Poetas
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
( Florbela Espanca)
Há um grande silêncio que está à escuta...
E a gente se põe a dizer inquietamente qualquer coisa,
qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até a tua dúvida metafísica, Hamlet!
E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta...
e cala.”
(Mário Quintana/ Esconderijos do Tempo)
Original é o poeta
que se origina a si mesmo,
que numa sílaba é seta
noutra pasmo ou cataclismo;
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho às palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um cismo.
Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte
faz devorar um jejum.
Original é o poeta,
que de todos for, só um.
(José Carlos Ary dos Santos/Original é o poeta)
"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."
(Fernando Pessoa)

