segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Território Livre

(foto- Jean Manzon - 1940) 

Somos um dos poucos países no mundo que possui esta enormidade de espaço democrático que é a praia. Seja de mar ou de rio, ela é musa e cenário, movimento e descanso.Praia não tem porta, como genialmente declarou um empresário da areia.Do tempo da foto aí de cima aos dias de hoje, a praia ganhou até regras de convivência, o que se fez necessário diante de muitos abusos contra a natureza e contra seus frequentadores, mas isto é outro assunto no mesmo tema.O que vim focar hoje com minhas lentes pessoais é  a descontração, a novidade, o inusitado que habita este território popular; um verdadeiro celeiro de histórias vistas ou imaginadas. 

Na minha ( que pretensão!) praia,enorme e ainda um tantinho selvagem (ôba) há frequentadores assíduos, muitas das vezes nunca nos falamos, apenas um breve aceno já sela um conhecimento que jamais passou disto, mas que registra a partilha do lugar.Quem é madrugador(a) pode se emocionar todos os dias pela manhãzinha com um nascer do Sol estupendo e também com a certa presença dum morador e seus dois labradores educadíssimos.Os três se encaminham lado a lado para o mar e enquanto o dono faz seus alongamentos, os cães correm na beira d'água dum lado pro outro na maior brincadeira.A um assobio do dono ao entrar no mar e começar sua rotina de nado, este, é imediatamente seguido pelos cães que furam o quebra-mar destemidos.Vão os três ritmados logo após a rebentação em braçadas(patadas) vigorosas até a outra ponta da praia.Quem está na areia, no calçadão, pára pra apreciar a cena. 

Banhistas de todas as idades aproveitam este lazer com tranquilidade por aqui.A grande extensão da faixa de areia permite os esportes praieiros sem que haja incômodos aos demais frequentadores.Lá no início já começa um embrião do beach-baby, melhor baixo-bebê, com grandes chances de crescimento.E, surfando em boas ondas há os profissionais e amadores do esporte e os surfistas dos bons negócios.Quiosques, ambulantes, rostos conhecidos que fazem parte da população praiana  em todo nosso litoral, são cidadãos deste território especial. 

Embora já se encontre certas mordomias nas areias por aqui, ainda acho que a excelência deste ramo está no nordeste.As praias nordestinas são pioneiras em simpatia e atendimento aos banhistas, só perde no quesito alto-falantes que poderiam com muitas adesões, serem "baixos-baixíssimos." Do Oiapoque ao Chuí, temos quilômetros e quilômetros dum litoral privilegiado reconhecido pelo mundo todo como um dos paraísos terrestres,embora precisemos cuidar bem melhor desta riqueza, afinando posturas e regras de uso e convivência comunitária.
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Bom Carnaval !

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

"Maré tá cheia, fico na areia..."

(foto de Jean Manzon-1950) 

Longe de mim reclamar do tempinho camarada que veio nesse janeiro/fevereiro chuvoso.Tem muita gente de mal com o clima e se perguntando cadê o verãozão que deveria estar aqui?O vento levou!E enquanto ele sopra e a chuva lava, a natureza ganha maior colorido, mesmo que debaixo dum céu cinzento;o que não é empecilho para a animação do carnaval por aqui, que segue a todo vapor desde o meio do mês passado.

Já curti muito as folias de Momo.Fazia questão da fantasia e minha mãe que adorava carnaval era a primeira a sair em campo atrás da escolha do ano.Já fui bailarina, cigana, escrava, índia, pirata, melindrosa e outras tantas personagens, mas o que mais eu gostava era da maquiagem que a única oportunidade do ano me dava o consentimento de usar.Eu achava o supra-sumo da realização poder me maquiar.Uma conquista pra época de menina-adolescente doida pra imitar as modelos de capa de revista.Nem dava muita bola pro baile em si, dançava na rodinha familiar e me entupia de petiscos e refrigerantes pra acalmar o calorão que era impiedoso.

Com os filhos fiz repeteco da história.Fantasias, bailes infantis e depois noturnos, exceto nas vezes que viajamos no feriado, o que desagradava as adolescentes da vez e nós,os pais, tínhamos de nos dividir para atender as preferências com equilíbrio: passeios e bailinhos populares na cidadezinha aonde estivéssemos.No fim, ficavam todos satisfeitos. 

Há uns bons dez anos que ou viajo ou faço retiro sabático, a saber: escolho  e reservo as companhias para os 4 dias de folia__ livro(s), filmes, assuntos interessantes na TV, praia( se der), sombra e água fresca ( de côco, claro) e "lá vou eu, pela imensidão do mar..." curtir cada horinha preciosa que me aguarda.Tenho estes pequenos prazeres como dádivas reconhecidas.Depois de toda lida em casa e no trabalho eu me deleito com o ócio criativo que desfruto hoje em dia, aliás, amo esta nomenclatura dada pelo autor Domenico de Masi, e por falar em livro, acabei de ler "As memórias do Livro", de Geraldine Brooks, e adorei, não pela badalação merecida em torno da obra e da sua autora, mas porque realmente ele me sugou para suas páginas me prendendo totalmente em sua narrativa.Eu recomendo e muito, e dito isto, irei munida da minha fantasia de traje de banho, barraca e protetor, aproveitar o verão camarada na companhia dum bom livro da minha pilha de espera e depois descansar do descanso(rsrs).

Pra quem já vai começar seu feriado hoje: Bom Carnaval!
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Medo de Amar


A semana que passou mexeu com muitos sentimentos, acho que para todos nós, né?Aflorei uma atenção para as dissonâncias e mesmo sem ter feito nenhuma busca em especial, algumas questões vieram ao meu encontro naturalmente.Uma delas foi a respeito do trato com crianças e jovens filhos de pais separados.Uma realidade bastante atual e com a qual lidei enquanto professora na ativa.

