Há tempos/dias que já ao levantarmos da cama sentimo-nos porosas.Sabemos que é dia de esponja!
O simples ato de abrir a janela e receber o calor do sol já denuncia nosso estado de pele, de alma. Absorvente.
O que pode significar sensações agradáveis de pertencimento àquela luminosidade,àquele dia colorido que começa a adentrar por nossos olhos, fazendo-nos mais atentas aos arredores de nós próprias.
Nesses tempos/dias temos a nítida certeza de integração, parte constituinte e parte total de nosso corpo, cabeça,mãos, pés, pele e mais, redescobrimos também o estar e o devir a nossa volta.
Degustamos mais as palavras ouvidas e pela natureza com que se professam, rimos ou choramos mais ao seu pronunciamento.
Reverberamos ao canto do bem-te-vi, ao som da música apreciada, ao desenlace da cena da heroína do filme, ao toque em objetos prenhes de recordações,à leitura de um poema de Cecília e...a lista continuaria infindável.
Esta linguagem do corpo, que tanto encanta quanto acabrunha é síntese de nossa natureza femina(fêmea/feminina) da qual descendemos desde a mater essencial. Em alusão a esse tempo/dia definiu Clarissa Estés,antropóloga e psicóloga, numa narrativa contundente. Disse ela:
"...__ O corpo é um ser multilíngue. Ele fala através da cor e da temperatura, do rubor do reconhecimento, do brilho do amor, das cinzas da dor,do calor da excitação,da frieza da falta de convicção[...]
O corpo se lembra,os ossos se lembram, as articulações se lembram. Até mesmo o dedo mínimo se lembra...
Como uma esponja cheia de água, em qualquer lugar que a carne seja pressionada, torcida ou mesmo tocada com leveza, pode jorrar dali uma Recordação!"