Faltam apenas dez páginas para eu chegar ao final do romance que me enlaçou nestes últimos quinze dias, no final das contas a ziquizira me prendeu em casa me possibilitando mergulhar profundamente nas leituras; coisa boa!Este romance me caiu em mãos ao meio dum passeio semanal na livraria.Como nunca havia lido nada desta autora portuguesa, resolvi trazê-lo para aumentar a pilha dos "esperantes da vez" e me surpreendi com os rumos dados à trama bem tecida entre as personagens ambientadas na atualidade, vivendo as exigências e as angústias da vida moderna em contraponto às emoções.
Controlei minha curiosidade em saber qual será a decisão de Rosa, frente aquele amor egoísta que a deixa refém dum sentimento mesquinho, em segundo plano na vida do homem que a mantém enredada na paixão e disso tira proveito desmedido sem o mínimo respeito aos sentimentos dela.Usa-a como e quando lhe provém, atraindo-a e afastando-a conforme suas vontades sem no entanto permitir que ela corte estes laços sufocantes que os mantém amantes há anos.
Em meio a muitas idas e vindas, pergunta-se como pode uma mulher moderna, independente, artista, deixar-se subtrair desse jeito rendendo-se a um amor nocivo que lhe nega o direito de ser e viver plenamente? Quantas "Rosas" ainda existem, iludidas por promessas vãs, por paixões-minuto unilaterais que alimentam vazios n'alma? Quantas mulheres se deixam cegar pelo cenário que criam e vendam-se para a realidade que grita à sua volta inutilmente? Quantas permitem que seus sentimentos sejam vilipendiados consecutivamente e não conseguem mudar este estado aviltante?
São muitas, bem o sabemos, mas nem por isso aceita-se que tal situação seja apenas fruto de más escolhas.Ao meu ver, outros fundamentos da história de vida acabam por influenciar tais atitudes destrutivas, mas não irreversíveis e, quando "a personagem" roda a baiana, sacode a poeira e dá a volta por cima, a gente vibra, bate palmas e festeja como se tratasse duma parente, amiga, irmã de quem gostamos muito.
Há inúmeros exemplos de casos assim, pela literatura, filmografia e afins.Ontem mesmo, relaxando em frente á televisão revi pela enésima vez a comediazinha romântica: "O amor não tira férias", onde uma publicitária inglesa vive uma paixão dessas e como não suporta mais o conflito pessoal, sai de férias para Los Angeles, onde a distância e novos amigos lhe favorecem a reflexão sobre tudo, libertando-a; e eu embora sabendo o desfecho, vibro com esta cena, como espero fazer com Rosa no desfecho do livro.Em breve saberei se vou festejar ou lamentar, mas com certeza já celebro o romance de Inês Pedrosa," Dentro de ti, ver o mar."
" Rosa percebeu que o resto da sua vida seria isto: acomodar-se à agenda de Gabriel, preencher os espaços em branco da sua vida.Com se tivesse uma folha excel muito organizada onde tudo se encaixava: os filhos, a família, a livraria, e ela___ a diversão controlada, uma espécie de montanha-russa que lhe assegurava a quota da loucura, o toque de sal que lhe faltava[...]"
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