A multiplicidade do Brasil abre várias janelas de observação para a situação e se eu fosse contemplar a todas acabaria tendo de escrever laudas sobre  cada uma. Não é esta minha intenção, até porque não tenho formação em psicologia, apenas um olhar apurado educacionalmente para uma situação mais comum do que deveria: a da falta de tato de alguns adultos-pais/mães nas relações após separação deixando que os ressentimentos mútuos atinjam os filhos de forma brutal, comprometendo-lhes a formação da personalidade e, jogando-os num redemoinho de conflitos emocionais que não são capazes de compreender ao verem-se às voltas com os egos feridos de ambos os pais e usados vergonhosamente como joguetes e barganhas em disputas judiciais.

Estas crianças e jovens têm seu equilíbrio emocional ( ainda em processo) altamente prejudicado por toda esta situação que mistura sentimentos contraditórios forçados por aqueles que justamente deveriam zelar pelo bem-estar deles(as).Assistem comentários e acusações dolorosas daqueles que são as primeiras pessoas amadas na vida, seus pais.Não conseguem entender como apareceram tantos defeitos nas pessoas que até então eram seus heróis/heroínas irretocáveis, pois, se a imagem dos da ficção no acompanha pela vida afora( visto na BC proposta pela *Pandora), que dirá a de nossos pais e mães. 

É extremamente incompreensível para qualquer criança assimilar que aquele pai/mãe que admira virou um monstro aterrorizador(a) que não a ama mais, conforme dizem, e que por isso ela deve deixar de amá-lo(a) imediatamente porque será melhor pra ela.Pra quem? A pergunta que não se calará: a quem favorecerá a distância imposta entre a criança e o pai ou a mãe com a qual não habita? Sabemos a resposta, mas os indefesos, não.Falo de cadeira sobre tal, porque vivi toda esta situação desde meus 11 anos e sofri durante toda adolescência com as pressões impostas de ambas as partes.Fica impessoal referir-se assim aos pais, pode ser, mas à medida que não vemos saída, a auto-preservação se impõe e a gente se fecha em copas, ama com medo, cala por tristeza,e busca afastamento daqueles que trazem o sofrimento na ordem do dia, como acompanhamento no café da manhã.O amor pelos dois permanece, mas tão oprimido que forçosamente acabamos por imitar o toten dos três macaquinhos dedicando-nos a  outros interesses que não envolvam sentimentos profundos.

Nos idos dos anos 60 a psicologia engatinhava na inserção de ações referentes a casos desta natureza só começando a ter uma mais visível presença lá pelos anos 70 e mesmo assim num raio curto de atuação, pois sofria de preconceito arcaico, muito comum na concepção de pais e mães que desdenhavam da atuação dum psicólogo(a) para tratamento dos filhos que quiçá nem precisavam (?) de tal ajuda. A prepotência corria solta fazendo seus estragos e ainda os faz hoje em dia, mas agora com uma importante ressalva que veio em auxílio das crianças e jovens submetidos a estas situações, uma lei de 2010 que dispõe sobre a Alienação Parental_ classificação dada aos atos de um pai ou de uma mãe que influencia o(a) filho(a) a romper os laços de afetividade com o outro (ex)cônjuge.

Conforme disse no início deste texto, há mil faces numa situação assim, estou me detendo apenas nos casos de relações parentais sadias entre pais/mães e filhos que se tornam moléstias depois da separação dos adultos.Quanto ao termo"alienação" que é múltiplo e serve a muitas outras aplicações, merece uma colocação mais ampla da que dou aqui, então sugiro que façam uma visita ao blog do *Augusto Sperchi, no post sobre alienação religiosa, onde ele discorre sobre o tema , mas não só. 

Na esteira das necessidades que foram tomando forma e presença no cotidiano das escolas em todo país formaram-se equipes de apoio dentro das instituições, onde professores, pedagogos, psicólogos e familiares  buscam uma solução para os descompassos que uma realidade ingrata causa nas crianças e jovens, e também aos próprios pais que são alvos da alienação.Existe uma ONG que oferece apoio, assistência e esclarecimentos sobre o assunto.Quem tiver curiosidade, visite o site: www.apase.org.br.

Este assunto não se esgota aqui, há muitas nuances que ainda devem ser hasteadas e que espero poder trazê-las aqui pras nossas conversas. 
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Referências:Pandora_ elfpandora.blogspot.com
Augusto_ saberepreciso.blogspot.com
Imagem: www.mesepareieagora.com

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Corações Entre-laçadas

"Pro dia nascer ( ainda mais) feliz"...
só começando com carinhos bordados, símbolo de caprichosa dedicação, e hoje meu dia começou assim, com alegria e encantamento que veio lá de longe trazendo nos corações confeccionados o perfume da amizade.
Olhem só esses mimosos presentes que ganhei da doce Ayu Maselli num sorteio em seu blog, whitenroses.blogspot.com (Aqui), um pedacinho cheio de doçuras e belezuras.Vale a pena visitar. 



Dois lindos e perfumados corações entrelaçados no carinho das mãos que os fizeram.
Eles enfeitarão meu armário de roupas estando à altura de meus olhos e de minha gratidão todos os dias.
Muito Obrigada, Ayu! Receba meu grato abraço!


Um lindo domingo para vcs!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Uma Imagem/ 140 caracteres



A pureza do amor-cúmplice transcende, 
aproxima, faz desaparecer a distância entre
gerações e, um vê pelo olhar do outro.