sábado, 24 de outubro de 2015

Porque hoje também é dia de poesia









Sou apaixonada por árvores.Reside nelas um mundo tão imenso e muitas das vezes imperceptível aos olhares fugazes. É preciso calma e proximidade para ver-se um pouco além do natural.Para ouvir sua voz, aprender com seu exemplo, desfrutar da sua generosidade, é preciso calma.

No mais simples ato de sua longa vida, a sombra que oferece tão logo vai se formando um ser, convida e acolhe:__ "Venha você, estou aqui."


Velhas Árvores

Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas 
Do que as árvores novas, mais amigas: 
Tanto mais belas quanto mais antigas, 
Vencedoras da idade e das procelas... 

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas 
Vivem, livres de fomes e fadigas; 
E em seus galhos abrigam-se as cantigas 
E os amores das aves tagarelas. 

Não choremos, amigo, a mocidade! 
Envelheçamos rindo! envelheçamos 
Como as árvores fortes envelhecem: 

Na glória da alegria e da bondade, 
Agasalhando os pássaros nos ramos, 
Dando sombra e consolo aos que padecem! 

( in: Poesias)


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Amigas que chegam...

Chica__ " Adoro essa poesia e também as árvores todas e, realmente elas nos acolhem, nos ofertam, seus frutos, suas flores, sua sombra, sua presença..."

Tina Bau __ "Também amo árvores e vejo nelas beleza, lições, filosofias e poesia.Tantas viram mais de uma geração.Deram sombra, frutos; sem ajuda atravessam as estações.Tem quem ache loucura abraçar uma árvore, loucura mesmo é derrubar uma..."

Cristiane Marinho__ " Também amo árvores e tenho uma ligação especial com elas, adoro abraçar árvores, ouvir o sussurro do vento em suas folhas, os passarinhos, suas mudanças com as estações. Reverencio profundamente esses seres tão antigos, que já habitavam o planeta milhares de anos antes da nossa espécie surgir..."

Cristina Pavani__ "Também adoro árvores; subo nelas até hoje.É demais ver o mundo do alto sentindo aquela brisa aromatizada pelas folhas..."

Norma__ "São também uma das minhas paixões.Sempre fotografo e me detenho no olhar.Nos dão muito nesta nossa trajetória tão fugaz."

Bia Haim __ " Embora nunca tenha subido em uma, gosto muito de árvores, observá-las, fotografá-las, respirar perto de uma...vejo-as como símbolos de força e generosidade por tudo o que nos oferecem."

Patrícia Merella __ "Amo esta poesia de Bilac! Assim quero viver, sem me importar com a maturidade!"

Ailime __ " Adoro árvores e quando alguma é cortada sofro imenso. Pode acreditar.É como se um pouco de mim fosse com elas!
Desde criança aprendi a amar a natureza e a respeitar as árvores.Elas me protegem e dão tranquilidade."


sábado, 17 de outubro de 2015

Meu roceiro favorito












Contei pra vocês da minha recente mudança de casa e de bairro. Pois é, vim pro apartamento numa rua super movimentada.A diferença com meu bairro antigo é gritante, em imagem e fato.Se senti e sinto a modificação, imaginem o meu roceiro.Passados já quase três meses ele ainda está deslocado.Tudo o agita, a barulheira, as buzinas, a obra gigantesca na rua acima próxima daqui e, isto acrescentado de seu temperamento territorialista.Não admite que nenhum outro cachorro cruze o seu soberano caminho, e pra garantir exclusividade, avança pro incauto com latidos e safanões.Imaginem só a força que não tenho e preciso fazer pra contê-lo, porque ele me arrasta com toda facilidade.Conversei com um passeador que explicou o caso: um cachorro de porte grande consegue arrastar até quatro vezes o seu peso.Não sei fico feliz por não estar obesa ou se lamento minha pouca massa corporal.

Esse bairro é muito "cachorreiro." Tem de todos os tamanhos e raças.Umas gracinhas passeando com seus donos ao lado( inveeeja), educados e elegantes, enquanto eu passo me escondendo com ele atrás de árvores e postes entre um puxão e outro e muita reza pra que nenhum cachorro cruze conosco. Depois de altos estresses e alguns desaforos dos donos, modifiquei nosso horário.Saímos as 7:00hs da manhã e as 22:00hs da noite, quando a rua esvazia mais.Tamanha é a força que faço na guia que cheguei a envergar o dedo indicador.Pronto, luxou!Tome a passar Cataflan e a distribuir a força entre as duas mãos. Vivendo e aprendendo!

Pra um cão acostumado com espaço livre só pra ele e, os sons da natureza sendo pouquíssimas vezes quebrados, ele não sabe o que faz nessa balbúrdia diária, coitado.Noutro dia não eram 6:00hs e um caminhão guindaste fazia uma barulheira infernal na rua de cima. Haja paciência!

O Tchuco continua um crianção apesar dos noves anos de idade.Ontem, durante nosso brevíssimo passeio, quis pegar uma borboleta incauta que lhe atravessou o focinho.Ele é um companheirão, dócil, brincalhão e acredita que é um humano, pois não admite sua espécie.Um verdadeiro Jeca-Tatu canino.Tenho de providenciar uma terapia pra ele e pra mim.



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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Do que gente grande precisa saber



Reedição de 09/2014  








Se a gente grande soubesse
( Billy Blanco)

" Se a gente grande soubesse
o que consegue a voz mansa
como ela cai feito prece
e vira flor, 
num coração de criança.
A gente grande que tira
o meu brinquedo da mão
tirou de um músico a lira
interrompeu a canção.
De tanto não que eu escuto
o não eu vivo a dizer
eu não sossego um minuto,
é natural
eu não parei de viver.
A gente apenas repete(tal e qual)
tudo que escuta e que vê, ( não leve a mal)
Pois gente grande eu queria
ser um dia
todo igualzinho a você [...]"



