Por aqui, diz a meteo, que o céu está parcialmente nublado, mas o que vejo são brancos novelinhos fofos adornando grandes espaços azuis dando-lhes um enfeite a mais nessa manhã da qual sorvo o silêncio à minha volta.Hoje, quando os ânimos momescos diminuem, há uma lenta volta à calma, um lembrete ao corpo e ao espírito de que é preciso extravasar e celebrar, mas que também é preciso pausar, verbo novo de sentido antigo.
Nesta nossa cultura da agitação, do tempo finito, vivemos sob pressão constante,em ritmo acelerado dentro e fora de casa que nos amarra nas inúmeras pontas marcadas pelo ponteiro dos segundos.De tão ligados no piloto automático nem relativizamos o que é desnecessário e vamos cumprindo tudo no modo programado e com isso acumulando milhas e perdendo horas de sossego simplesmente. Aquele sossego que não precisa de marcação, acontece naturalmente feito fruto polpudo e suculento que pode e deve ser saboreado quando o apetite aparece.
Um pouco só, nada além deste sossego medido a nos oferecer um cadinho de recolhimento, um pensar solto, um nada fazer, um tudo apreciar, um deixar que chova na roupa do varal e assistir ao balé do vento como se estivesse numa sala de espetáculos consagrados.Ficar-se um pouco neste lugar que desenha no mapa dos dias o vale verdejante que separa a pressa barulhenta do sossego silencioso é tratamento de saúde, reeducação alimentar para o corpo e o espírito.A quietude singular reverbera em pluralidades e a gente viaja sem sair do lugar, mas aprecia cada trecho da paisagem.
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Imagem: tumblr
