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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Medo de Amar


A semana que passou mexeu com muitos sentimentos, acho que para todos nós, né?Aflorei uma atenção para as dissonâncias e mesmo sem ter feito nenhuma busca em especial, algumas questões vieram ao meu encontro naturalmente.Uma delas foi a respeito do trato com crianças e jovens filhos de pais separados.Uma realidade bastante atual e com a qual lidei enquanto professora na ativa.

A multiplicidade do Brasil abre várias janelas de observação para a situação e se eu fosse contemplar a todas acabaria tendo de escrever laudas sobre  cada uma. Não é esta minha intenção, até porque não tenho formação em psicologia, apenas um olhar apurado educacionalmente para uma situação mais comum do que deveria: a da falta de tato de alguns adultos-pais/mães nas relações após separação deixando que os ressentimentos mútuos atinjam os filhos de forma brutal, comprometendo-lhes a formação da personalidade e, jogando-os num redemoinho de conflitos emocionais que não são capazes de compreender ao verem-se às voltas com os egos feridos de ambos os pais e usados vergonhosamente como joguetes e barganhas em disputas judiciais.

Estas crianças e jovens têm seu equilíbrio emocional ( ainda em processo) altamente prejudicado por toda esta situação que mistura sentimentos contraditórios forçados por aqueles que justamente deveriam zelar pelo bem-estar deles(as).Assistem comentários e acusações dolorosas daqueles que são as primeiras pessoas amadas na vida, seus pais.Não conseguem entender como apareceram tantos defeitos nas pessoas que até então eram seus heróis/heroínas irretocáveis, pois, se a imagem dos da ficção no acompanha pela vida afora( visto na BC proposta pela *Pandora), que dirá a de nossos pais e mães. 

É extremamente incompreensível para qualquer criança assimilar que aquele pai/mãe que admira virou um monstro aterrorizador(a) que não a ama mais, conforme dizem, e que por isso ela deve deixar de amá-lo(a) imediatamente porque será melhor pra ela.Pra quem? A pergunta que não se calará: a quem favorecerá a distância imposta entre a criança e o pai ou a mãe com a qual não habita? Sabemos a resposta, mas os indefesos, não.Falo de cadeira sobre tal, porque vivi toda esta situação desde meus 11 anos e sofri durante toda adolescência com as pressões impostas de ambas as partes.Fica impessoal referir-se assim aos pais, pode ser, mas à medida que não vemos saída, a auto-preservação se impõe e a gente se fecha em copas, ama com medo, cala por tristeza,e busca afastamento daqueles que trazem o sofrimento na ordem do dia, como acompanhamento no café da manhã.O amor pelos dois permanece, mas tão oprimido que forçosamente acabamos por imitar o toten dos três macaquinhos dedicando-nos a  outros interesses que não envolvam sentimentos profundos.

Nos idos dos anos 60 a psicologia engatinhava na inserção de ações referentes a casos desta natureza só começando a ter uma mais visível presença lá pelos anos 70 e mesmo assim num raio curto de atuação, pois sofria de preconceito arcaico, muito comum na concepção de pais e mães que desdenhavam da atuação dum psicólogo(a) para tratamento dos filhos que quiçá nem precisavam (?) de tal ajuda. A prepotência corria solta fazendo seus estragos e ainda os faz hoje em dia, mas agora com uma importante ressalva que veio em auxílio das crianças e jovens submetidos a estas situações, uma lei de 2010 que dispõe sobre a Alienação Parental_ classificação dada aos atos de um pai ou de uma mãe que influencia o(a) filho(a) a romper os laços de afetividade com o outro (ex)cônjuge.

Conforme disse no início deste texto, há mil faces numa situação assim, estou me detendo apenas nos casos de relações parentais sadias entre pais/mães e filhos que se tornam moléstias depois da separação dos adultos.Quanto ao termo"alienação" que é múltiplo e serve a muitas outras aplicações, merece uma colocação mais ampla da que dou aqui, então sugiro que façam uma visita ao blog do *Augusto Sperchi, no post sobre alienação religiosa, onde ele discorre sobre o tema , mas não só. 

Na esteira das necessidades que foram tomando forma e presença no cotidiano das escolas em todo país formaram-se equipes de apoio dentro das instituições, onde professores, pedagogos, psicólogos e familiares  buscam uma solução para os descompassos que uma realidade ingrata causa nas crianças e jovens, e também aos próprios pais que são alvos da alienação.Existe uma ONG que oferece apoio, assistência e esclarecimentos sobre o assunto.Quem tiver curiosidade, visite o site: www.apase.org.br.

Este assunto não se esgota aqui, há muitas nuances que ainda devem ser hasteadas e que espero poder trazê-las aqui pras nossas conversas. 
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Referências:Pandora_ elfpandora.blogspot.com
Augusto_ saberepreciso.blogspot.com
Imagem: www.mesepareieagora.com