Há dua semanas atrás arrumei uma ziquizira, como dizia minha avó, e que hoje em dia o diagnóstico dela tem o nome de virose; um misto da antiga gripe com efeitos mais abrangentes.E cá fiquei eu de molho forçado, com olhos à meia-luz, sem vontade de nada, porém, não desejando que nenhuma onda de melado queimado me carregasse.
Tentei cházinhos(fora o de boldo,rs), remedinhos caseiros, canjinha e esparramo na primeira coisa fofa que estivesse pela frente, e nada.No terceiro dia me rendi e fui ao médico.Virose!Saí de lá direto pra farmácia aonde deixei um graninha forte no caixa.Segui direitinho cada indicação e a melhora foi mínima.Aguentei mais uns dias tossindo até perder o fôlego e já achando que poderia ter uma doença mais séria.Fui pra um otorrino.Sinusite.Volto pra farmácia e lá deixo o dobro de grana deixado na primeira vez.
Volto com a preciosa sacolinha pra casa pensando o quanto sou privilegiada em ter podido gastar aquela significativa quantia em remédios que aliviariam meus incômodos, mas incomodada em reconhecer que grande maioria de brasileiros não têm essa mesma prerrogativa, passando por situações desesperadoras ignoradas pelas autoridades que deveriam ser competentes em saná-las.
É de domínio público o caos na saúde, os absurdos cometidos pelos planos de saúde, o sucateamento nos atendimentos e por aí vai; mas não deveria ir...no entanto, como se tudo isto junto não bastasse como calvário diário para os doentes e seus familiares, ainda existe o escárnio oficializado nos preços astronômicos dos medicamentos.A carga tributária do país, sabidamente acachapante no bolso dos(as) trabalhadores não oferece nenhum refresco e gaba-se ( só pode!) de ser o maior tributo no preço final dos medicamentos no mundo.Olha a gente aí em mais uma estatística vergonhosa.
Pois assim é, e o pior é que não há luz no fim deste ralo.Bem sabemos que o roubo nomeado de tributos tem fôlego secular e não parece causar nenhum incômodo na classe política brasileira, afinal o vale-gasolina, o vale-compras, o auxílio-paletó ( será que para as parlamentares chama-se auxílio-tailleur?), os apartamentos funcionais e os bônus sei-lá-das-quantas, devem favorecer os gastos dos coitadinhos com medicamentos.
Acompanhem essa tabela da SINDUSFARMA, publicada no site da organização Ação Responsável e confirmem como para o governo brasileiro, de antes e de agora, os gastos com medicamentos são menos importantes do que os gastos numa joalheria, por exemplo.
( Destaques do site)
Há muita coisa surreal nos anais da nação brasileira.Precisamos sair de 1889 e chegarmos de fato e de direito à segunda década do século XXI.De que valem os minérios e outras fontes de energia num país de cidadãos sem direito à cidadania?
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