terça-feira, 6 de julho de 2021

A borboleta amarela




(*)

 Não combinamos de antemão, mas íamos cadenciadas como se houvesse uma melodia só audível para nós duas. Eu avançava em passo lento e ela ia à minha frente dando volteios graciosos, hora próximos, hora distantes. Parecia estar comemorando o novíssimo par de asas. Por vezes, achei que ela só se aproximara para dar um gentil cumprimento pela companhia na caminhada e tomaria seu rumo pra longe dali, mas, logo em seguida ela voltava pro meu lado e continuávamos  o passeio. 

Fomos nós duas pela calçada ladeada ao mar, sorvendo a brisa que o dia azul proporcionava, guardando nos olhos as cores e na alma as sutilezas deste encontro fortuito para nós.

Minha delicada companheira prosseguiu comigo até chegarmos a uma rala touceira de pequeninas flores na beira da areia. Ali ela acenou e partiu para novas explorações.

Fiquei presa ao encantamento e às nuances despertas pela boa companhia em sua singular existência fugaz e bela, fato que acendeu em mim a forte conexão com os tempos restritivos; "sou como uma crisálida em  terceiro estágio de preparação, mal contendo a ansiedade de romper o casulo, abrir as asas novinhas e voar..." 


(* denisegomestumblr)

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Ainda ontem...


 Time vencedor do torneio semanal posando pra foto "oficial" após o jogo. É o Atlético Junior, time de bambas da bola. Sempre classificado entre os cinco primeiros dos torneios de futebol de salão da AABB- Brasília.

Aí , na foto de 1989, todos amigos do peito e da bola. Levavam a sério suas posições no time. Tão dedicados eram, que todo domingo tocavam o interfone às 7:30h,  chamando o treinador param irem ao clube onde aconteceria a peleja. Todos arrumadinhos em seus uniformes de atletas consagrados fazendo algazarra. 

O meu centro-avante é o segundo de pé da direita para esquerda. Vivia perseguido pelo time adversário , o que me fez deixar de assistir aos jogos. Mãe é Mãe!

Hoje aniversaria meu atleta que não é mais mirim. Filho amado, pai de dois filhos lindos, mora no Canadá  e me abarrota de saudades. 

Parabéns, Pedro! Toda Felicidade te acompanhe!



sábado, 26 de junho de 2021

Registros artísticos

 Tradições e Artes 

"A natureza é bela quando tem o aspecto de uma obra de arte. A arte, por sua vez, não pode ser chamada de bela senão quando, deixando-nos conscientes de que é Arte, oferece-nos, entretanto, o aspecto da natureza..."( Kant-citado por Suassuna)


Somos natureza nas belezas que provocamos, nos sentimentos que revelamos.

Anita Malfatti _ Festa no Interior



Alberto Guignard- Balões



Festa de São João/ Heitor dos Prazeres



Festa de São João/ Alfredo Volpi-1940




Grande fachada festiva/ Alfredo Volpi-1950




:* Biblioteca Virtual_Estado de São Paulo

(Seleção e organização_ Festas juninas_ Centro Cultural Delfos/ Fundação Edson Queiroz))

segunda-feira, 21 de junho de 2021

" Todos são poetas na praça "


Em meio ao clima que envolve os dias de junho/julho , vamos nos nutrindo das boas memórias trazidas nas festas populares de nosso riquíssimo folclore.

Para cada região desta terra brasileira há inúmeras manifestações da alma do povo festeiro por excelência. Onde quer se ande nos diferentes rincões encontra-se tantas belezas, tantas comemorações a nos fazer mais convictos das nossas raízes multiplicadas em lindas manifestações que nos conferem o emblema.

Ontem, tive a enorme satisfação de participar na live do poeta/cantador Manoel Herculano. Em uma hora de boa conversa, muito riso e pró-esia, visitamos lugares de extrema beleza.

Fazendo a roda girar, trago os entendidos sobre essa arte:   

Na visão de Orlando Tejo, no livro" Zé Limeira, poeta do absurdo", está sintetizado o que vem a ser um cantador: Os cantadores constituem imensa legião de homens que amam, sonham, sofrem e brincam de viver no mundo;pescando estrelas, caçando ilusões, plantando tardes, colhendo auroras, levando sua imagem sutil e profunda, tímida e vigorosa ao povo ávido de poesia que os ouve embevecido. 

Na visão de Luís Câmara Cascudo, que dedicou a maior parte de sua vida ao folclore brasileiro, define assim um cantador: Representantes legítimos de todos os bardos e menestréis da história.

Guilherme Neto, conceitua: são cantores populares, poetas geniais e versejadores do sertão.

Todos são Poetas na Praça

( Manoel Herculano)

Meus senhores e senhoras

Poemas de todas as horas

Podem entrar que a casa é sua

Estamos no olho da rua,

Mas, se a praça é do povo

Vamos voltar lá de novo.

Beber poesia na taça.

Todos são poetas na praça.


Eu vim de lá bem grandinho

Sem essa de dar jeitinho

Entro e saio sem arranhão

Sou ilha e mar, sou Maranhão.

A minha prosa acontece

Quando um verso o outro tece

E transbordam peito e taça.

Todos são poetas na praça[...] 

             

O registro da live está gravado no Instagram do poeta.


quinta-feira, 17 de junho de 2021

Não deixo a saudade assentar



(*)

 E lá vamos pelo meio de junho. Olho no movimento das calçadas procurando ver as crianças fantasiadas de caipira, e nada. Não tem bandeirinhas na frente das escolas. Não tem festa anunciada. Não tem cheiro de canjica no ar.                    Ô saudade arretada!

Mas, não adianta na saudade morar. 

O jeito é improvisar uma mesa modesta, 

Fazer algumas gulodices, comemorar.

 O jeito é dar vida a cada momento, 

 É desafiar as ausências,

 É persistir sem desanimar.

Ouvir aquelas canções que nos trazem as comemorações das datas juninas e dançar, sozinha, cantando desafinado , mas seguindo o ritmo sem perder o rebolado. Fiquei mais inspirada depois de ter lido e ouvido lá na Beth Lilás            ( Me and You.blogspot), uma postagem linda em 1ºde junho sobre a história da valsa Rosa/letra e música, um clássico de todos os tempos do cancioneiro popular. 

O novo conhecimento me despertou ainda mais curiosidade sobre outras histórias por detrás das músicas e até rendeu um livro novo: 

"A onda que se ergueu no mar", Ruy Castro. 

De história em história das canções e da minha própria lista de favoritas, trouxe aqui só a letra, pois sou atrapalhada para postar vídeos( nunca dá certo, rsrsrs)


Embarquem no Táxi Lunar...

"... Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Bela  linda criatura, bonita

 nem menina, nem mulher

Tem espelho no seu rosto de neve

Nem menina, nem mulher.

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar.

Pela sua cabeleira vermelha

 pelos raios desse sol lilás,

Pelo fogo do seu corpo, centelha.

Pelos raios desse sol;

Apenas apanhei na beira-mar

Um táxi pra estação lunar..."

( Zé Ramalho) 

(*) Pinterest-arte naif/Daniel Salvador)