Rua de Roma__ flickr/nunobh
Fado Italiano
Glória Leão
Vejo a Itália em terracota.
Sinto-a em tons de ocre
ao olhá-la, ao tocá-la
pela primeira vez
como se a ela pertencesse
como se dela eu fosse
há milênios.
Já conhecia suas ruas.
Imaginava ali
debaixo dos meus pés
séculos em camadas
sobrepostas.
E eu, pisando neles
como quem pisa
em nuvens,
sonho de antigas eras
sonhado.[...]
Trago a Itália comigo.
trago as cores de seu solo,
de suas gentes misturadas
em tons
de toda a humanidade.
Trago a guerra
em meu sangue quente e apimentado.
Trago a Calábria e o Chianti,
e a Toscana, terra encantada.
Tenho os ciprestes altivos,
tenho a arrogância dos Césares.
Trago a plebe.
Trago o Arno.
Trago o Tibre
em minhas veias
correndo como correm os rios
em direção ao meu mar.
A mar.
Amo esta terra
de oliveiras e vinhedos.
Sou terracota e etrusca,
grega e celta,
devota e pagã.
Trago o fogo
e a raiva em meu peito.
Sou feita dessa mistura
de terra e colinas,
ruínas, conquistas.
Sou rude e amorosa
como as mamas
amassando a pastaciutta,
arando a terra prenhe
em sementes[...]
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Trecho do poema Fado Italiano, extraído do livro: Antologia de textos premiados/Prêmio UFF de literatura 2011__BrasiI-Itália
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A palavra foi seu país de terras fecundas e colheitas abundantes, por isso permanecerá através dos tempos alimentando as emoções de todos que o visitam.
Calu
