quarta-feira, 9 de junho de 2010

Todos  os dias Kublai Kan,último rei da dinastia Mogul,subia no alto da muralha da sua fortaleza para encontrar-se com o vento.
O vento vinha de longe e tinha o mundo todo para contar.Kublai-Kan nunca tinha saído da sua fortaleza não conhecia o mundo. Ouvia as palavras do vento e aprendia.
__ A Terra é redonda e fácil,disse o vento. Ando sempre em frente,e passo pelo lugar de onde saí. Dei tantas voltas na Terra, que ela está enovelada no meu sopro.
Kublai-Kan achou bonito ir e voltar sen nunca se perder.
Um dia o vento chegou mais frio,vindo das montanhas.
___ Fui pentear a neve,gelou o vento ao pé do ouvido do rei. A neve é pesada e macia. Debaixo do seu silêncio as sementes se aprontam para a primavera. Só flores brancas furam a neve. Só passos brancos marcam a neve. Na neve mora o Rei do Sono.


Kublai-Kan teve desejo de neve. Então prendeu fios de prata na Lua e a empinou contra o vento. Do alto,espelho do frio a Lua trouxe a neve para Kublai-Kan.E um sono tranquilo.
Todos os dias o vento contava seus caminhos no alto da muralha.
Todos os dias os longos cabelos do rei deitavam-se no vento e recolhiam seus sons, como uma harpa.
O vento contou o deserto.
___O deserto, disse com língua quente,é lento como o trigal. E como o trigal me obedece. Ele também se curva debaixo da minha mão. Mas seus grãos não são doces como os do trigo.São de areia. E com areia não se faz o pão. As gotas do deserto chamam-se "tâmaras".
Kublai-Kan quis suar com a doçura das tâmaras. Então prendeu fios de ouro nos raios do Sol e o empinou contra o vento. Do alto, o calor derramou-se no reino de Kublai-Kan amadurecendo os frutos. E o rei bebeu o suco nas mãos em concha.
No alto da muralha gasta de sempre receber o vento,o mundo punha-se aos pés do rei.E no tempo chegou o dia em que o vento beijou de sal a boca de Kublai-Kan trazendo-lhe o mar.
___ O mar é maior que o deserto e mais profundo que a neve,cantou o vento. O mar é verde como os campos,mas seu capim cresce nas profundezas e ninguém vê o gado que nele pasta. O mar chama os homens e canta. Sua voz tem nome de sereia.
Ouviu Kublai-Kan o chamado da sereia na voz do vento? Ninguém sabe.
Dizem os pastores da planície que o viram prender as cordas de linho nas pontas da grande pipa de seda. Depois ergueu a pipa contra o vento e, abandonando com os pés o alto da muralha da sua fortaleza, deixou-se levar pela corda branca, último rei Mogul, longe no céu, lá onde ele tinge de mar.
Marina Colassanti
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Você já ouviu o vento que veio de longe?E as coisas que ele tem para contar,já ouviu?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Fábulas do Tempo

As fábulas são parte constituinte da história humana.Em diferentes roupagens contam-nos sobre os fatos e atos da humanidade desde a invenção de códigos linguísticos. Permanecem incólumes através dos tempos vestindo com perfeição cada nova invenção das artes e das letras. Com o cinema não foi diferente e até hoje nos encanta com  lendas e fábulas de toda sorte e temas.São suspiros e emoções protagonizados pelos mocinhos e vilões da telona. Se nos detivermos contando quais as obras que mais nos marcaram, tenho certeza de que encheríamos uma folha com a listagem. Eu já começaria com "E o vento levou", passando por Candelabro Italiano,seguido de Love Story, Romeu e Julieta, O feitiço de Áquila e continuando até onde me lembrasse.Mas, num nicho de tempo entre ontem e hoje, pude ter o prazer de rever "A casa do Lago" e novamente me alimentei de encantamento com essa mista lenda mágico-moderna; onde o tempo permite caprichosamente que dois jovens venham a se enamorar através de trocas de cartas numa caixa postal além do tempo físico.Pura e bela fantasia.Enche a alma de docilidade,enfeita o dia de sonhos bons. E já nesta semana entra em cartaz mais uma lírica poesia do tempo"Cartas para Julieta", encenada em Verona e tendo a Toscana como fundo tbm,a heroína visita uma casa que teria sido supostamente a residência da própria Julieta e onde mulheres do mundo inteiro que por lá passam deixam ,no muro, cartas em que desabafam frustações amorosas e pedem conselhos românticos. Na minha opinião: Imperdível!Sexta-feira estarei lá na fila do cinema.Quero acumular belezas n'alma!

domingo, 6 de junho de 2010

Visual Novo

Todas estas lindezas que agora aparecem nesse blog eu agradeço à  minha amiga, Emília. Além de todos os compromissos ainda tem gestos de carinho como esses, raros nos dias atuais.Com gentileza e amor,sempre me consultando sobre meus gostos, ela faz mágicas como a que vemos aqui. Confesso que sou um tantão atolada nesse universo e fico com medo de fazer "sujeira" e não saber consertar depois, mas contando sempre com minha web-anja salvadora, as arrumações no blog terminan por estarem essa beleza.
Visual novo, de muito bom gosto e prontinho pra eu mostrar por aqui infinitos fractais d'alma.
Obrigada amiga Emília. Bjos no teu doce coração!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fim do Sofisma

Pura pretensão gramatical particular,mas nova e real condição de referência.Já podemos usar a palavra"coração" com toda propriedade de que dispomos ao entoná-la, escrevê-la, registrá-la em prosa e verso nos mais diferentes confins das histórias reais e/ou imaginárias.
Fomos redimidos por descobertas científicas publicadas esse ano, dando como certa a descoberta de células cardíacas semelhantes ás células do hipotálamo cerebral responsáveis pela produção e distribuição de hormônios relativos as emoções.
Sábios milenares já dispunham dessa informação e usaram-na largamente através de séculos em odes aos feitos e males do coração.
Agora,comprovadamente, meu coração bate em ritmo feliz!

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Guardador de Rebanhos




" O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
È aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...
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Alberto Caieiro
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