Ontem feriado, dia mais lento restrito da ruideza comum nas ruas da cidade. Aqui e ali alguns serviços funcionando.Já sabida disto saí e, ao dobrar a esquina achei movimentação diferente.Algumas pessoas paradas na calçada sustentando suas sacolas de mercado, olhos atentos ao outro lado onde maquinário pesado e homens atarefados se dedicavam à tarefa de demolição.
A casa amarela, de grandes janelas, chapisco frontal, portão gradeado, telhado estendido por sobre o avarandado que chegava aos degraus da entrada.Aspecto simpático, cor vibrante, ali quase ao meio daquela rua, mostrando seu frontão "galhardeiro" com registro da construção: 1928.
A casa amarela, de grandes janelas, chapisco frontal, portão gradeado, telhado estendido por sobre o avarandado que chegava aos degraus da entrada.Aspecto simpático, cor vibrante, ali quase ao meio daquela rua, mostrando seu frontão "galhardeiro" com registro da construção: 1928.
Quase um século e, com certeza, muitas vidas por ali passaram; muitos risos, alguns choros, festas, aniversários, celebrações, vidas palpitando, histórias acontecendo, quase um livro em tijolos e pinturas atravessando décadas até ontem, quando exibia naquela manhã uma ferida grotesca na lateral esquerda de sua parede deixando à mostra o quarto de alguém, vazio de objetos, mas cheio de recordações.
Arrancaram-lhe o bonito portão, feriam-lhe os degraus, absolutamente resolutos no trabalho de demolição.
Olhei para as pessoas que, como eu, pararam por instantes diante da cena.Creio que nossos pensamentos convergiam num mesmo sentimento lamentoso.__É só mais uma casa que dará lugar a um prédio, dirá alguém. O antigo dando espaço à modernidade. Só isto!
Não só, mas na realidade, isto. Aos meus olhos e aos do casal, senhor e senhora, próximos a mim, que fitavam consternados a destruição da casa amarela, um turbilhão descompassava o peito no ritmo das marretadas.
~~**~~
Obs: Há um link novo direcionando para uma rápida pesquisa no post: Divulgação__ grupo p/novos escritores.
Passe lá!
Arrancaram-lhe o bonito portão, feriam-lhe os degraus, absolutamente resolutos no trabalho de demolição.
Olhei para as pessoas que, como eu, pararam por instantes diante da cena.Creio que nossos pensamentos convergiam num mesmo sentimento lamentoso.__É só mais uma casa que dará lugar a um prédio, dirá alguém. O antigo dando espaço à modernidade. Só isto!
Não só, mas na realidade, isto. Aos meus olhos e aos do casal, senhor e senhora, próximos a mim, que fitavam consternados a destruição da casa amarela, um turbilhão descompassava o peito no ritmo das marretadas.
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