" Sempre que fito o mar"
( Gilka Machado)
Sempre que fito o mar
tenho a ilusão de achar-me diante
de um silêncio profundo,
onde vozes lutassem por gritar
por lhe fugirem do invisível fundo.
Diante do mar, eu fico triste
nessa mudez de quem assiste
reproduções do próprio dissabor;
diante do mar, eu sou um mar,
a outro de apor e a se indeterminar.
O mar é sempre monotonia na calmaria
ou na tempestade.
Fujo de ti, ó mar, que estrondas
porque a tristeza que me invade
tem a continuidade das tuas ondas.
Mas, te amo, ó mar, porque minh'alma
e a tua, são bem iguais;
ambas profundamente sensíveis
e, amplas e espelhantes, pois,
nelas o ambiente atua
apenas superficialmente...