Ouvia-se com clareza,
ecoando alto som,
por todo recanto entranhado
nas pedras e desvãos
recortados na fonte
das águas cantantes
correndo ligeiras
por entre seixos e folhas
criadas em corredeiras.
A princípio, poucos souberam
e fizeram ouvidos moucos,
afinal, são tantas falas,
as dos corvos roucos,
que convinha averiguar
se o fato era verídico,
se constava aprofundar
os reclames espargidos.
Veio o grilo e chilreou
cuidadoso, baixinho,
que ouvira do mocho
no meio do caminho,
contado a boca pequena
em zunido singular
que o sapo se esforçava
em replicar, mas, de pequena
sua boca nada tinha
e, danou-se a coaxar.
Duas abelhas atentas
correram a acalmar
o sapo, que todo nervoso
não parava seu cantar.
Em sobrevôo elegante
elas zumbiram segredos
que calaram o sapo
agitado dando-lhe
bons conselhos.
Até hoje não se sabe
o que de fato ocorreu
sobre as pedras e desvãos
da fonte cantante
que nem por segundos
interrompeu sua
linda melodia e,
por entre seixos e folhas
correu livre e brilhante
suas águas cristalinas.
" ... e a fonte a cantar, chuá, chuá
e as água a correr, chuê, chuê..."

