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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Uma história, muitas descobertas - livro infantil








Dentre todas as correrias que se multiplicavam no penúltimo mês letivo, nós professoras dos fundamentais I e II , tínhamos uma tarefa inadiável, a de selecionarmos dois livros de literatura infantil para constar da lista escolar do ano seguinte.Embora estivéssemos atoladas de trabalhos mil até a raiz dos cabelos, essa tarefa era vista como prêmio. Os representantes das editoras eram figurinhas fáceis pelos corredores do colégio levando e trazendo pilhas de exemplares para análise. A sala dos professores ficava abarrotada com as diferentes obras e suas histórias cativantes.

Foi em 1999 que tive contato com um livro apaixonante que nós, professores, familiarmente chamamos de livro-mudo; trata-se duma história ilustrada sem narrativa escrita, excelente atividade para desenvolver a oralidade e a coesão textual dos alunos(as), explorando ainda a criatividade e a livre composição.Pois sim, eu sempre fui apaixonada por tais publicações.Uma dessas que me acompanhou por todos os anos que se seguiram é " A Flor do lado de lá", do ilustrador Roger Mello que no mês de março passado foi premiado com O Nobel de Literatura Infanto-Juvenil, o prêmio Hans Christian Andersen, na feira do livro em Bolonha,na Itália.

Por coincidência(será?), eu iria sugerir esse autor para a Luma(Aqui) ao comentar seu post duma indicação de literatura do gênero e, qual não foi minha grata surpresa hoje ao ler sobre o merecido prêmio recebido por esse talentoso ilustrador/contador de histórias.A personagem principal dessa obra é um bichinho simpático que tanto pode ser uma anta ou um hipopótamo ou algo entre esses dois, o que dá margem para a imaginação infantil procurar adivinhar.Os traços expressivos da personagem dialogam o tempo todo com o leitor e despertam a surpresa que a página seguinte trará.A história enfoca os equívocos que nos assediam despercebidamente e o sofrimento inútil que causam.

Um lúdico exercício filosófico sempre atual e bem apropriado para os dias consumistas de hoje, que apesar de termos em mãos uma medida ainda sem força de lei, que considera abusiva toda publicidade para crianças proibindo o direcionamento à criança de anúncios impressos,comerciais televisivos e todos os afins, tratando também sobre a abusividade de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior dos diferentes espaços educacionais, configura-se apenas como recomendações;resolução de caráter educacional.

Sem dúvida, um bom passo, mas que não pode de forma nenhuma ser único e final.Temos de continuar o empenho em prol duma verdadeira cidadania para nossas crianças e jovens. 

Fica a dica: há muitas publicações classificadas como infantis que superam outras classificadas como adultas.




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