terça-feira, 8 de setembro de 2026

Variações do mesmo tema: Sonhos



"Sonhar não custa nada" diz um verso de um famoso samba-enredo eternizado no cancioneiro popular.

Na voz de Adélia Prado, sonhar ganha claridade.

O sonho encheu a noite

extravasou pro meu dia

encheu minha vida

e é dele que vou viver,

porque sonho não morre.


Na verve poética da amiga, Gracita, o sonho chega confirmando-se como ponte segura para o amanhã.



Sonhar tem tamanha importância que figura por nove entre dez estrelas do firmamento.


Assim afirma Manoel de Barros:

"A reta é uma curva que não sonha!"

O grande Shakespeare eternizou a frase: 

__ Somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos!



O incomparável Milton Nascimento cantou em letra e verso sua conhecida: Clube da esquina 2: 

Porque se chamava moço,

também se chamava estrada

viagem de ventania...

Nem se lembra se olhou pra trás

ao primeiro passo, asso, asso...

Porque se chamavam homens

também se chamavam sonhos 

e sonhos não envelhecem [...] 



Sonho , mas não só...

Penso, mas não retenho

o novelo do desejo

que é asa do pensamento.


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Ecos de Agosto


 Provo o sabor dos tempos

em todo gosto que sinto

ao guardar o momento,

no sorver o que tinjo. 


No eco que exala sabores,

o sal e o doce se fundem

em mistura agridoce...

lembranças se confundem. 


Um misto de tons ao paladar

dá o ponto desejado,

desperta, aguça, alegra,

todo sabor vivenciado. 

*** 


Em ecos ainda sonantes, agosto se mantém presente.

Foi meu mês e o festejei bastante. Tive o coração aquecido e o sorriso aberto por muitos dias.







terça-feira, 25 de agosto de 2026

Botando a cabeça pra funcionar - Esperas alongadas


 Aceitei o convite da querida Chica, para dar tratos à bola e participar da roda. 



Lá onde os pássaros-de-aço pousam,

fazendo fila prateada: partida e chegada.


Lá onde sobram acenos, sorrisos,

lágrimas disfarçadas, esperas alongadas...


Vim de lá com ternura aflorada, 

saudade carimbada muitas vezes.


Vim de lá com olhos marejados,

com acenos do coração apertado. 


Lá eu senti como sinto aqui,

a distância, o tempo, a espera alongada. 


*** 

Lendo a amorosa carta da Chica, logo me espelhei nos profundos sentimentos ali registrados pela história tão semelhante que vivemos, pelos momentos tão iguais que desfrutamos. Ontem, mesmo, acenei para os meus gaúchos que aqui estiveram. Foram três dias intensos e maravilhosos. Cada minuto juntos, são para mim, motivo de imensa alegria.

Já voltaram, pois a vida não pára, mas todo tempo que passamos juntos é mais um capítulo feliz que registramos em nossas vidas. Assim segue o fluxo da vida: os passarinhos voaram do ninho e construíram seus próprios, assim, seguindo o fluxo, indo em frente em seus caminhos particulares.

Assim sigo eu, com a certeza de que " combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a "... tenho olhos sempre atentos para os voos dos pássaros-de-aço cortando o azul, afinal podem estar levando ou trazendo os meus em seu bojo. 



sábado, 15 de agosto de 2026

Celebrando a vida






Dou graças à vida pulsante

que em mim perfaz os dias

me alçando voos constantes

 gerando fonte de alegrias. 


Dou graças ao meu corpo-semente,

que fez brotar novas vidas

viçosas, saudáveis e potentes

compondo felizes, meus dias. 


Dou graças por cada risada

 e por cada pranto também,

pois foram caminhos, estrada

para seguir firme e além. 


Dou graças aos ancestrais

que abriram as veredas,

me deram heranças vitais,

mapas de muitas alamedas. 


Dou graças por mais este ano

celebrando minha vida,

meus amores, meus amigos,

minha riqueza bem vivida.



sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Flores por todo lugar


O precioso que há nas pedras brilhantes demonstra que o gerir belezas está em todo lugar.


 Soube que todas as plantas têm suas flores... 

Eu busco flores pelos  reinos naturais.

Ponho olhar apurado, dedico atento constar

aos detalhes que cabem em cada vagar. 


Vejo flores nos novelos que nuvens formam.

Vejo-as, também, em certas marolas do mar.

