Na poética de Lya Luft
Frutos de enganos ou de amor,
nasço de minha própria contradição.
O contorno da boca, a forma da mão,
o jeito de andar( sonhos e temores incluídos),
virão desses que me formaram.
Mas, o que eu traçar no espelho
há de se amar , também
segundo o meu desejo.
Terei meu par de asas,
cujo vôo se levanta desses
que me dão a sombra onde eu cresço
___como, debaixo da árvore,
um caule e sua flor.
Eu sou porque, antes de mim
outros criaram minhas raízes.
Eu sou a pequena semente
que por séculos se repetiu por
formas distintas, tamanhos,
gestos, gostos e traços,
versões únicas, indivisíveis,
da árvore-mãe ancestral.
Eu carrego em mim muitos sonhos
gravados na espiral dos desejos
que me formaram e que me dão
um espelhado mapa imortal.
(Eu)

