Me caiu aos olhos por esses dias uma célebre citação do Exupéry, no Pequeno Príncipe:"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três, começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.Às quatro da tarde, então, estarei inquieto e agitado..."
Foi aí que percebi minha completa semelhança com este pensamento citado pelo autor e no meu incipiente conhecimento dos meandros da psiquê humana, ainda assim, dei um rótulo pra tal empatia: ansiedade.
Até me consolei ao constatar que "a coisa" é corriqueira na nossa espécie ou será em outras espécies também? Não posso afirmar, posso sim, me declarar mimética deste sentimento apontado pelo Pequeno Príncipe e, se ele é príncipe e sofre de tal transtorno que direi eu, simples súdita.
Fui abrindo o filme da memória e carimbei muitas cenas com o rótulo da ansiedade. Muitas vezes, fora da razão e com consequências desagradáveis pra mim, claro, afinal sou a atriz nesse palco, mas bem que poderia ter sido ou ainda ser, apenas uma coadjuvante, só que não funcionou desse modo pra mim e quase em sequência, percebo a cena se repetir mais do que gostaria.
Sou ansiosa, e não me agrada esta característica, mas hoje em dia eu consigo detectá-la em andamento e procuro com toda força de vontade, neutralizá-la. Às vezes dá certo por inteiro, outras não.
Procurar antecipar nossas reações não é tarefa fácil, mas sigo na intenção de conseguir, ao menos, minimizá-las. E, fechando essa mea culpa, completo o parágrafo da citação do Exupéry:
" Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração".
Taí...a dona ansiedade.