"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia, de formiga e musgo__ elas podem um dia milagrar de flores."
( Manoel de Barros)
Preferências
Ao que me cabe preferir
não me provoca medidas,
suscita em mim o gosto
de semelhanças escolhidas.
Ao definir os sabores
que me ampliam o saber,
tomo condão das escolhas
para selecionar o prazer.
Grifo as tarde de outono,
os encantos de um sabiá,
a majestade das árvores,
a eterna soberania do mar.
Cumulo assombros ao luar,
Abro o dia com música;
Tem hora que leio poemas,
Tem hora que faço leituras.
Cultivo pendões floridos
e também ramos mimosos,
Presto atenção aos ruídos do
vento nos galhos frondosos.
Reuno pedaços de mim
como um cenário multicor:
Só as coisas encantadoras
celestam meu esplendor.



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