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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Ah, o mar


" Sempre que fito o mar" 

( Gilka Machado


Sempre que fito o mar

tenho a ilusão de achar-me diante

 de um silêncio profundo,

onde vozes lutassem por gritar

por lhe fugirem do invisível fundo.


Diante do mar, eu fico triste

nessa mudez de quem assiste

reproduções do próprio dissabor;

diante do mar, eu sou um mar,

a outro de apor e a se indeterminar.


O mar é sempre monotonia na calmaria

ou na tempestade.

Fujo de ti, ó mar, que estrondas

porque a tristeza que me invade

tem a continuidade das tuas ondas.


Mas, te amo, ó mar, porque minh'alma

e a tua, são bem iguais;

ambas profundamente sensíveis

e, amplas e espelhantes, pois,

nelas o ambiente atua

apenas superficialmente...