Aquele sábado amanheceu cinzento aumentando o bolor que nasce na sequência dos dias chuvosos e, assim já íamos por cinco consecutivos em torrente cortinas d'água celeste. E o sábado...igual. Bate um desânimo indescritível em sair-se de casa. Tinha um convite de reunião da turma do Normal marcado pra aquela tarde.Boa promessa mas, e a chuva fina e fria daria trégua?
Fui vendo as horas passarem entre estiadas rápidas e descargas pluviais. Vou ou não? Foi aí que, num estalo de lembrança lembrei-me da fala de uma colega professora que repetia categórica em ocasiões do tipo: ___ A gente sai pra trabalhar com chuva fraca e forte, porque, não sairmos pra nos divertir na mesma situação?
Agradeci a oportuna lembrança e me aprontei saindo decidida pro encontro com a turma.
Ainda bem que fui.Há muito tempo não ria tanto. Até cantoria teve. Piadas e gozações de montão. Muitas delícias, sendo a maior de todas a alegria do encontro.
Saudades postas na mesa em melhores versões de cada acontecimento trazido na bandeja da ingenuidade que vestia nossa juventude.Saudade do que muitas nem lembravam direito e, que outras resgataram vivamente.Saudades dos professores(as) emblemáticos e, dos nem tanto assim; saudades das baguncinhas inocentes, dos hits da época cantados em altos brados no sombreado pátio na hora do recreio.
Naquelas horas o presente é que estava distante e o passado dançava nos sorrisos de cada uma a tocar com sensível vibração as cordas do instrumento chamado coração.
Lá fora, caía a chuva fina e fria!
" Até junho, meninas!"

