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terça-feira, 12 de março de 2013

Menos pode ser mais/Euforia enganosa




Quem já não foi vítima duma propaganda enganosa? No sentido literal e no figurado? Sabe, aquela preparação estilosa pruma festa anunciada e quando chega o tal dia, a tal festa, vc acha tudo muito chato, cansativo e não vê a hora de chegar em casa e se desfazer daquele coreto todo? Pois é,muito vista e sabida esta situação,bem mais vezes repetida do que gostaríamos.Por que sempre caímos, vez ou outra, nesta esparrela? Talvez porque nem sempre estejamos com olhar tão alerta pra tudo que nos rodeia.Uma falha? Não tanto.Acho mais uma permissão de euforia, afinal, há chances de ser uma boa pedida, tanto quanto ser uma péssima.Só embarcando pra saber. Há, porém, aquelas situações nas quais nós somos embarcados por força das circunstâncias.Assim tem vivido o povo do Rio e cercanias ( leia-se Niterói) nestes verões cada vez mais tempestuosos e caóticos.

Que as referidas cidades não estão preparadas para as tempestades que tem desabado, é fato secular, que o poder público faz obras de maquiagem, é aposta ganha, que os cidadãos passam por situações impensáveis e perigosas, é notório.

Nestas águas de março que parecem não querer fechar o verão saariano que nos sufoca, há histórias acontecidas que dariam,com sucesso, uma série televisiva.Só pra ilustrar, na 3ªfeira passada caiu uma tempestade hollywoodiana; ruas alagadas, trânsito parado, bolsões d'água pra todo lado, queda de energia, enfim, um cenário bem conhecido pelos moradores de lá e daqui e tudo isto bem na hora da saída do trabalho/dos colégios... uma professora não conseguiu chegar em casa e  ás 21,30h, ligou pra mãe avisando que estava próxima da casa duma prima e que dormiria por lá.Uma mãe de estudantes ficou ilhada com os dois filhos numa alameda sobre um rio e precisou ser resgatada pelo marido que só conseguiu chegar no local quase três horas depois do temporal ter passado.

Em meio a isto, vemos nós, explorados contribuintes, as propagandas ufanistas sobre as fantásticas ações que estão acontecendo pra deixar o Rio ainda mais maravilhoso(?).Como assim? O Brasil inteiro está sabendo da precariedade dos nossos aeroportos, das nossas vias de acesso, das estruturas que deveriam funcionar azeitadas mas estão avinagradas há mais dum século e, pra não esquecer: tudo isto na  esteira dos grandes eventos mundiais batendo à porta.

Então, chega de euforia vazia e vamos fazer valer nossos direitos básicos tão ignorados.Uma professora universitária deu um passo adiante lançando o movimento que cobra melhorias e critica a euforia em torno da imagem da cidade-perfeita (oglobo/segundocaderno/12/03/13):" Eu amo o Rio, mas não sou correspondida;um manifesto contra a euforia". Ela destaca o que todos nós queremos: escoamento adequado, serviços da água e luz eficientes, proteção das encostas, apoio dos órgãos públicos em caso de calamidades e muitas outras medidas urgentes que se contempladas darão, aí sim, motivo para uma verdadeira euforia.
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Imagem: noticiasr7.com