Mostrando postagens com marcador bcap-desencanto-2ª fase. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bcap-desencanto-2ª fase. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de abril de 2012

BC - Amor aos Pedaços__ 2ª Fase- Desencanto

Arte de Maya Banisch 

Quando pequeninas, nos maravilhamos com tudo.Trazemos nos olhos a magia dos encantamentos a cada passo.Abrimos os braços e achamos,convictas, que neles cabem o mundo, ao menos o nosso.E, enquanto se vão passando os anos da meninice, alguns desses dias nos mostram que nem tudo é feito de alegrias instantâneas ao alcance de um desejo nosso.Aí ,encontramos o desencanto escondido atrás duma palavra áspera, dum castigo injusto, duma pequena frustração que vão causando ranhuras em nossa ampla felicidade.

Ás vezes, temos de lidar com cortes profundos,que provocam sangramento constante e levam anos para sararem, mas deixam sua cicatriz n'alma.Este peso indesejado, aos poucos se incorpora ao nosso caminhar e vamos ajeitando-o de um lado ao outro do peito buscando o espaço onde doerá menos.

Os desencantos na meninice provocam mais que um sonho desfeito, derrubam os primeiros alicerces daquela personalidade em construção.Amontoam inseguranças, medos, culpas e desconfiança no futuro.Mexem com as certezas mais simples e abrem fendas no chão conhecido.Os estragos são grandes e levam tempo para serem consertados.


Estive durante bom tempo de minha pré-adolescência debaixo de escombros emocionais que me faziam andar ás escuras dentre eles, meio perdida, confusa. Embora, os adultos afirmassem que a separação de meus pais nada tinha a ver comigo, eu não conseguia acreditar.O dia em que meu pai, carregando malas e pertences me olhou da soleira da porta e disse que me buscaria no sábado para passearmos, me pareceu na época, como até hoje,uma cena de algum filme dramático, que não sei porque eu era uma das personagens.


Aquele desfecho já era esperado, mesmo por mim, porém quando a realidade se fez presente, eu não conseguia aceitá-la.


Durante longo tempo, escondia o fato de quem indagasse a respeito de meus pais.Não era vergonha.Era um vazio, um sentimento de abandono do qual eu ainda não tinha consciência. Busquei consolo nos estudos, acho que para provar pra ele, que eu era merecedora de sua atenção.Uma bengala como muitas.Adentrei mais e mais em meu mundinho particular de leituras, bonecas de papel( que eu amava) e muita música.
Tive um anjo salvador que me guiou por toda a sua vida, minha avó amada.Foi meu esteio, meu exemplo, minha confiança renovada.


Esse grande desencanto foi uma sombra em nosso relacionamento, que depois de adulta consegui tirá-la de cena e reaproximar-me de meu pai. Superadas as mágoas e afastadas as dissonâncias, tivemos um convivência distante, só aproximada após sua enfermidade que depois de dois anos causou sua partida. Sinto, até hoje, que tanto ele quanto eu perdemos preciosas oportunidades de nos conhecermos melhor.


Calu