"Há em mim um fascínio, meio inexplicável, por telhados. Gosto da visão das telhas arrumadinhas em ondas harmoniosas; ondulações jeitosas que emolduram as moradias, proteção e adorno adjetivando a construção. O telhado é o limite entre o chão e o céu..."
(Trecho: O Tempo na palma da mão/ minha autoria)
ACENDEM-SE AS LUZES
( João José Cochofel)
Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.
Ainda há claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para lá dos telhados
já meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e do andar contente
que no fim do dia
leva para casa
a paz das varandas
o álcool das locandas;
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solidão povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.
Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.
