da amiga, Gracita, o sonho chega confirmando-se como ponte segura para o amanhã.



Sonhar tem tamanha importância que figura por nove entre dez estrelas do firmamento.


Assim afirma Manoel de Barros:

"A reta é uma curva que não sonha!"

O grande Shakespeare eternizou a frase: 

__ Somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos!



O incomparável Milton Nascimento cantou em letra e verso sua conhecida: Clube da esquina 2: 

Porque se chamava moço,

também se chamava estrada

viagem de ventania...

Nem se lembra se olhou pra trás

ao primeiro passo, asso, asso...

Porque se chamavam homens

também se chamavam sonhos 

e sonhos não envelhecem [...] 



Sonho , mas não só...

Penso, mas não retenho

o novelo do desejo

que é asa do pensamento.


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Ecos de Agosto


 Provo o sabor dos tempos

em todo gosto que sinto

ao guardar o momento,

no sorver o que tinjo. 


No eco que exala sabores,

o sal e o doce se fundem

em mistura agridoce...

lembranças se confundem. 


Um misto de tons ao paladar

dá o ponto desejado,

desperta, aguça, alegra,

todo sabor vivenciado. 

*** 


Em ecos ainda sonantes, agosto se mantém presente.

Foi meu mês e o festejei bastante. Tive o coração aquecido e o sorriso aberto por muitos dias.