quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O que pode cair do céu










Achei muita graça da charge do Miguel Paiva hoje no jornal "O Globo", o que afinal é o foco esperado neste tipo de linguagem, porém há uma favorável combinação de fatores, como: o dia chuvoso , as preocupações modernas do personagem e as memórias a que me remetem todo o conjunto.O gatão de meia-idade segura um guarda-chuva debaixo duma nuvem virtual e declara:  "__Já pensou se a nuvem resolve chover todos os meus dados armazenados?" 

Não faz tanto tempo assim que quase todas as áreas profissionais lidavam(lidam) com enorme quantidade de anotações, relatórios, planilhas,artigos, teses e outros, registrados em velhas e conhecidas resmas de papel de toda ordem.Os(as) mais organizados costumavam manter até um arquivo particular para acesso rápido e seguro de suas escritas, fossem essas de caráter profissional ou pessoal. Valia e ainda valem as pastinhas- arquivo, caixas elaboradas, amarradinhos de toda sorte ou mesmo pilhas balouçantes sobre qualquer móvel que lhes dê uma brecha.Os desorganizados viviam(vivem) em meio a um caos estabelecido e quando são questionados soltam a réplica conhecida:" Eu me acho na minha bagunça"; só ele(a) mesmo!

A quantidade de papéis soltos, encadernados,catalogados ainda é sugestiva embora possamos contar com nossos arquivos no PC, creio que nem todo mundo confia cegamente nesta ferramenta.Quantos de nós já arrancaram os cabelos ao perderem seus trabalhos/artigos ou o que seja que havia sido guardado em fascículos enumerados duma obra de volume? Vixe, tem é gente que passou(passa) por tal aperto.Aí bate uma dúvida: "E se eu tivesse impresso tudo, agora teria como resgatar o que se perdeu na nuvem passageira."Pois é, fica-se fabulando sobre o leite derramado e querendo um milagre tecnológico à mão.Só que reveses não acontecem apenas por aqui.

A história oficial registra milhares de documentos perdidos nas brumas do tempo, agora, reencontrados.O que estará pensando Napoleão em seu mausoléu acerca de seu valioso testamento recém encontrado?Um documento que seria valioso somente pra ele e os seus, mas que o tempo se encarregou de elevá-lo à categoria de rara e cara preciosidade, indo a leilão.E os escritores distraídos que ao carregarem seus manuscritos de um lado para o outro perdem folhas ao vento e só dão pela falta muito tempo depois.Tem uma cena na comédia romântica Simplesmente Amor, onde um escritor compenetrado em sua inspiração, datilografa seu romance á beira dum lago quando uma moça ao vir lhe trazer um chá desprende as folhas de cima da mesa que saem feito borboletas em vôo e pousam nas águas plácidas diante do desesperado autor.

Caso semelhante aconteceu com uma colega do curso de francês.Numa viagem no mês de maio á Provence, ela e o marido alugaram um carro para o fácil deslocamento entre as cidades da região.Toda entusiasmada com os passeios, resolveu fazer um diário de viagem em francês e seguia anotando e opinando sobre tudo o que via e vivia.Ao chegarem na terceira etapa do itinerário numa das cidadezinhas típicas, deixaram o carro aberto e saíram pelos arredores.Não deu outra coisa.Ao retornarem não encontraram mais o diário, o saco de roupas para lavar e nem a necessaire dela; ao que nos contou chorosa: "__ Nem me preocupei com as roupas e cosméticos, mas o que meu doeu foi terem levado meu diário.Devem estar rindo até hoje dos meus erros de francês!" 

Hoje a gente tem de torcer pra que do céu caia apenas água, rsrsrsrsrss!




