Quem de nós não fez planos fantásticos durante a adolescência? As meninas, com toda certeza fizeram.Já é fava contada a nossa precoce maturidade que dava asas aos sonhos mais ousados.Se os diários tivessem alto-falantes fariam grandes estragos se caíssem em mãos e ouvidos alheios, por isso eram guardados a sete-chaves.Funcionavam quase como cartas de intenções, onde somávamos as ilusões, os desejos, as decepções e as ousadias.
Crescemos, e transformamos as palavras escritas em declarações de intenções alinhavadas nos fatos que são e nos que poderão vir a ser.Justamente sobre isto que acabo de conversar por telefone com uma querida amiga de infância.Estudamos juntas todos os três períodos escolares, até que tomamos caminhos diferentes, mas jamais perdemos o contato, mesmo que pouco.
Relembrando alguns desses planos que compartilhamos naquelas épocas de juventude, rimos um bocado das pretensões juvenis, do olhar cor-de-rosa que tínhamos e de como a vida traçou outros caminhos jamais sonhados por nós. Eu casei e mudei.Ela passou no vestibular e seguiu a carreira acadêmica.E a vida foi acontecendo e os novos planos dando lugar aos antigos que perderam a possibilidade de existir, e aí debruçamos sobre estes; os que deixaram de existir.
Por que foi assim?Por que aquele plano fracassou? E isto foi bom ou ruim? Importa agora? Achamos que uns mais, outros menos, alguns, nenhuma importância, porém é salutar que se faça esse balanço de quando em vez.Foi aí que ela se lembrou duma intenção que tinha como certa e absoluta em sua vida: a de fazer o doutorado em Madri. Enquanto batalhou o ingresso e as exigências por aqui, só encontrava dificuldades e falta de informações.Era início dos anos noventa.Tirou férias e foi pra lá conferir, se informar, saber das possibilidades e exigências do curso.Viajou em agosto, verão na Europa.
Logo na 1ª semana de estada, adoeceu.Sentiu-se bem mal com a secura da cidade e quase precisou ser internada.Imaginem tal situação longe de casa e sozinha. Assim que melhorou, voltou correndo. Desistiu de Madri,mas não do curso.Decidiu-se por Aveiro e tudo deu certo.E, disto tudo concluiu: o que ás vezes nos parecem fracassos, podem ser adequações que a vida faz em nosso benefício e que só vamos perceber tempos depois.São nessas ocasiões que nos damos conta que: temos de ter cuidado com o que pedimos, ou queremos, porque podemos ser atendidos, o que não significa, satisfeitos.
Parece fábula, mas a vida é feita das histórias de cada um de nós!
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Imagem: weheartit.com/Janice
