sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Memórias doces



" Nana neném, que a cuca vem pegar,
papai foi pra roça
 mamãe foi trabalhar.
Desce gatinho 
de cima do telhado,
pra ver se a criança
dorme um sono sossegado!" 



Claramente estou numa fase alta do meu vovozar. Não que, desde que alcei esse posto, tenha deixado a intensidade amornar, porém, vejo que para além das vivências rotineiras com os netos e netas, alio frequentemente as doces lembranças deles quando pequeninos. Aqui estico o assunto do post anterior e me deixo vagar pelas fotos  e ocasiões muito queridas com todos eles pequeninos em meus braços. Momentos que se fundiam nas lembranças de seus pais em mesma fase da vida, quando os embalava cantando  cantigas de ninar. 

Tendo lido um texto interessante sobre o efeito das canções de ninar, foi-me impossível não revisitar esse tempo tão precioso. 


" SE vasculhar bem suas memórias mais profundas, talvez se lembre que muitas das suas lembranças sonoras mais antigas são canções de ninar, entoadas por vozes familiares, talvez de uma avó, um pai, mas muito provavelmente de uma mãe. A voz materna e as canções de ninar estão aí para nos lembrar que certos sons  são fundamentais para sustentar a arquitetura de nosso ser, chegando até a ter potencial curativo[...]" 
(lunetas.com.br/canções de ninar)  


Será que o universo está me mandando um recado? Será que a família vai aumentar em breve. Será??? 






domingo, 3 de novembro de 2019

O tempo na palma da mão






Meus pequenos já são garotos grandes, como costumo dizer. Ontem mesmo, eu os ninava, dava-lhes banho, alimentava e curtia brincadeiras bobinhas propostas por eles, tudo pra vê-los felizes, sorridentes e sentindo-se amados.

Ontem mesmo, os observava bebezinhos de dias pra descobrir os traços fisionômicos que os definiam "parecidos", com o pai, com a mãe, com a avó e com quem mais se habilitasse a apontar semelhanças. E tome a brotar palpites na fala dos adultos -babões: com quem mais se parece o bebê?

Ontem mesmo, via seus gostos, o jeito de andar, os brinquedos preferidos, a maneira de dormir... Ontem mesmo, toda atenção se fazia em vê-los crescerem fortes e felizes.

Hoje, outras medidas se mostram. Com hábitos e gostos mais definidos, eles se desenham em suas próprias características mas, deixam ver semelhanças herdadas, bem misturadas, porém, presentes em falas e preferências conhecidas.

Contorna-se o perfil de suas personalidades em formação. Resmungos, amuos, satisfações, ousadias, aprovações. A educação aqui se aprimora. Vai muito além da simples cortesia e dos bons modos; é formação de valores e princípios. A dedicação dos pais se adensa e tem de assim ser. 

Daqui pra adiante haverá a soma de todas heranças recebidas através das gerações que os precederam.

Coloco-me como guardiã dos melhores bens a serem transmitidos pra eles e para os meus outros netos e netas.

Deixo aqui um pequeno trecho que muito aprecio, escrito por Edith Casal, sobre: "A herança emocional dos nossos antepassados." 


"A herança emocional é tão decisiva quanto intransigente e impositora. Estamos enganados quando pensamos que a nossa história começou quando emitimos o nosso primeiro choro. Pensar dessa forma é um erro, porque assim como somos o fruto da união do óvulo e do esperma, também somos um produto dos desejos, fantasias, medos e toda uma constelação de emoções e percepções que se misturaram para dar origem a uma nova vida.

Atualmente falamos muito sobre o conceito de “história familiar”. Quando uma pessoa nasce, ela começa a escrever uma história com suas ações. Se observarmos as histórias de cada membro de uma família, encontraremos semelhanças essenciais e objetivos comuns. Parece que cada indivíduo é um capítulo de uma história maior, que está sendo escrita ao longo de diferentes gerações."

( in:culturacarioca.com.br)





domingo, 27 de outubro de 2019

Eis meu lamento





Ontem,passando por São Cristóvão, bairro antigo do centro do Rio que teve sua época áurea no IIº império e nos anos iniciais da república recém-instaurada, vi com pesar o estado degradante que se apresenta. Muros e fachadas de casas e prédios totalmente pichados/rabiscados em clara intenção vandalizadora. A arquitetura clássica do casario resiste bravamente ao estado de deterioração reinante. Um local que guarda em suas construções parte da história da cidade e do país, encontra-se em profundo desterro dentro do próprio território.

Não há vontade particular e nem pública( esta, não mesmo) de promover uma revitalização urgente. Preservar e cuidar não fazem parte do dicionário da classe política local. Os verbetes em pauta permanente são outros, bem os sabemos quais. 

Frustração é a palavra que me destaca, pra registrar o mínimo de desolação ante tantas situações iguais espalhadas por outras regiões da cidade do Rio de Janeiro. A imagem que aponto aos bambas do power point seria um mapa do Brasil tendo a cidade descolada do território, pairando suspensa por uma espécie de cordão a sustentá-la, porém, deixando-a inatingível.

A cidade está tristemente degradada em seus espaços sociais e culturais, vilipendiada em valores e princípios, descarnada em suas raízes.                 Pobre Rio de Janeiro! 






sábado, 19 de outubro de 2019

Imagens das terras de lá



Quero tocar nas rendas
bordadas pelo Grande Mistério,
 saber como surgiram e, assim,
 arvorar-me com larguidão.




Quero dispor do som
 que reverbera nas folhagens velhas,
 aconselhando as novatas. 



Quero inteireza para ver
 as luminescências e,
 bailar sob as claridades! 
( 3x Eu)


O sábio egípcio Hermes Trimegisto, revelou:
"Tudo na Criação é movimento, energia e vibração." 




Palavras de um amante das árvores, especialmente, os ipês:

"Toda alma é uma música que se toca. Quis muito ser pianista. Fracassei.Não tinha talento. Mas, descobri que posso fazer música com palavras.Assim, toco a minha música... Outras pessoas, ouvindo a minha música, podem sentir sua carne reverberando como um instrumento musical. Quando isso acontece, sei que não estou só.Se alguém, lendo o que escrevo, sente um movimento na alma, é porque somos iguais. A poesia revela comunhão." 
( Rubem Alves) 





sábado, 12 de outubro de 2019

Como é bom ser criança

Em passeio divertido ao Canada Science and Technology Museum, meus pequenos se encantaram com todas as experiências. Um dia cheio e bastante feliz!

 Olhinhos brilhantes, 
 mãozinhas agitadas,
passadas corridas,
surpresas achadas.



Todo interesse
 se espalha ao redor,
 querer tudo ver,
querer ser maior.




O novo surpreende
 agiganta, seduz,
maravilhas ,
descobertas,
 assombros, produz.






O espaço é ali,
 fronteira sem fim,
heróis do agora,
 derrubam limites
comendo amendoim. 






Capitães de curso certo,
 avistam além 
do largo horizonte,
mapeiam, calculam,
 rumos que advém. 



" Ai, que prazer
Não cumprir um dever,
ter um livro pra ler
e não o fazer!
(...) Grande é a poesia, 
a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo
são as crianças!" 
( Fernando Pessoa)



Feliz Dia das Crianças, pessoal!