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domingo, 15 de março de 2020

Águas cantantes


Ouvia-se com clareza,
 ecoando alto som,
 por todo recanto entranhado
 nas pedras e desvãos
 recortados na fonte 
 das águas cantantes
 correndo ligeiras
 por entre seixos e folhas
 criadas em corredeiras. 


A princípio, poucos souberam
 e fizeram ouvidos moucos,
 afinal, são tantas falas,
 as dos corvos roucos,
 que convinha averiguar
 se o fato era verídico,
 se constava aprofundar
 os reclames espargidos.  



Veio o grilo e chilreou
cuidadoso, baixinho,
 que ouvira do mocho
no meio do caminho,
contado a boca pequena
em zunido singular
que o sapo se esforçava 
em replicar, mas, de pequena
sua boca nada tinha
e, danou-se a coaxar. 

Duas abelhas atentas
correram a acalmar
o sapo, que todo nervoso
 não parava seu cantar.
Em sobrevôo elegante
elas zumbiram segredos
que calaram o sapo
agitado dando-lhe
bons conselhos.

Até hoje não se sabe
o que de fato ocorreu
sobre as pedras e desvãos
da fonte cantante
que nem por segundos
interrompeu sua
 linda melodia e,
por entre seixos e folhas
correu livre e brilhante
suas águas cristalinas.


" ... e a fonte a cantar, chuá, chuá
e as água a correr, chuê, chuê..."