Acho-as nas entranhas: mistérios da terra

aflorados em pedras de brilho secular.

 


Metrópole 

( Flora Figueiredo) 

Na tarde frágil,

um traço branco e reto

risca o horizonte de topázio.

Passa uma gaivota de concreto. 



Um par de flores azuis

pendeu de um aro de ouro,

adornou o contorno do rosto

alargando o sorriso posto. 



quarta-feira, 15 de julho de 2026

Perto do mar



   Quando o sol em hora meia

acende o vermelho da telha

e faz das paredes brancas

espelho que a tudo cerceia,

tua figura se expande,

enche meus olhos com graça

distante, mas ainda perto

da imponência que abraça. 


Fito -te á luz clara e 

ao fitar-te esquadrinho

 a tua singela silhueta

pairando por sobre o azul

como se ele te fosse ninho. 


Queria eu, poder morar

em teu plácido recanto

soprado nas brisas leves,

contornado pelo mar

bafejado de encantos. 



segunda-feira, 6 de julho de 2026

Largo horizonte




 Do alto se vê melhor,

 Do alto se vê além;

outros horizontes vê-se,

Outros caminhos também. 


Lá, onde águias alcançam

O vasto céu azulado e

Onde o espírito humano

Almeja ser igualado. 


Tempos ali se sucedem

nos dias que vêm e vão:

pedras, musgo, areia,

redesenham o que já são. 


Ali os dias abreviam

a faina dos alvoroços,

sublimam a avidez

apagando os esboços. 


Do alto se vê melhor,

Do alto se vê além,

no presente, no futuro,

a realidade que convém. 



quinta-feira, 25 de junho de 2026

Águas de sempre



Num dia como hoje em que desce do céu uma cortina longa a desfiar suas linhas de água onde o maestro inspirado deixou-se banhar de poesia clara a dançar por entre as gotas da chuva lavadeira viu-se, assim, refletido em versos que a vista alcançava e o talento expandia em música e letra, a obra imortal que nos embala.


Saltitaram cenas naquele dia,

Brotaram atos além da vista,

A vida se fez mais estendida

Ganhando desenhos na poesia. 


 As águas jorraram lacrimosas

E os céus lavaram a terra,

No poema a música mora

fazendo dueto pelas eras. 






"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho,
É um caco de vidro, é a vida é o sol,
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol,
É peroba do campo, é o nó da madeira,
Caingá candeia, é o matita-pereira..." 



sábado, 13 de junho de 2026

Parcela dos Anjos




 E o clima convida e o clima assinala... é tempo de junho!

Festas já se anunciam, preparativos são convocados; por todo lado vê-se a expectativa deste tempo festejado! 


As noites frias de junho pedem um aromático quentão, que bem preparado com especiarias aquecem qualquer coração.

Põe-se num panelão de boca larga:

 2 rolinhos de canela

8 rodelinhas de gengibre

1/2 copo d`água

1 1/2 copo de açúcar

12 cravos

2 l de vinho tinto suave... 

e deixa ferver até acontecer o aroma que vai tomando a cozinha, a sala, os cantos de toda casa soltando no ar seus vapores que convidam a festejar.

Convidam a quem? 

_A nós, dirão vocês!

Sim, é claro, mas não só... me contaram que os anjos se regalam destes vapores.É voz corrente entre os vinhateiros e todos os que lidam com destilados, que há uma expressão poética para explicar a porcentagem de álcool e água que evapora dos barris de carvalho enquanto o destilado e ou o vinho envelhecem: é a Parcela dos Anjos!



Desta feita eu aconselho: deixe fumegar as bebidas em seus aromas eflúvios e quem sabe você terá a visita de anjos de bom gosto.



segunda-feira, 8 de junho de 2026

A soma dos dias








 Há uma lente própria

que eterniza os instantes

fazendo da soma dos dias

parcelas de números consoantes. 


 Que seria de nós, espectadores,

sem o auxílio desta lente

que afasta ou aproxima

o que acontece decorrente. 


É no espaço infinito entre

um dia após outro que

se dá a soma perfeita

de um universo revolto. 


Perfeito em seu caminhar,

 evolui sem permissão,

esconde seus mistérios,

assombra ante sua visão.


