terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Sabedoria do Guerreiro

" O guerreiro sabe que nenhum homem é uma ilha, isolada no meio do oceano.
Sabe que não pode lutar sozinho,seja qual for o seu plano, sempre dependerá de outras pessoas.
Precisa discutir sua estratégia, pedir ajuda,e nos momentos de descanso,ter alguém para contar histórias ao redor da fogueira.
Mas, ele não deixa que as pessoas confundam sua camaradagem com insegurança.Ele é transparente em suas ações,e secreto nos seus planos.
Um guerreiro da luz dança com seus companheiros,mas não transfere para ninguém a responsabilidade de seus passos."
Paulo Coelho

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Memória do Olhar




Quem já apreciou a costa vista do mar, sabe ao que me refiro agora.
È um panorama totalmente inusitado, este o de apreciar a paisagem do litoral estando em meio-mar. Os contornos da cidade antes tão familiares ganham recortes novos, reentrâncias que nunca dantes descobertas, agora se desnudam ante nossos olhos maravilhados com a beleza dos desenhos naturais, traço de mãos divinas.
E o silêncio, então? O silêncio marinho, repleto de seus cantares característicos destoa com força a distância daqueles outros sons, o da praia, o da cidade em seu entorno.E nos sentimos conchas naquele mar azul ondulante, apaziguados em seu ninar dolente como espectadores do espetáculo da vida que pulsa à frente e à volta de nós.Somos partícipes do cenário. Nossos sentidos se aguçam na percepção desse todo majestoso que nos faz mais e mais Vivos!
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" Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar,
Onde é que está existindo?"
Fernando Pessoa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Memória do Corpo

" Alguns já disseram que o corpo não mente. Mais que isso, ele conta muitas histórias e em cada uma delas há um sentido a descobrir. Como o significado dos acontecimentos, das doenças ou do prazer que anima algumas de suas partes. O corpo é nossa memória mais arcaica. Nele, nada é esquecido. Cada acontecimento vivido,particularmente na primeira infância deixam no corpo sua marca profunda. O corpo em sua inteireza lembra-nos que somos uma unidade coletiva.Os Terapeutas de Alexandria,já cuidavam do corpo, do psiquismo e também do ser espiritual.
Trata-se, pois, de escutar cada uma das partes do nosso corpo, do ponto de vista físico, psicológico e espiritual e buscarmos a saúde plena."
                                              Jean-Yves Leloup
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Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma,
A vida não pára.
Enquanto o tempo acelera
E pede pressa
Eu me recuso
E faço hora
Vou na valsa.
A vida é tão rara!!!
(Paciência__ Lenine)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O Sorriso Etrusco

Fui surpreendida por outra data de julho_ o dia dos avós.Como sou estreante na categoria , já me interessei pelo assunto e quase de imediato recordei-me de um livro lido no final do ano passado, e que muito me comoveu.
Trata-se do romance" O Sorriso Etrusco",de José Luis Sampedro.Com uma escrita poética, o autor nos convida a conhecer a vida de Salvatore Rosconne, um  setentão calabrês típico, profundamente atávico à sua história. Rude de modos, mas aristocrático de alma.Guerreiro partigiano da 2ª Guerra Mundial, ferrenho defensor de suas convicções e que se vê arrastado para a grande Milão afim de tratar-se da sua"rusca"; um câncer que  lhe corroe as entranhas_ como diz.
Entre os dissabores do choque cultural e da difícil convivência com o filho e a nora,encontra alento em seu netinho de 13 meses em sua descoberta do mundo. Na alegria dessa convivência vai permeando seus dias entre assombros e dissabores com"... os jeitos modernos e estranhos dessa gente milanesa."
E nesse entremeio de vivências, ele descobre o amor de uma mulher que o faz sorrir novamente devolvendo-lhe a alegria de viver.
È através do olhar de Hortência que Salvatore redescobre a vida, e nos transporta com ele por todos os meandros de uma existência pulsante.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dia de Esponja

Há tempos/dias que já ao levantarmos da cama sentimo-nos porosas.Sabemos que é dia de esponja!
O simples ato de abrir a janela e receber o calor do sol já denuncia nosso estado de pele, de alma. Absorvente.
O que pode significar sensações agradáveis de pertencimento àquela luminosidade,àquele dia colorido que começa a adentrar por nossos olhos, fazendo-nos mais atentas aos arredores de nós próprias.
Nesses tempos/dias temos a nítida certeza de integração, parte constituinte e parte total de nosso corpo, cabeça,mãos, pés, pele e mais, redescobrimos também o estar e o devir a nossa volta.
Degustamos mais as palavras ouvidas e pela natureza com que se professam, rimos ou choramos mais ao seu pronunciamento.
Reverberamos ao canto do bem-te-vi, ao som da música apreciada, ao desenlace da cena da heroína do filme, ao toque em objetos prenhes de recordações,à leitura de um poema de Cecília e...a lista continuaria infindável.
Esta linguagem do corpo, que tanto encanta quanto acabrunha é síntese de nossa natureza femina(fêmea/feminina) da qual descendemos desde a mater essencial. Em alusão a esse tempo/dia definiu Clarissa Estés,antropóloga e psicóloga, numa narrativa contundente. Disse ela:
"...__ O corpo é um ser multilíngue. Ele fala através da cor e da temperatura, do rubor do reconhecimento, do brilho do amor, das cinzas da dor,do calor da excitação,da frieza da falta de convicção[...]
O corpo se lembra,os ossos se lembram, as articulações se lembram. Até mesmo o dedo mínimo se lembra...
Como uma esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar dali uma Recordação!"