domingo, 15 de maio de 2011

Barulho na Cozinha


Estava na cozinha temperando as carnes do almoço de hoje, domingo. Distraída ao som do rádio tocando Gonzaguinha, me lembrei dum outro distante domingo de 74, quinze dias de casada. Acabara de entrar no apartamento novo, tudo estalando, pelo menos o essencial que havíamos comprado.E cheia de entusiasmo lá fui eu preparar o almoço de domingo, nosso primeiro domingo oficial como marido e mulher.

Procurei nas caixas da mudança ainda por arrumar, um livro ou revista que tivessem receitas, mas nada. Minha mãe não havia posto nenhum exemplar da minha querida coleção de Claudia, feita durante os oito meses de noivado. E agora? Quem poderia me salvar?

Na pia , o frango me esperava, inerte, cru, inteiro e desafiador.Como era mesmo que se fazia um frango assado?
Nem minha fresca memória de 18 anos me auxiliava. Filha única, só entrara na cozinha pra fazer brigadeiro e cachorro-quente.Tava frita!


Não queria dar o braço a torcer e sorridente sugerir que almoçácemos fora mais uma vez.Comecei a encenar uma preparação. Peguei o sal e a pimenta do reino(básicos),coloquei o frango numa vasilha e o pus debaixo d'água corrente querendo afogá-lo. Meu marido se aproximou curioso, perguntou como ia preparar o frango, disse-lhe que assado.

Então, ele me colocou de frente para realidade me perguntando:
___ Você já fez frango assado alguma vez?
Fiquei muda por segundos, mas não pude negar a verdade, um sonoro Não, saiu-me pela boca.
Amável, como todo marido de quinze dias, me disse pra deixar o frango pruma outra ocasião e fazer uma macarronada.

Suspirei aliviada. Corri para cumprir o combinado e toda lampeira, busquei na lembrança as feituras de macarrão já vistas.Abri pacotes, abri latas, fui fervendo tudo e por fim, voilá!

Minha primeira macarronada.
Não ficou tão bonita quanto essa aí, da foto, mas apesar de meio durinha e um tantinho salgada, deu pro repasto.
À noite, meu marido deu uma saidinha e voltou com pastéis e coxinhas para o lanche.
"Seguro, morreu de velho."
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Bom domingo pra vcs!

20 comentários:

  1. Calu,
    Crônica literalmente deliciosa! Pois está aí, outro dom que não tenho: a arte de cozinhar. No máximo, fazer um chá...rsrsrs...
    Mas, parece que saiu tudo a contento com a macarronada.
    Este é o post que eu diria típico de um domingo das nossas vidas: falar de um almoço com frango (ainda que somente vc tenha tentado) e macarrão. Lembrei-me dos almoços dominicais na casa de meus pais (deu até água na boca!hummmmm!!!!)
    Amei o que li e queria mais... Valeu, minha flor. Um excelente domingo pra você com um almoço regado de muito amor!!!Bjkas!

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  2. Calu adorei teu barulho!
    Eu não fui muito diferente. Quando fui morar no convento aos 17 anos, não sabia nem fazer arroz! Que absurdo!
    Sou a caçula, e nunca precisei ir para a cozinha.
    Mas sabe qual era a minha especialidade na cozinha? Todas me chamavam para fazer...ovo frito!
    É verdade. Ficava ao gosto de cada uma.
    Bjs e um domingo

    Em tempo
    Calu teu post está ótimo para participar da blogagem coletiva...
    vai lá e deixa teu link

    http://espiritual-idade.blogspot.com/2011/05/blogagem-coletiva-fases-da-vida.html

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  3. rsssssss...legais essas lembranças,não é? Miuit bom,pelo menos temos do que lembrar...beijos,chica

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  4. Olá, querida Calu

    "Na ternura de um amanhecer,
    Eu observei a beleza do orvalho".
    (Sandra)

    Vc foi até os 18 na fase da adolescência... e eu até os 16 hoje... pois dos 17 em diante deixei pra outra fase...
    Muito legal, o casamento na fase do que se chama adolescência... naquela época era assim mesmo... tudo muito cedo...
    A inexperiência sendo compreendida pelo marido enamorado... que maravilha!!!
    Valeu mesmo!!!
    Seja bem vinda e vamos esperar vc pra póxima fase, viu???

    Tenha um excelente Domingo de paz e alegria.
    Bj com gosto de adolescência (o lado bom dela).

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  5. kkkkkkkkkkkkkkkk
    Tenho que rir.
    Me vi na cena.
    Haja macarronada e mais nada.
    Tadinho do marido ( o meu ).
    Hoje ele pilota o fogão maravilhosamente, mas também, se for esperar esta mulher fazer algo descente, tá perdido.
    E eu saio ganhando, hummmmmmm....

    mas hoje eu fiz o pudim...só Deus sabe como estará...
    depois eu conto.

    beijinhos

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  6. Calu,
    Estava precisando de mais diversão essa fase e aqui encontrei uma crônica muita divertida.
    Com 18 anos e já casada!
    Tendo a compreensão do marido, tudo se releva.
    Quando casei também não fazia quase nada, mas a gente aprende e faz com gosto, não é?
    Não conhecia seu blog e a coletiva me deu essa oportunidade.
    Muito boa sua participação!
    Bjs.

