Acho que sem pensar muito herdamos de nossa infância uma certa antipatia pelo cinza. São constantes as observações sobre um dia chuvoso:__ Hoje está feio. O céu está cinza.
Crescemos com esta visão, na maioria das vezes, e nem nos demos ao trabalho de rever este conceito.Até porque, as demais cores vibrantes são tão óbvias de beleza e encantamento que relegamos o pobre cinza à sua insignificância e lá o deixamos ficar, isolado e de preferência, escondido.
Mas, olhando com bondade, um dia cinzento tem suas belezas também.As nuvens que trazem a cor parecem fundir céus e terra numa gigantesca tela, hora escura, hora clara, mostrando que as nuances feitas dão contornos bonitos aos nossos horizontes e que as formas das coisas podem ser vislumbradas apesar da penumbra.
Preferível se fossem azuis? Sim! Mas é esta possibilidade de mudança que dá graça aos fatos, moldura aos dias, reflexões à mente e acalanto ao espírito.Em dias cinzas que convidam ao recolhimento, podemos, se quisermos, vasculhar o coração com olhos atentos;os mesmos que temos para tentar enxergar além das nuvens, além da garoa fina,e fazer descobertas, remexer guardados, tirar os véus e radiar-se para um dia azul.
Os cinzas nos permitem o recolhimento para estarmos renovados(as) nos azuis, nos amarelos, vermelhos...
Luz/sombra, claro/escuro, todos matizes importantes no caleidoscópio da vida.
Luz/sombra, claro/escuro, todos matizes importantes no caleidoscópio da vida.
