quarta-feira, 14 de setembro de 2011

BCFV_ Morte


Este é o tamanho de minha indagação; como definir a Morte?Tentar dizê-la para além das máximas físicas, pois dessas,já estamos bem informados.Buscar ajuda aos poetas, aos contistas que bem ou mal a usam como tema, como gancho em suas tramas?E aos pintores, aos escritores( como Markus Zusak em, A menina que roubava livros)? E aos fotógrafos?E aos cronistas diários que são compelidos a tê-la rondando suas linhas?E aos amigos, aos familiares, aos colegas de trabalho, todos que de alguma forma já cruzaram com "ela"?

Desconfio que ajuda não me faltaria, pois, difícil é o ser vivente que não tenha visto, ao menos de longe, a Morte acontecer.Seja num ente querido, num animalzinho, numa planta, na natureza, nas cidades e até em seus próprios dias de rotina, onde se encontram as pequenas mortes diárias, como a morte de um sonho, de uma amizade, de uma promessa, de um amor, de uma confiança...Se decantarmos nosso olhar veremos que estamos cercados de vidas e também de mortes, que não são finais, mas recorrentes em alguns casos.E o que elas nos ensinam?Muito!

Sinto que a partir da certeza da finitude que há na vida é que nos movemos em busca de valorizá-la em todas as suas presenças e circunstâncias.Saber a morte como destino irremediável nos ajuda a avançar perante as agruras da vida trazendo um velho ditado na ponta da língua: Pra tudo há remédio, menos para a morte!Será?


E como tenho certeza de que não há certeza absoluta, quando for minha hora de deixar esse casulo fractal,que a partida seja na serenidade duma vida bem vivida. 


Na música do maestro Tom, embalamos as nossas contradições. 

Querida
Longa é a tarde, longa é a vida
De tristes flores, longa ferida
Longa é a dor do pecador, querida

Breve é o dia, breve é a vida
De breves flores na despedida
Longa é a dor do pecador, querida
Breve é a dor do trovador, querida

Longa é a praia, longa restinga
Da Marambaia à Joatinga
Grande é a fé do pescador, querida
E a longa espera do caçador, perdida

O dia passa e eu nessa lida
Longa é a arte, tão breve a vida
Louco é o desejo do amador, querida, querida...

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Artes: Alaya Gadeh

23 comentários:

  1. Lindo, lindo, lindo Calu, querida amiga...teu post tem a sabedoria dos que já viram a morte de perto e triunfaram sobre ela por simples amor à Vida!
    Se pensarmos que já começamos a morrer ao sermos gerados, passaremos a entender que a Morte é tão banal quanto viver...Apesar de ninguém querê-la por perto, o homem sofre em demasia por uma coisa que já nasce conosco, Beijo grande,

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  2. Que beleza de postagem Calu!
    Concordo com você:
    Difícil é o ser vivente que não tenha visto, ao menos de longe, a Morte acontecer.

    Se analisarmos no geral este fato se consuma todos os dias diante dos nossos olhos.
    Morre o dia ... nasce a noite.
    Morre a quarta ... nasce a quinta.
    E por aí vai!

    Dolorido é quando presenciamos a morte das pessoas que amamos.
    Fica a saudade!

    Em Julho perdi a última avó que me restava, com 100 anos de vida.
    E ela se foi assim ... sem doença.
    Pelo cansaço dos anos vividos e na minha frente.

    É uma cena que a gente jamais esquece!

    Ainda assim eu creio que existe um remédio pra morte.
    Ele se chama ... JESUS!

    Bom demais receber sua visita no meu humilde blog.
    Bjinhos

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  3. Parece uma coisa fácil ao se falar, mas na prática para cada um, tem um sentido.
    Na verdade, promessas de imortalidade de minha alma não me convencem, não gostaria de partir, adoro a vida e sinto o mesmo por aqueles a quem amo, mas não tem outro caminho, todos darão um dia neste mesmo lugar.
    Eu só quero tempo para ver novas vidas chegando em minha família e com saúde, claro.
    beijos cariocas

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  4. Ah, minha amiga,falar de morte é mesmo complexo,mas que a vida nos ensina a entende-la,mas dificil aceita-la.Ela vem, ja veio e voltará com suas garras afiadas e nos arrasta como uma Tsunami.Seria lindo poder querer como ir.Assim viver cada dia como se fosse ultimo,dentro de nossa sabedoria e consciencia. De minha infancia trago a morte com toda sua pompa,que assombrava as crianças e por coniver com ela,passei a entende-la como uma colhedora de frutos, que apos maduros precisam da colheita sob pena de apodrecer. Mas enquanto ela não vem, vamos fazendo poesia, cronicas e exercicios que nos ajude a recebe-la,quando da visita.
    Um abraço terno de paz.
    Bju.

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  5. Realmente Calu.. só nos damos conta do quanto a vida nos é importante quando deparamos com a presença da morte.. embora inevitável.. e por isso mesmo temos que fazer de nossa estadia neste plano a melhor que pudermos.

    Beijo grande em seu coração..
    Verinha

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  6. Linda, Calú, a tua participação!A morte nos acompanha nesta vida, e como disseste nos ensina e nos renova, foi assim que a descrevi, na minha publicação.
    Ainda volto para saborear melhor as tuas palavras!Cá são quase meia noite e meia!
    Beijinhos

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  7. Calu,
    Você usou a mesma tônica que eu nessa fase, "breve é a vida...".
    É bom saber aproveitá-la ao máximo!
    E a música do Tom fechou com chave de ouro.
    Bjs.