Rogo ao universo benfasejo

que cumule aqui, nesse planeta,

somas cada vez mais férteis,

dias de extrema beleza! 



terça-feira, 26 de maio de 2026

Preferências




                     "Prefiro as máquinas que servem para não funcionar: 

quando cheias de areia, de formiga e musgo__ elas podem um dia milagrar de flores."

( Manoel de Barros) 


Preferências 


Ao que me cabe preferir

não me provoca medidas,

suscita em mim o gosto

de semelhanças escolhidas.


Ao definir os sabores

que me ampliam o saber,

tomo condão das escolhas

para selecionar o prazer.


Grifo as tarde de outono,

os encantos de um sabiá,

a majestade das árvores,

a eterna soberania do mar. 


Cumulo assombros ao luar,

Abro o dia com música;

Tem hora que leio poemas,

Tem hora que faço leituras. 


Cultivo pendões floridos

e também ramos mimosos,

Presto atenção aos ruídos do

 vento nos galhos frondosos.


Reuno pedaços de mim

como um cenário multicor:

Só as coisas encantadoras

celestam meu esplendor.  



quarta-feira, 20 de maio de 2026

Roda Interativa - Hora Perfeita



  Como essa imagem me inspira, 
pergunta minha amiga, Norma. 
Motivo aí se vê com presteza,
Dando impulso à criação,
Promovendo sutilezas. 


Hora perfeita

Diante da mesa
No centro da sala,
põe dada delicadeza
a imagem que fala.  

Uma página em sépia,
caderno em fractal,
convite sugestivo
momento atemporal.

Cessam os ruídos,
calam-se murmúrios,
só o agora importa
a palavra, meu refúgio. 

Cena simples, caprichada:
um gosto e uma flor
têm toda soberania
no instante revelador.




quarta-feira, 13 de maio de 2026

Janelas para o mundo




Há um gesto ancestral pouco notado, mas repetido na espiral dos séculos. Dirão alguns, que é mecânico, já outros , que é natural; digo eu que ambos os olhares têm suas lógicas, mas estão desprovidos da singeleza que ele encerra.

Amanhece, gesto antigo dele mesmo, citei eu em primeiro verso de um poema. Amanhecemos, nós, e que dádiva aí acontece. Junto a este feito que nos chama para a vida do hoje, também outro "ser" quer acordar conosco: nossa casa.

O sol bate á porta, se infiltra pelas venezianas das janelas, jorra seus dourados desde o telhado e por sobre as paredes externas. Cabe a nós deixá-lo entrar de fato, percorrer os cômodos, lavá-los em luz intensa que avança pelas janelas, sim; elas que são, como a porta de entrada, os limiares entre o mundo de dentro e o de fora.

Pelas janelas, a luz penetra, toma assento e traz o céu, o verde, o ar renovado, o canto esperado, o dia que inicia assim, mais festejado. 

Quando as janelas se escancaram de par em par jogam luzes por sobre as histórias guardadas que devagarinho vão saindo de seus esconderijos buscando aquela atmosfera solar para dela sorverem novamente a sensação de estarem presentes.



Rua dos Cataventos

( Mário Quintana) 


Escrevo diante da janela aberta.

Minha caneta é cor das venezianas:

Verde!... E que leves, lindas filigranas

Desenha o sol na página deserta! 


Não sei que paisagista doidivanas

Mistura os tons... acerta...desacerta...

Sempre em busca de nova descoberta,

Vai colorindo as horas cotidianas... 


Jogos da luz dançando na folhagem!

Do que eu ia escrever até me esqueço...

Pra que pensar? Também sou da paisagem... 


Vago, volúvel no ar, fico sonhando...

E me transmuto...iriso-me...estremeço...

Nos leves dedos que me vão pintando!



domingo, 10 de maio de 2026

Sorrisos distribuídos


Então é domingo, mas não apenas mais um domingo... este é dedicado, tem faixa comemorativa, tem endereço, destinatário e remetente, tem convite para a festa de muitos corações sorridentes.

Pois, sim, coração de mãe é sorridente por excelência e, como seria perfeito se só houvesse sorrisos dentro do coração de uma mãe, porém, sabe-se de fonte segura, que mesmo nos tempo de coração apertado, uma mãe ainda assim, faz brotar um sorriso no rosto. 

FELIZ DIA DAS MÃES!


"Mães não nascem prontas: elas são inauguradas. No exato instante em o filho ocupa o mundo, uma mulher se despede de quem era para começar o aprendizado mais visceral e deslumbrante da existência...

(AD)