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sábado, 31 de outubro de 2020

Dó-Ré-Mi a poesia passa aqui


Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

( Florbela Espanca)   




Há um grande silêncio que está à escuta...

E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa,
qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até a tua dúvida metafísica, Hamlet!

E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta... 
e cala.”

(Mário Quintana/ Esconderijos do Tempo)



Original é o poeta
que se origina a si mesmo,
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo;
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
 capaz de escrever um cismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar um jejum.
Original é o poeta,
que de todos for, só um.

(José Carlos Ary dos Santos/Original é o poeta)

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido." 

(Fernando Pessoa)