( Poesia todo dia)
Canto do rio
( Eu)
Aprendi que um rio
são águas correntes,
nesta fala não me fio,
prendo o olhar e atento
para o som que faz o rio.
Som de valsas murmurantes,
Som de ímpeto latejante,
Som de pedras cantantes,
Som de margens molhadas;
Faz sonatas e interlúdios,
em ópera alucinada
pelo cenário das quedas,
prenúncio de cataratas...
***
Isto-II
( Fernando Pessoa)
Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho,
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou,
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim,
Dorme onde o rio corre
__ Esse rio sem fim.