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Imagem: weheartit(rain) 
Obs: não consegui trazer a referida charge pra cá ( ...novidade,rsrs)

11 comentários:

  1. Calu,eu tenho pavor de perder as coisas que escrevo tb,confesso! Então salvo num pen drive.São partes da vida da gente,coisas que sentimos e pensamos e seria triste se uma nuvem as levasse embora. Quem sabe um dia nossos blogs não servirão aos historiadores do futuro para a compreensão de nossa época?...rss...Gostei demais do seu texto e como viu,me levou longe na reflexão , pensando coisas que nunca imaginei! Um bom texto faz isso com a gente,parabéns! E guarde bem guardadinho pro futuro!...rss...bjs,

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  2. rsssssssss...Muito bom e com tantas modernidades o melhor é que a NUVEM não desabe sobre nossas cabeças,rs Adorei o texto! beijos,tudo de bom,chica

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  3. Texto maravilhoso Calu! Tenho pavor de perder minhas escritas rsrsrs.
    Se desejar me seguir terei o prazer de retribuir!!!
    Obrigada pela visita e pelo carinho querida!
    Beijinhos sempre...

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  4. Adorei o texto. Tenho uma boa papelada rsrsr ainda não coloquei tudo no PC (e nem sei se colocarei).
    Quantas nuvens sobre nossas cabeças ............ o que elas terão para nós?
    Fica a dúvida.
    Beijos querida.

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  5. A nuvem virtual tá só crescendo, acredito que um dia aconteça isso mesmo, uma grande explosão de dados por aí, quem sabe!
    Já sabemos que a verdade sempre vem à tona, como no caso dos documentos de Napoleão e os dessa semana na Argentina sobre a ditadura, papéis denunciam a qualquer tempo e no futuro serão nossos documentos virtuais que funcionarão da mesma forma. Penso como a Anne disse acima, um dia poderão descobrir muito da civilização de nossos tempos através do que deixamos impressos nesta imensa rede. Lembrou-me a música de Chico, "Os Escafandristas virão. Explorar sua casa. Seu quarto, suas coisas. Sua alma, desvãos..."
    O mundo moderno está aí imperando, mas o pensamento humano continua sendo colocado em letras de alguma forma para todo o sempre.
    Belo texto, ótimas reflexões!
    beijinhos cariocas





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  6. Adorei.
    Tb não gosto de perder nada.
    Bju

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  7. Amiga, pois é, e assim tbm espero! (rs*)
    Sabe que já perdi mtos arquivos em formatações mal feitas? Nossa, fiquei sem chão!
    Hj estou bastante atenta à isso pq não quero correr mais o risco de perder as preciosidades que vou guardando no meu baú virtual.
    Bjs e um lindo final de semana pra vc, amiga!

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  8. Ai... eu não quero que essa caia essa chuva dos meus dados não, hahhaha! Ótimo texto! Um abraço!

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  9. Ixi, se cair chuva com meus dados estarei completamente perdida!
    Durante muito tempo trabalhei em CPD em indústrias. Naquela época (anos 80), não existiam computadores de mesa, e sim um sala com computadores e os funcionários digitando toda a papelada da indústria.
    E algumas vezes perdi arquivos, sem volta! Daí fazíamos backup sempre e era só voltar o backup dos "disquetes" e pronto!
    Uma agonia... perder seja lá o que for e como for sempre é muito complicado.

    Calu, minha querida, um lindo domingo!
    Beijos

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  10. Que ótimo, Calu! De fato é tanta informação acumulada em lugar nenhum que se formos pensar a respeito dá até um certo desespero... Eu salvo meus arquivos mais importantes em pen-drives, pois morro de medo de perder meus escritos!
    Adorei seus comentários no minasdemim!
    Abraço, ótima semana!

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  11. Nossa Calu, que texto maravilhoso!
    Voce me fez lembrar das minhas agendas e diários em minhas viagens, me prendeu demais essa leitura.
    Obrigada por sua visita.
    Ah! quando à ZIZI já somos seguidoras, obrigada pela sugestão, mto boa mesmo. Bjus.

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Teu comentário é o fractal que faltava neste mosaico.
Obrigada por tua presença querida!