Direto do túnel do tempo aberto pelo convite original feito pela querida Beth Lilás, do"Mãe-Gaia.blogspot", chegou esta foto minha aos três anos numa pracinha da cidade, e junto com ela mil lembranças.Umas seguidinhas outras salteadas, todas amarradinhas na linha de minha vida.
Sou filha ù-ni-ca, e isso pesa em muitas circunstâncias. Até os seis anos eu era muito sozinha, cercada de adultos, vivendo num mundinho de brinquedos e brincadeiras que inventava.Fui levada por minha avó ao mundo das histórias e da música.Adorava as duas juntas e ouvia meus disquinhos coloridos todo dia.As coisas começaram a mudar quando entrei para o colégio e aí foi alegria total.Não passava uma semana de joelho inteiro.Era a maior sócia do mercúrio-cromo.Não andava, saltitava, querendo imitar os passos das bailarinas que via na televisão.Ballet clássico mesmo. Sonhava em ser uma daquelas ninfas esvoaçantes e lindas. Só que meu pai escolheu o piano e lá fui eu me esforçar por quatro anos para tocar uma melodia audível.
Ao fim disso, nem piano e nem ballet. Pena! O colégio foi meu espaço criativo em todos os sentidos.Lá fiz muitas amizades, brinquei, tagarelei, e comecei a ver que o mundo ia muito mais além do que o quintal de casa.
A Bailarina
Cecília Meireles
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas, sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas, inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si
mas, fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar,
e não fica tonta, nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir como as outras crianças.
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Muito Obrigada, Betinha, por ter promovido esta deliciosa viagem ás minhas lembranças queridas.
:)
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Imagens: foto tirada por meu pai (1958)
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