sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Consumismo X Tradição - BC Consumismo em época de fim de ano/ Escritos Lisérgicos



Natal em outras épocas

Sorvia apreciadamente o café recém-coado sentada à mesa da cozinha naquele finzinho de tarde do dia de Natal.A casa voltava pouco a pouco a quietude habitual, os dois filhos e os netos mais velhos haviam se despedido há poucos minutos, a filha e o marido arrumavam as coisas para irem também, sua irmã andava de um lado para o outro guardando a louça, recolhendo as toalhas, parecendo uma formiguinha carregadeira.Ela via os movimentos, ouvia os falatórios mas absorta em recordações fitava distante todo o rebuliço da casa.
Viu-se criança, ela, a irmã e o irmãozinho sentados à mesa da ceia após a missa do galo.Todos usando suas melhores roupas.Viu-se de mãos dadas aos pais, caminhando para a igrejinha como em todos os natais vividos na tradição cristã da data.Ela e os irmãos vestiam-se com capricho sim, em suas roupinhas costuradas pela mãe que fazia milagres com retalhos e sobras de tecidos das clientes. 
Perguntava-se quando teria se iniciado toda esta loucura consumista no Natal.Adultos, crianças, todos preocupados em comprar, comprar, esquecendo-se da alegria que é dar presentes singelos, que tenham em si o significado da comemoração.O gesto dos três reis magos representa tradição de amor e reconhecimento , nunca ostentação. Será que isto começou no pós guerra ou quando o 1º aparelho de TV desembarcou em terras tupiniquins trazendo dentro dele as imagens sedutoras do sonho americano e suas modernas invenções facilitadoras do dia-a-dia? Qual dona de casa não sonhava com um aspirador de pó, uma batedeira elétrica, uma geladeira?
Começou por aí e sem que ninguém se apercebesse os apelos ao consumo de coisas, de marcas, de bens que ganhou vida própria tornou-se o leviatã que hoje escancara sua bocarra dentada engolindo valores, mitificando a posse,a satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.Como lamentava este estado em que vê  muitos mergulhados e iludidos de que estão no melhor dos mundos.
Há muito terminou seu café,mas mantinha a caneca entre as mãos apoiadas sobre a mesa.O olhar indo do presente ao passado só aumentava a saudade dos natais da sua infância, da sua juventude e mesmo os da fase adulta com marido e filhos crescendo ao redor das tradições que aprendera a respeitar, se alguns tinham se deixado fisgar pela sedução consumista, lamentava, porém, ela não abriria mão de suas crenças e tradições natalinas: árvore enfeitada e presentes feitos à mão com todo carinho lembrando que o amor se encontra em pequenos gestos.
******** 
Com este conto, participo da BC proposta pelo parceiro Christian V. Louis do, escritos lisérgicos.blogspot.com, numa reflexão necessária a esta época do ano que corre o risco de perder-se nas brumas da ilusão consumista.Trazermos à luz tudo o que se esconde revela os passos que estão sendo dados.
Obrigada, Christian!

12 comentários:

  1. Lindo te ler e sentir essa emoção... Um Natal mnão precisa de nada de fora, grandiosos pra ser legal. O Menino que nasce é simples e singelo em sua grandiosidade. Pra que tantos aparatos ? Tantas complicações?


    beijos,desejando um FELIZ 2013 e que nos encontremos sempre nele, com alegria, amor, saúde e tudo de bom e que possamos vê-lo sorridente chegando e continuando assim... chica

    ResponderExcluir
  2. Pois é, né Calu, quando começou??????

    Belíssimo conto!
    Tenha um feliz 2013!

    Abração
    Jan

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Calu.. como sempre textos maravilhoso que nos levam a reflexão né?
    Como bem disse ao final, o importante é nunca deixarmos que esse consumismo venha nos tirar aquilo que é mais importante, os pequenos gestos que nos trazem as verdadeiras felicidades.
    Um beijo minha linda e parabéns por mais essa maravilhosa participação..
    A minha eu postarei esse fim de semana..
    Uma sexta-feira especial viu?

