Tava de bicho-carpinteiro,
e não era no corpo inteiro.
Era bicho irriquieto,
comichento,
que dá num dia
de pouco vento.
Ao acordar, já sabia
que aquele dia prometia
panos pras mangas,
com todas as garantias.
Vai num pique a toda,
remexendo e revirando,
o que tava em cima,
passou pra baixo,
ficou de fora,
o que dentro estava,
mudou a hora, pintou
o sete,desfez a ponta,
raspou a tinta que
descascava, doou
a tela, tingiu a manta,
pregou no canto,
uns bons achados,
então, por fim
varreu o pó que
havia deixado,
puxou um livro e se
recostou cansada,
tomou o chá na
página marcada.
Olhou a tarde já
findando, sorriu
contente pro dia
bem pontilhado
que virou e sacudiu
todo o sobrado. (Calu)
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Imagens: We Heart It