Neste mavioso conjunto de letra e música, o compositor Billy Blanco deu voz às crianças de hoje e de sempre, traduzindo com terna sensibilidade os gostos e jeitos do ser criança,cantando em versos a beleza dos desejos infantis. Uma música que enternece e faz pensar com carinho sobre nossos "atos adultos."


"__Eu nunca vou esquecer a forma que meu pai me acordava cantando todos os dias.Me sentia segura."
( Marisol_ filha de Billy)



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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Cadê o toucinho que estava aqui?











Minha manhã cronometrada já avisava que o período destinado à caminhada tinha acionado meu cuco particular, então, era sair agora ou pular esse ítem da agenda do dia e prosseguir; o que me deu mais pressa na procura da minha viseira.Abre armário, olha no quartinho, no banheiro, no gavetão da cama...e nada até agora.Não que a viseira seja componente imprescindível, mas que ajuda com a luminosidade e a proteção pro rosto, isto,sem dúvida.Mas, o desconforto maior nessas horas de busca é a falha da dita memória recente. É desconfortável pra caramba a certeza de que temos um objeto, sabemos que o colocamos dentro de casa e não lembramos de imediato seus rastros. Aí, é um tal de pensamento invasivo atravessar  nosso córtex distraído nos deixando com um elefante atrás das orelhas pesando perguntinhas capciosas:
" Como vc se esqueceu de onde guardou a viseira(?) Hum, a memória tá falhando à beça, heim..."

E, feito análise combinatória vamos achando que precisamos tomar ginko biloba, exercitar mais a memória e até consultar um especialista pra fazer uns exames...neura total.Haja coisa sumida pra haver neurose acontecida.Só que fica meio impossível não pensarmos em todas essas possibilidades em meio a tantos alertas informativos, artigos, vídeos e causos verídicos.Claro que não é caso de psicose instalada, pois quem não perdeu chaves, óculos, livros e coisistas mais em qualquer idade da vida? Mesmo sendo comprovado que a idade não é condição primordial e o filme do ano, " Para sempre Alice", registra isso.Triste, mas real e certamente quando vemos as primaveras se acumularem ficamos mais suscetíveis a estes pensamentos e alimentamos nossos elefantes brancos.Em ocasiões assim, havia um dito popular entre nós, colegas professoras: "Espanta o alemão!"

Só pra constar, achei a viseira dois dias depois dentro do buffet da sala.
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Ilustrando melhor o assunto, visite:
www.minhavida.com.br/saiba diferenciar Alzheimer e envelhecimento.






sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Das coisinhas tidas








Estes tempos de incertezas aumentam as precauções até com os pequenos acontecimentos, focando a  atenção a certos cuidados básicos. Por isso e mais, trago sempre um guarda-chuva na bolsa, outro no carro. Penso que assim estarei prevenida pra qualquer contratempo do clima, e  perco o número de vezes que fui pega em chuvaradas ventosas de dobrar o frágil apetrecho que tenha em mãos.Aquele, que achei me protegeria da intempérie, seria abrigo e, qual o quê, mostra-se ineficiente como tantas outras coisas cotidianas em que depositamos a máxima confiança de uso e nos deixam na mão. Faz parte das inconstâncias.Diz uma amiga que isso serve pra destrancar os cadeados que colocamos nos dias e mostrar-nos que por mais que planejemos, a vida sempre segura o lápis por cima da nossa mão e conduz o desenho.Então, creio ser melhor, rirmos ensopadas de chuva aproveitando o momento-criança para sair chutando a poça d'água, sem esquecer de agradecer aos céus o bendito aguaceiro.
Como repete muito o marido: "Chuva fina não me molha. Sereno não vai me molhar( ditado popular).E neste cenário é mais adequado a gente exibir um guarda-chuva cinematográfico e sair por aí, de preferência,cantarolando.



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Crônica de Rubem Braga maio 2014 trecho 

Já tive muitas capas e infinitos e guarda-chuvas[...]

Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já notado por outras pessoas, de ser o guarda-chuva o objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou apenas um quarentão , e praticamente nenhum objeto de minha infância existe mais em sua forma primitiva. De máquinas como telefone, automóvel, etc., nem é bom falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma, de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para melhor; mas mudaram.
O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas. De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno.
Reparem que é um dos engenhos mais curiosos que o homem já inventou; tem ao mesmo tempo algo de ridículo e algo de fúnebre, essa pequena barraca ambulante.
Já na minha infância era um objeto de ares antiquados, que parecia vindo de épocas remotas, e uma de suas características era ser muito usado em enterros. Por outro lado, esse grande acompanhador de defuntos sempre teve, apesar de seu feitio grave, o costume leviano de se perder, de sumir, de mudar de dono. Ele na verdade só é fiel a seus amigos cem por cento, que com ele saem todo dia, faça chuva ou faça sol, apesar dos motejos alheios; a estes, respeita. O freguês vulgar e ocasional, este o irrita, e ele se aproveita da primeira distração para fugir.
Nada disso, entretanto, lhe tira o ar honrado. Ali está ele, meio aberto, ainda molhado, choroso; descansa com uma espécie de humildade ou paciência humana; se tivesse liberdade de movimentos não duvido que iria para cima do telhado quentar sol, como fazem os urubus.[...]




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