    ResponderExcluir
  4. Non compro niente questo Natale di particolare ne regali ne altre cose,solo le torte di compleano mio marito dopo natale.
    Hai ragione il riguardo consumismo.Solo una perdita di soldi per guadagnare le case produzione.piu impportante, la perdita di valore della festa stessa.

    unabbraccio forte e buon l'ultima settima del anno

    ResponderExcluir
  5. ♥¸.•**•.¸ ¸.♥♥¸.•**•.¸ ¸.♥♥¸.•*
    Olá boa sexta feira, chegando o final
    de ano, eu vim deixar um abraço, elogiar seu Blog mais uma vez, e dizer que em 2013, espero que nossa
    amizade continue assim com muita alegria,um final de semana cheio de
    felicidades pra você
    Bjuss
    Rita!!!!
    ¨`*• (¨`•.•´¨) ♡ .•*

    ResponderExcluir
  6. O natal tem um cheiro de infância né? e o consumismo destrói isso.calu tenha um 2013 lindo! cheio de paz
    beijo

    ResponderExcluir
  7. "Trazermos à luz tudo o que se esconde revela os passos que estão sendo dados."...Calu, que pérola de frase para finalizar um belo texto! É interessante, hoje vejo claramente o quanto os rituais da família no Natal na infância ficaram muito mais marcados do que os presentes que recebemos. Identificação com seus escritos surgidos da alma.
    Calu, a conheço há pouco tempo mas já gosto muito de ti. Quero agradecer seu carinho, suas partilhas de sabedoria, e desejar que seu novo ano seja maravilhoso, com momentos extraordinários e inesquecíveis.
    Um abraço, sucesso em 2013!

    ResponderExcluir
  8. "amor se encontra em pequenos gestos" que seu 2013 seja repleto de muito amor!
    beijão
    Jussara

    ResponderExcluir
  9. Olá Calu!

    Ideia original fazeres desta bc um conto de Natal, mas este não é banal, não.
    É uma história muito criativa que mostra a realidade de uma vida e um Natal real em tempos idos.
    Obrigada pelo comentário e pela visita, volta sempre que és bem-vinda.
    Parabéns pela tua participação e feliz 2013 com muitas realizações.

    Beijinhos,

    Cris Henriques

    http://oqueomeucoracaodiz.blogspot.com

    ResponderExcluir
  10. Boa noite Calu!

    Que maravilha de conto!
    Enquanto lia, devagar, sorvendo cada palavra como a personagem ( você?) sorvia o café eu visualizava a cena, e me via nela, estampada, porque, foi exatamente assim, como ela, pensando nos Natais do passado, que elaborei meu texto "Bonecas de Pano e a Verdade.
    O seu conto, além de abordar uma deliciosa cena doméstica,a qual eu aprecio muito, contém um lirismo doce, apesar de tratar de um tema carrancudo que é o consumismo.

    Muito grata, Calu, pela visita e comentário lá no Sementes Preciosas. Adorei!

    Feliz Ano Novo e feliz tudo pra você e sua família!

    Bjos da Lu...

    ResponderExcluir
  11. Calu, adoro ler contos de Natal. Esta data parece inspirar muito os autores, por este motivo não foi a toa que a escolhi como tema da nossa 1ª Antologia.
    Seu conto me fez pensar a respeito do consumismo em específico do Natal, porque o consumismo, creio eu, começou desde que inventaram o dinheiro e não a televisão.
    E tenho certeza que tanto a televisão quanto a internet, contribuem muito para alimentar o consumismo, o qual todos nós, temos em um grau, uns mais elevados do que outros.
    Espero que seu Natal tenha sido como o do conto, sem abrir mão das crenças e tradições natalinas.
    Abraço.

    => CLIQUE => ESCRITOS LISÉRGICOS...

    ResponderExcluir
  12. Olá, querida Calu
    Sabe, com vc eu posso abrir o meu coração: estou fora de muita coisa no lar... cada vez procuro minimizar trabalho e desperdício... Deus me ajuda muito me privando, propositalmente, do supérfluo... ELE abre as portas do Céu para mim em tudo mas para o luxo não, ainda bem!!!
    Bjs de paz e bem em 2013

    ResponderExcluir

Teu comentário é o fractal que faltava neste mosaico.
Obrigada por tua presença querida!