"Podemos ver o infinito num grão de areia e, a eternidade em uma flor!" Willian Blake
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Ecoando a primavera
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Variações do mesmo tema: Sonhos
"Sonhar não custa nada" diz um verso de um famoso samba-enredo eternizado no cancioneiro popular.
Na voz de Adélia Prado, sonhar ganha claridade.
O sonho encheu a noite
extravasou pro meu dia
encheu minha vida
e é dele que vou viver,
porque sonho não morre.
Sonhar tem tamanha importância que figura por nove entre dez estrelas do firmamento.
Assim afirma Manoel de Barros:
"A reta é uma curva que não sonha!"
O grande Shakespeare eternizou a frase:
__ Somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos!
O incomparável Milton Nascimento cantou em letra e verso sua conhecida: Clube da esquina 2:
Porque se chamava moço,
também se chamava estrada
viagem de ventania...
Nem se lembra se olhou pra trás
ao primeiro passo, asso, asso...
Porque se chamavam homens
também se chamavam sonhos
e sonhos não envelhecem [...]
Sonho , mas não só...
Penso, mas não retenho
o novelo do desejo
que é asa do pensamento.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Ecos de Agosto
em todo gosto que sinto
ao guardar o momento,
no sorver o que tinjo.
No eco que exala sabores,
o sal e o doce se fundem
em mistura agridoce...
lembranças se confundem.
Um misto de tons ao paladar
dá o ponto desejado,
desperta, aguça, alegra,
todo sabor vivenciado.
***
Em ecos ainda sonantes, agosto se mantém presente.
Foi meu mês e o festejei bastante. Tive o coração aquecido e o sorriso aberto por muitos dias.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Botando a cabeça pra funcionar - Esperas alongadas
Lá onde os pássaros-de-aço pousam,
fazendo fila prateada: partida e chegada.
Lá onde sobram acenos, sorrisos,
lágrimas disfarçadas, esperas alongadas...
Vim de lá com ternura aflorada,
saudade carimbada muitas vezes.
Vim de lá com olhos marejados,
com acenos do coração apertado.
Lá eu senti como sinto aqui,
a distância, o tempo, a espera alongada.
***
Lendo a amorosa carta da Chica, logo me espelhei nos profundos sentimentos ali registrados pela história tão semelhante que vivemos, pelos momentos tão iguais que desfrutamos. Ontem, mesmo, acenei para os meus gaúchos que aqui estiveram. Foram três dias intensos e maravilhosos. Cada minuto juntos, são para mim, motivo de imensa alegria.
Já voltaram, pois a vida não pára, mas todo tempo que passamos juntos é mais um capítulo feliz que registramos em nossas vidas. Assim segue o fluxo da vida: os passarinhos voaram do ninho e construíram seus próprios, assim, seguindo o fluxo, indo em frente em seus caminhos particulares.
Assim sigo eu, com a certeza de que " combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé"... tenho olhos sempre atentos para os voos dos pássaros-de-aço cortando o azul, afinal podem estar levando ou trazendo os meus em seu bojo.
sábado, 15 de agosto de 2026
Celebrando a vida
Dou graças à vida pulsante
que em mim perfaz os dias
me alçando voos constantes
gerando fonte de alegrias.
Dou graças ao meu corpo-semente,
que fez brotar novas vidas
viçosas, saudáveis e potentes
compondo felizes, meus dias.
Dou graças por cada risada
e por cada pranto também,
pois foram caminhos, estrada
para seguir firme e além.
Dou graças aos ancestrais
que abriram as veredas,
me deram heranças vitais,
mapas de muitas alamedas.
Dou graças por mais este ano
celebrando minha vida,
meus amores, meus amigos,
minha riqueza bem vivida.
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Flores por todo lugar
O precioso que há nas pedras brilhantes demonstra que o gerir belezas está em todo lugar.
Soube que todas as plantas têm suas flores...
Eu busco flores pelos reinos naturais.
Ponho olhar apurado, dedico atento constar
aos detalhes que cabem em cada vagar.
Vejo flores nos novelos que nuvens formam.
Vejo-as, também, em certas marolas do mar.
Acho-as nas entranhas: mistérios da terra
aflorados em pedras de brilho secular.
Metrópole
( Flora Figueiredo)
Na tarde frágil,
um traço branco e reto
risca o horizonte de topázio.
Passa uma gaivota de concreto.
Um par de flores azuis
pendeu de um aro de ouro,
adornou o contorno do rosto
alargando o sorriso posto.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Perto do mar
acende o vermelho da telha
e faz das paredes brancas
espelho que a tudo cerceia,
tua figura se expande,
enche meus olhos com graça
distante, mas ainda perto
da imponência que abraça.
Fito -te á luz clara e
ao fitar-te esquadrinho
a tua singela silhueta
pairando por sobre o azul
como se ele te fosse ninho.
Queria eu, poder morar
em teu plácido recanto
soprado nas brisas leves,
contornado pelo mar
bafejado de encantos.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Largo horizonte
Do alto se vê além;
outros horizontes vê-se,
Outros caminhos também.
Lá, onde águias alcançam
O vasto céu azulado e
Onde o espírito humano
Almeja ser igualado.
