Romperam dois dentinhos de uma vez.Agora Valentina já tem um sorriso acompanhado.Apareceram no dia seguinte ao que fui lá corujar, por isso não saíram na foto do dia.O pai,quem viu primeiro, lhe deu uma camisetinha branca, como manda a tradição: quem descobre o primeiro dentinho do bebê tem que lhe dar uma coisa branca.E lá foi ele correndo cumprir o esperado; esta face tão cultivada, tão significativa em nossas vidas, as tradições.
Se fossem representadas por uma imagem,eu escolheria as espirais, vindas dum ponto quase invisível, alcançando alturas inatingíveis ou como um prisma multifacetado. Tradições, costumes, rituais,cores e formas de um mesmo cenário que são, foram e serão repetidas através dos séculos, confirmando nossa conexão com antigos saberes e nossa fé neles.Sim, porque trata-se de um ato de fé no que foi ensinado, praticado e confirmado por nossos pais, nossos avós, os pais deles...
Diferente de superstições, as tradições tem uma ligação direta com os rituais.São elos da mesma corrente que evolui e involui conforme as preferências. Há algo de tão forte nesta herança ancestral, que poucas vezes a renegamos.Alguns ajustes até acontecem, mas na essência, são elas, as tradições, que ajudam a contar as nossas histórias.Confirmam nossa cumplicidade às nossas raízes pessoais e sociais.
Cheia de simbologias, elas se incorporam ao nosso fazer e quase nem refletimos sobre isto.Quando sabemos que uma conhecida está grávida, já corremos pra comprar um par de sapatinhos vermelhos pro bebê.Brindamos as datas especiais, com champagne ( ou com um espumante,rsrs).Levamos flores ou gostosuras quando convidados(as) para um almoço ou jantar na casa de amigos. Se somos nós que recebemos, caprichamos nos comes e bebes e na decoração adequada.Gostamos muito de celebrar, e por que não gostaríamos? Celebrar é festejar quem somos, de onde viemos e até para onde vamos. È tradição festejarmos os acontecimentos felizes e ritualizarmos os nem tanto.Compõem nossa humana missão de nos recriarmos todos os dias.
O cinema cumpre bem o papel de divulgador das tradições através dos tempos.O filme "Chocolate"(2000), homônimo do romance de Joanne Harris, com Juliette Binoche no papel principal como Vianne Rocher, filha de um cientista francês e uma indígena da América latina.A tribo a qual pertencia a mãe de Vianne, tinha por tradição espalhar os benefícios do cacau pelo mundo, mandando suas mulheres nessa missão.
Tanto quanto agregam, as tradições também podem afastar as pessoas, aí cabe a cada um unir ensinamentos e bom-senso para conseguir um equilíbrio na questão, porém se não houver jeito, a escolha pelo que é benéfico pesa no fiel da balança.
****
Imagem: superscience.com
cinedica.com

