SHsssssssssssssss, o vento canta e traz na melodia, cenas, lembranças, memórias afetivas que pousam suavemente em meu coração ansioso por este Pedaço de Amor que ficou lá atrás.
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Depois da algazarra, seguimos em fila comportada para a sala de aula.Meninas de um lado, meninos d'outro, fomos nos acomodando em nossas carteiras pra continuação do dia de aula naquele março quente de 66.Foi neste instante que vi sobre minha carteira a embalagem de caramelos.Perguntei á colega da direita.Não, não era dela. A da esquerda. Muito menos. Olhei em volta e nenhum semblante me revelava o autor(a) da proeza, que não passou despercebida das colegas em volta que logo começaram com as insinuações de praxe.
Fiquei vermelha, roxa,e a professora me acudiu ralhando que era hora do estudo e que as brincadeiras terminaram ali.Ainda perguntei a outros colegas se eram os donos dos incômodos caramelos, mas ninguém reclamou pertencimento.Acabou-se o dia e fui pra casa com os caramelos sacudindo na pasta não me deixando esquecer o acontecido.
Dia sim dia não, ou quase, e a cena se repetia após o recreio.Comecei a fingir que os havia esquecido e rapidamente os colocava dentro da pasta antes que as colegas dessem pelo acontecido.A curiosidade me queimava. Quem seria o gentil colega?Por que não se mostrava? Desfilei na memória todos os tímidos da sala, mas logo descartei a hipótese.Daí, listei os bagunceiros.Hum, não deveria ser nenhum deles.
Com a cabecinha dos 10/11 anos cheia de príncipes em garbosos cavalos brancos, comecei a sonhar com meu admirador secreto. Um conto de fadas moderno e eu era a princesa cobiçada, uau!!
Não demorou muito pra que minhas desconfianças se comprovassem.Um charmoso garoto, três carteiras atrás de mim, sempre gentil, num dia de coragem, quando eu entregava os cadernos de casa para a turma, roçou de leve minha mão ao chegar a vez do dele. Ah, pensei, bobagem minha.Estou sonhando acordada.Porém, não me convenci totalmente sobre minhas próprias defesas.
Chegou junho, festas juninas, quadrilhas, ensaios, muita movimentação por todo o colégio e claro em nossa turma também.A professora começou a montar os pares de nossa quadrilha perguntando a cada um se participaria da dança, quando ele, Romero, pediu para falar-lhe no ouvido.Ela surpresa concordou e enquanto ouvia o que ele lhe dizia olhou pra mim e sorriu. Me arrepiei da cabeças aos pés, acho que até empalideci, pois a colega do lado me perguntou se estava bem.Tudo se clareou naquele instante e dei nome e rosto ao meu príncipe sonhado. Agora, trocávamos olhares furtivos de quando em vez e um sorriso tímido escapava entre ele e eu.
Mal conversávamos, mas a menor proximidade, fosse na sala ou no recreio, meu coração disparava tão acelerado que eu tinha medo que as outras pessoas percebessem.
No dia marcado para o 1ºensaio, todos a postos no pátio ouvindo a professora chamar os pares da quadrilha, deu-se o esperado, nossa primeira aproximação. De mãos dadas, sem sequer conseguir olhá-lo, ouço sua voz sussurrar em meu ouvido: __ Você aceita um caramelo?
Este Primeiro Pedaço de Amor,enfeitou minhas ilusões de pré-adolescente num encantador idílio platônico, mas intensamente romântico onde me senti uma princesa dos contos de fadas cortejada por seu eleito.Durou o tempo letivo daquele ano, mas foi o marco da mudança em meu coração antes, infantil, depois primaveril.
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Imagens: weheartwit.com
brasilescola.org
selo_amor aos pedaços
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