Tempos ali se sucedem
nos dias que vêm e vão:
pedras, musgo, areia,
redesenham o que já são.
Ali os dias abreviam
a faina dos alvoroços,
sublimam a avidez
apagando os esboços.
Do alto se vê melhor,
Do alto se vê além,
no presente, no futuro,
a realidade que convém.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Águas de sempre
Num dia como hoje em que desce do céu uma cortina longa a desfiar suas linhas de água onde o maestro inspirado deixou-se banhar de poesia clara a dançar por entre as gotas da chuva lavadeira viu-se, assim, refletido em versos que a vista alcançava e o talento expandia em música e letra, a obra imortal que nos embala.
Saltitaram cenas naquele dia,
Brotaram atos além da vista,
A vida se fez mais estendida
Ganhando desenhos na poesia.
As águas jorraram lacrimosas
E os céus lavaram a terra,
No poema a música mora
fazendo dueto pelas eras.
sábado, 13 de junho de 2026
Parcela dos Anjos
E o clima convida e o clima assinala... é tempo de junho!
Festas já se anunciam, preparativos são convocados; por todo lado vê-se a expectativa deste tempo festejado!
As noites frias de junho pedem um aromático quentão, que bem preparado com especiarias aquecem qualquer coração.
Põe-se num panelão de boca larga:
2 rolinhos de canela
8 rodelinhas de gengibre
1/2 copo d`água
1 1/2 copo de açúcar
12 cravos
2 l de vinho tinto suave...
e deixa ferver até acontecer o aroma que vai tomando a cozinha, a sala, os cantos de toda casa soltando no ar seus vapores que convidam a festejar.
Convidam a quem?
_A nós, dirão vocês!
Sim, é claro, mas não só... me contaram que os anjos se regalam destes vapores.É voz corrente entre os vinhateiros e todos os que lidam com destilados, que há uma expressão poética para explicar a porcentagem de álcool e água que evapora dos barris de carvalho enquanto o destilado e ou o vinho envelhecem: é a Parcela dos Anjos!
Desta feita eu aconselho: deixe fumegar as bebidas em seus aromas eflúvios e quem sabe você terá a visita de anjos de bom gosto.
segunda-feira, 8 de junho de 2026
A soma dos dias
Há uma lente própria
que eterniza os instantes
fazendo da soma dos dias
parcelas de números consoantes.
Que seria de nós, espectadores,
sem o auxílio desta lente
que afasta ou aproxima
o que acontece decorrente.
É no espaço infinito entre
um dia após outro que
se dá a soma perfeita
de um universo revolto.
Perfeito em seu caminhar,
evolui sem permissão,
esconde seus mistérios,
assombra ante sua visão.
Rogo ao universo benfasejo
que cumule aqui, nesse planeta,
somas cada vez mais férteis,
dias de extrema beleza!
terça-feira, 26 de maio de 2026
Preferências
"Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia, de formiga e musgo__ elas podem um dia milagrar de flores."
( Manoel de Barros)
Preferências
Ao que me cabe preferir
não me provoca medidas,
suscita em mim o gosto
de semelhanças escolhidas.
Ao definir os sabores
que me ampliam o saber,
tomo condão das escolhas
para selecionar o prazer.
Grifo as tarde de outono,
os encantos de um sabiá,
a majestade das árvores,
a eterna soberania do mar.
Cumulo assombros ao luar,
Abro o dia com música;
Tem hora que leio poemas,
Tem hora que faço leituras.
Cultivo pendões floridos
e também ramos mimosos,
Presto atenção aos ruídos do
vento nos galhos frondosos.
Reuno pedaços de mim
como um cenário multicor:
Só as coisas encantadoras
celestam meu esplendor.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Roda Interativa - Hora Perfeita
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Janelas para o mundo
Há um gesto ancestral pouco notado, mas repetido na espiral dos séculos. Dirão alguns, que é mecânico, já outros , que é natural; digo eu que ambos os olhares têm suas lógicas, mas estão desprovidos da singeleza que ele encerra.
Amanhece, gesto antigo dele mesmo, citei eu em primeiro verso de um poema. Amanhecemos, nós, e que dádiva aí acontece. Junto a este feito que nos chama para a vida do hoje, também outro "ser" quer acordar conosco: nossa casa.
O sol bate á porta, se infiltra pelas venezianas das janelas, jorra seus dourados desde o telhado e por sobre as paredes externas. Cabe a nós deixá-lo entrar de fato, percorrer os cômodos, lavá-los em luz intensa que avança pelas janelas, sim; elas que são, como a porta de entrada, os limiares entre o mundo de dentro e o de fora.
Pelas janelas, a luz penetra, toma assento e traz o céu, o verde, o ar renovado, o canto esperado, o dia que inicia assim, mais festejado.
Quando as janelas se escancaram de par em par jogam luzes por sobre as histórias guardadas que devagarinho vão saindo de seus esconderijos buscando aquela atmosfera solar para dela sorverem novamente a sensação de estarem presentes.
Rua dos Cataventos
( Mário Quintana)
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!
Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta...desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas cotidianas...
Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...
Vago, volúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto...iriso-me...estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!











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