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  8. Calu, que mensagem intensa!
    Bonita, muito bonita!
    Vim aqui te dizer que a sua entrevista estará no Projetando Pessoas amanhã!!!
    Estou muito feliz por isso!!! Obrigada amiga!
    bjs Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com//

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  9. Querida Calu
    "...um ramo de jasmins todo orvalhado"...
    (Amara)

    Sabe, menina, vc é tão profunda nos seus posts... Parabéns!!!
    Muito reflexivo e contendo um senso de acolhimento do que é essência na vida efêmera que vivemos... Lindo!!!
    Fico com o que diz sobre a certeza de ter vivido bem... a consciência reta nos traz uma boa passagem, certamente!!!

    "Simpatia são dois galhos
    Banhados de bons orvalhos"...
    (Ieda)
    Um maravilhoso mês de setembro, repleto de gotículas de orvalho!!!
    Bjm de coração a coração pra VC...

    http://espiritual-idade.blogspot.com/

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  10. Calu, querida,

    Belo trabalho!Vou usar as palavras de um amigo: sabe, não penso muito nisso (morte e coisas ligadas a ela), quando chegar a hora, vejo o que acontece. Quero é uma vida de qualidade. O mais difícil da morte é a saudade de quem a gente ama e vê partir!

    Girassóis nos seus dias.
    Beijos

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  11. Querida Calu, sua entrevista ja é um sucesso! Obrigada pela gentileza da sua participação!
    bj carinhoso
    Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com//

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  12. Calu, seu texto é muito intenso e lindo. Parabéns.

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  13. Voltei, amei o seu blog, gosto muito de ser amiga de poetisa. Me hospedei por aqui. Beijos.

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  14. Gente querida,
    vcs enfeitam meus dias com a presença sempre carinhosa por aqui. Muito Obrigada de coração!
    Bjos, Bjos.

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  15. Olá minha querida, já amiga, além-mar :)

    Possuimos uma indignação parecida, feita de nuvem, feita de ar, que se enleva acima do horizonte...

    Também busco resposta nas artes, na espiritualidade, no esoterismo. Mas ainda vagueio no mar do questionamento. Bom, não é bem verdade...acho que começo obtendo as primeiras respostas, porém não tenho como comprovar. Mas há tanto que não temos como comprovar que já me basta acreditar, que a morte é uma passagem, porque não pode ser um termino (digo eu!).

    Sabe o que achei ++ engraçado no seu texto. Utilizou a minha frase de sempre: "Há solução para tudo menos para a morte" :)

    Minhas discipulas de profissão sempre riem e adoptam mais tarde essa máxima que repito sem cessar. A juventude stressa muito rápido com qualquer problema e aí eu ponho elas para "respirar". Vamos com calma meninas, "há solução para tudo, menos para a morte" :)

    E para terminar...
    fique sabendo que vc também enfeita meus dias.
    Grata pela sua amizade.
    Beijos.
    Rute

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  16. Calu, arrasou a começar pela foto espetacular! Realmente é um grande ponto de interrogação. Post completíssimo de grande maturidade e lutas vencidas. Adorei ler, aliás és uma escritora e tanto. Sou sua tiete, mesmo! Beijão!

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  17. Muito profundo, sintético e poético seu texto, Calu! Gostei muito de conhecer assim você mais um bocadinho.
    Muitos beijinhos e até sempre!
    Isabel

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  18. Olá Calu.
    Realmente é o único fato para o qual não há remédio, temos que ir!
    Beijos
    Maria Luiza (Lulú)

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  19. Olá, Calu!

    Apesar de tratar de morte, o seu texto é de uma leveza e beleza impressionantes. Adorei.

    Um grande abraço
    Socorro Melo

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  20. Calu querida Bom dia....belo texto..poema muito muto bonito..mas falar sobre a morte para mim não é coisa fácil...Não lido bem com ela..!! quase não aceito...como aceito a vida..
    Sei Deus tem propositos e nada é para sempre..Mas a morte de tudo para mim desde sentimentos,amizades,pessoas,animais,flores...soa triste demais e não posso pensar nisso...vou vivendo a vida....
    Mas foi bom esse seu texto,,temos que lidar com nossas limitaçoes..
    muitos beijos de boa noite...
    titi

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  21. "NASCER,VIVER,MORRER,PROGREDIR CONTINUAMENTE.TAL É A LEI"SIGAMOS EM FRENTE!Bjsss

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  22. Sempre encontramos uma saída para tudo, mas a morte não temos...e nem certeza do que será.Depois de fechar o olho o que acontece?!!Cada fase da nossa vida é uma morte para o nascimento de outra...e segue a vida...
    paz e bem

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  23. A morte é algo q incomoda. Muitas vezes não encontramos palavras para dizer a quem acaba de perder um ente querido. Mas se pensarmos q a morte não é o fim de tudo, conseguimos uma tranquilidade frente ao fato. É apenas uma mudança de estado físico. Muita paz!

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Teu comentário é o fractal que faltava neste mosaico.
Obrigada por tua presença querida!