sábado, 17 de junho de 2017

No ir e vir das marés





Tem sido recorrente a meus olhos encontrarem palavras comungadas em torno do singularmente fascinante a nos encantar simplesmente pela sua existência.Desconfio que esta seja uma máxima natural que sempre esteve presente e por malgrado humano passou e passa despercebida, disfarçada na ligeireza das horas e perdida em olhares superficiais.

Claro é, que as belezas da natureza saltam aos olhos, mais de uns, menos de outros, mas saltam alardeando em seu fulgor a magia em que consistem e existem.São elas vistas de pronto ou, às vezes com o vagar e o apaixonamento merecidos, ás vezes com uma mirada fugidia, isto vai pela intensidade de cada um(a) em seu sentir e ver o mundo em suas peculiaridades. 

Tais sintomas não acometem os blogueiros e blogueiras de meu estreito relacionamento    ( mesmo virtual). Reverberam por muitos ângulos da blogosfera, imagens lindas, destacadas, legendadas ou poeticamente enunciadas enaltecendo as maravilhas vistas e vividas. As emoções conjugadas, os saberes colhidos, os momentos preciosos, as somas trocadas em laços contínuos de caprichosos apreços.

É bem verdade que, os blogs têm estado num ritmo mais lento, vagarosamente alimentados por seus (suas)  capitães de longo-curso; curso ditado pelas exigências cotidianas, pelas obrigações falantes, pelos empenhos desvairados em conter os ponteiros do relógio que, como dizia Quintana:__"devora gerações inteiras".

Desculpas, sempre nos escoram e, são necessárias, mas , a meu ver, não podem tornar-se hábito permanente. Parcimônia é prima-irmã do bom -senso. Vez por outra, precisamos sim, nos refugiarmos do correr incessante das horas e, do alto da experiência que nos foi laureada pelos anos vividos e apreendidos no ir e vir das marés, darmo-nos o prazer de usar alguns momentos do dia  em horas prazerosas, alegres em sua futilidade existencial, leves e soltas no vagar de instantes descompromissados de regras ou imposições agrilhoadas; instantes aprazíveis e de riso infantilmente aberto.


"... até no capim vagabundo há desejo de sol[...]"
         Clarice Lispector









* Já há mais uma página do diário do verdinho em passeios lá na Silvana( link na postagem Alinhavando Páginas). 



9 comentários:

  1. Lindo teu texto e bem reflexivo,Calu! No ir e vir das marés que fazem parte da vida e dos ciclos, se não tivermos olhares que bem nos façam, prazeres, carinhos conosco mesmo, fica muito sem graça e vazia a vida. Estamos sempre envolvidos(até o pescoço ou mais) com a família e tudo que isso significa... Por isso mesmo, precisamos nos dar presentes e estar nos blogs, no Instagram, pelo menos pra mim, faz muito bem... Que continuemos sempre...bjs, lindo domiungo! chica

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  2. Oi Calu!
    É... desculpas explicam, mas não justificam.

    TEMPO... Ahhh! O tempo! Difícil de entender.

    BJK
    JAN

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  3. Oi, Calu, como vai?
    É verdade, os blogs tem estado em ritmo mais lento - inclusive o meu, rsrsrs. Mas não mais por falta de tempo ou interesse, mas por estar envolvida em outros projetos, e por sentir necessidade nesse momento de me expressar menos, e aprender mais.
    Muito bem colocado, o tempo não nos pode roubar o prazer de momentos de alegria e contemplação. Parar, observar, sentir, interagir, mantém viva a chama que carregamos internamente.
    Abraços!

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  4. Calu, você escreveu lindamente esse vai e vem das ondas na vida .
    É preciso ter sensibilidade e disciplina para contemplar tudo o que ela nos oferece.
    Mas eu creio que devido a tantas facilidades no campo de redes sociais, o mundo tornou-se um pouco mais egocêntrico , não tendo tempo para o outro.
    É um espelho que não reflete mais nada, só o protagonista.
    Acho triste .

    bjs , boa semana

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  5. Muito profundo seu texto, repleto de verdades. Sou iniciante no mundo blogueiro, mas estou adorando a interação e o carinho de todos. Abraços cheios de ternura.

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  6. Assim vamos com as marés no vai e vem. Eu busco com insistência buscar no cotidiano alguns momentos de prazer e convívios. Os blogs muito mais lentos pois o interagir tem ficado esparso. Mas vamos abrindo brechas para os encantamentos que a vida nos proporciona. bjs

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  7. Uma reflexão muito boa, Calu . O blog faz muito bem para pessoas que, por motivos pessoais como é o meu caso, passamos muito tempo em casa com dedicação exclusiva aos cuidados familiares. A interação com outros blogueiros ajuda como terapia psicológica.
    Beijos

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  8. Olá, querida amiga do coração Calu!
    E seu livro? São textos como este e os que posta que precisam ser perpetuados para enlevo de quem for brindado com ele...
    Amo a blogosfera e a minha vida mudou muito pelo enriquecimento em todos os níveis do meu viver e por amizades como as suas e a das meninas do nosso grupo.
    Saudade de todas...
    (Sem celular no momento... em breve, será ajeitado... respingou um pouco de chuva na ilha e queimou o display... rs...)
    Lutando contra o tempo vamos tateando e tecendo laços fraternais duradouros...
    Seja muito feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

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  9. Coincidência ou não, estou eu aqui de volta depois de longo tempo de ausência. Você escreve tão maravilhosamente bem! Eu mesma me distanciei um pouco das visitas aos meus queridos amigos blogueiros, diminuí o ritmo das postagens, "e no vai e vem das ondas" passei a postar também em outras redes sociais. Outros trabalhos, novas conquistas,lutas cotidianas, tudo implica em tempo e tudo isso pode nos dispersar das coisas que verdadeiramente amamos e gostamos de fazer. Porém a poesia e observação da natureza sempre falam mais forte dentro de mim e nas" marés "baixas ou altas elas me acompanham e não quero abandoná-las pois são como bálsamos e curam. É nessas horas que encontro o momento de me sentir "leve e solta.
    Eu adorei voltar aqui e me alertar de que preciso mais e mais buscar esses momentos de encontro
    e reencontro com amigos, com natureza, aprender, dividir e ocupar o tempo com coisas que me fazem feliz. Um abraço.


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Teu comentário é o fractal que faltava neste mosaico.
Obrigada por tua presença querida!