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  7. Calu...eu adoro qdo vc escreve!
    Adorei o texto, e quase morri de ri com o frango desafiador!!! hahahaha...me identifiquei, cozinho razoavelmente bem, mas confesso que o frango ainda é um grande mistério pra mim...rsrs

    Minha amiga, seus textos são tão ricos, assim como seus comentários que engrandecem de forma ímpar os posts de teus amigos...
    acho que vc deveria postar mais coisas de autoria sua aqui... tenho certeza que iria agradar a muita muita gente!!

    Um beijo, minha querida!
    Bom domingo!

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  8. parabens pela postagem! tambem estou nela:
    http://anacristinap.blogspot.com/2011/05/blogagem-coletiva-fases-da-vida.html#comments
    bjo

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  9. Tambem participo da blogagem coletiva:
    http://mariazinhap.blogspot.com/2011/05/blogagem-coletiva-fases-da-vida.html
    Parabens pela sua postagem!
    Beijos

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  10. Calu, querida!
    Pois eu também era uma marinheira de primeira viagem para pilotar o fogão, massssssss
    comprei uma coleção muito legal e facinha de fazer as coisas (ainda a tenho lá em Petrópolis) e todo dia eu lia pela manhã o que iria fazer para o jantar, comprava e fazia igualzinho à receita.
    Eu fui até muito bem para alguém que nunca havia feito nada na casa dos meus país, no entanto, hoje, ando medrosa diante do fogão e tenho paúra de me arriscar a cozinhar para mais de 4 pessoas. Coisa de doido mesmo.
    Gostei do seu modo simples e bem humorado de contar história. Pode contar mais. hehe
    um super beijo carioca

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  11. Bem original a blogada!!Parabéns.A coletiva nos traz bons ensinamentos e lembranças,Vou seguir seu blog.Bjssssssssss

    Minha participação está no blog Rumos Libertadores: http://rumoslibertadores.blogspot.com
    Comente e concorra a um livro pela loteria federal ,até o dia 28/05,A SUA ESCOLHA!!SE QUISER SEGUIR,POOOOOOOOOODE!!!!E EU AGRADEÇO!!!

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  12. Meninas lindas,
    fico imaginando nós todas numa confortável sala, diante duma mesa de café e guloseimas, conversando muito e rindo à tôa.Ô glória!
    Tenho fé que iremos logo, logo, realizar esse sonho meu.
    Obrigada pelo carinho de todas. Vcs são uns amores.
    Bjo grande.

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  13. Olá Calu...adorei o ...amável, como todo marido de quinze dias...rsrsrs!
    Quem de nós não passou por isso, amiga?!
    Parabéns pelo texto extrovertido, alegre!
    Bjuss!!!

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  14. Muito legal seu post...
    Paz e bem

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  15. rsrsrsrs, eu não sabia fazer café, Calu!!
    Hoje já posso dizer que me viro muito bem quando preciso, adoro inventar coisas bem diferentes. Mas um segredinho, amiga: odeio cozinha! Mas odiando ou não, de vez em quando tenho de conversar com as panelas!

    Um beijo e meu carinho.
    Tais Luso

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  16. Calu,
    bem vinda à nossa coletiva.
    Credo, 18 anos e já casada!
    Adorei as peripecias do frango e da macarronada, salvas pelos pasteis e coxinhas.
    O amor é lindo! Bons tempos esses de extrema compreensão de marido de 15 dias :)
    Vc era muito novinha mesmo. Foi uma adolescencia e tanto, com casamento à mistura e tudo. Depois disso teve de crescer depressa não?
    Beijinhos de Portugal,
    Rute

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  17. KKKKKKKKKKK Adorei Calu! Adorei principalmente seu jeito coloquial e informal de escrever. Muito bem contada essa estória! Me fez lembrar de uma sopa que fiz, tb recém casada e que era puro sal...meu marido, coitado, comeu calado e ainda elogiou...nada como a paixão dos primeiros anos...hehe beijos, amei!

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  18. Minhas lindas meninas,
    nessas passagens tão parecidas da vida de cada uma, nos vemos defronte à peripécias inesquecíveis.
    Que bom que gostaram das minhas travessuras.
    Bjos, Rute,Taís,Rachel,Bel Rech e Glorinha.

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  19. Calu,
    Adorei a história, "a primeira refeição a gente nunca esquece", não é mesmo. E depois então ela fica tão divertida.
    Bjs.

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  20. Cozinhar é dom! E não é que a macarronada saiu? Durinha e salgadinha, mas saiu. A minha não! :(
    Não sabia fazer nada na cozinha e um sobrinho já adulto foi passar uns dias em casa. Ele me ensinou a fazer arroz e batata frita.
    Um belo dia fiquei com vontade de comer macarronada e liguei para ele "Dudu, como se faz macarronada?" e ele "Do mesmo modo que o arroz, deixa dentro d'água para cozinhar"
    Fui para a cozinha procurar uma panela para fazer a tal e cheguei a conclusão que as panelas que cozinham massa eram grandes porque é muito difícil refogar macarrão em panela pequena :(
    Boa semana! Beijus,

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Teu comentário é o fractal que faltava neste mosaico.
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