terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Tempo de celebrar



     Cá estamos nessa proximidade  ao tempos das festas do fim do ano, de mais esse ano um tanto estranho, fora dos padrões que gostaríamos. Cá estamos então, e isso é dádiva! 

      Contamos os dias para as celebrações que nos devolvem uma alegria genuína enraizada nas tradições do Natal: tempo de celebrar vida nova! 

  Anoto em minha lista de preparativos: votos de dias mais felizes para todos onde reine a alegria nos lares e nos corações, saúde plena, euforia nos encontros, abraços intensos e risos soltos.  Tenham festejos luminosos, amigas e amigos da blogosfera, contendo todos os ítens da lista de meus desejos. 

Desejo para vcs, um Natal abençoado abrindo um mundo de venturas para o Ano Novo!

"A vida só é possível reinventada!"

(Cecília Meireles)



Gente querida, o blog estará de férias a partir do dia 09/12, e eu também. Nos veremos em janeiro. Até lá! 



quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Território da poesia




  De olhos fechados , imagino o momento

 que cristais do mar combinaram o marulhar. 

Assim foram, de onda em onda arando a areia, 

escavando o lugar. 

No constante empurrar, o chão molhado fez-se largo, 

aumentou o passar. 

Nasceu um território farto e extenso em seu vagar. 

 Foi crescendo, crescendo sem alarde, 

com magia, com cultivos de flores,

 e cantos das sereias do mar. 

Nenúfares brotaram ali. 

Albatrozes as vieram visitar. 

Árvores centenárias pediram ao ventos

sementes sopradas para ali germinar. 

No rodamoinho do tempo muita vida se instalou

 e o espraiado inicial ganhou espaço pulsante

a tudo embelezar. 

Encantamento tamanho atravessou o céu

e lançou convites ao luar.

 Em segundos começaram a chegar,

pessoas inspiradas, poetas e escritores

para ali habitar.



domingo, 28 de novembro de 2021

Um conto contado



Ela era um brotinho tímido semi-pendente na rama menorzinha do caule. As pessoas nem a percebiam. Só tinham olhos pra exibida estufada bem assentada na ponta mais alta da folhagem. Ela não se importava. Tinha certeza que seria muito mais bela que aquela metida lá de cima.

Abriram suas pétalas quase que simultaneamente. A primeira farfalhava à passagem de qualquer brisa mais forte, enquanto ela meio escondida pelas folhas verdinhas ficava protegida das intempéries e da sanha dos predadores.

Foi curta a vida glamorosa da dona do caule. Teve seus dias de brilho, mas, rapidamente perdeu o viço, embaçou as pétalas que amarelavam da ponta para a corola mudando a textura antes sedosa em palha quebradiça.

 Ela viu cada fase acontecida com a primeira e decidiu que com ela seria diferente. Guardaria em si toda força que lhe coubesse para renascer sempre com mais vigor. Como foi capaz de tal proeza? Ninguém nunca soube explicar, mas, era de conhecimento dos frequentadores a presença elegante dela: a magnólia maluquinha, que florescia em todas as estações naquele pequeno jardim. 



sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A Chave do Saber

(*)

 Quando o engenho humano criou um objeto capaz de, a um simples giro, abrir ou fechar passagens, alçou mais um degrau do progresso criativo da humanidade. Registros constam que chaves e respectivas fechaduras datam do antigo Egito há mais de 4000 anos, sem provocar nenhum alarde exposto no cinema ou na televisão(rs).

Nas asas da velha oralidade correu de Menphis à Tebas a notícia da engenhoca que dava segurança às casas e seus moradores. Daí, para adentrar nos palácios  com seus tesouros inigualáveis, foi um pulo inovador e histórico.

Correram os séculos e a chave foi sendo aprimorada, adornada, elaborada para uma eficiência cada vez maior em seu uso, contudo, em vias paralelas acontecia surpreendente atribuição ao objeto, que creio eu, não tinha afigurado nos propósitos do inventor: como adjetivo das emoções.

Abriu-se um campo farto nominativo para os escritores, poetas, românticos de todas as épocas a utilizarem uma chave figurativa em suas intenções. A chave abria versos para destrancar corações fechados. Abria portais de mundos mágicos. Abria tramas detetivescas. Abria sonhos, histórias, canções, segredos bem guardados. 

Uma porta que contivesse uma fechadura art-noveau era tida como obra de arte podendo até figurar em exposição, o que seria de agrado de alguns apreciadores; noto, atualmente, serem  poucos os que percebem a importância deste invento, até o dia em que esquecem a chave de casa no escritório ou a chave do carro dentro dele, neste caso só o chaveiro salva a situação. 

A chave é tão milenar quantos as pirâmides e, como elas, continua a causar assombros em todas as idades, sim, pois, desde os primeiros conhecimentos na língua e na linguagem é preciso que cada aprendente descubra a " chave da leitura" para abrir as associações na formação das palavras e adentrar no mundo da leitura e da escrita com propriedade.

Como utensílio ou como aporte artístico, antiga ou moderna, a chave atravessa os primórdios da nossa história avançando os séculos reinventada, mas, essencialmente preservada na  originalidade para a qual foi atribuída:  abrir e fechar passagens.


(*)- pinterest/devianart

sábado, 13 de novembro de 2021

Travessias




 Quando criança, eu não media a importância da mão forte que me segurava ao atravessar a rua. Sentia-me segura, mas não sabia dar nome ao ato corriqueiro incorporado aos hábitos em travessias de ruas. As advertências eram constantes, mas eu nem as achava tão necessárias assim...achava, deixei de achar quando avancei na vida adulta me deparando com as inúmeras travessias impostas pela vida.

Vi, consternada que não tinha mais uma mão forte pra me guiar os passos, uma voz firme a repetir cautelas, um abraço a dar-me ânimo e incentivos. Isto constatado, visto e sabido, mas não apaziguado. Eu estava agora diante da primeira travessia logo após o portal onde se lia: vida adulta. A paisagem era ao mesmo tempo, sedutora e ameaçadora. As sensações retumbavam na mente e no corpo em variados ritmos enérgicos, que me causavam mais medo do que coragem.

Agora não havia mais recuo. Não havia opção de voltar ao tempo de outrora e segurar com força a mão afetuosa que me conduzira até ali. O próximo passo efetivaria que o avanço era inevitável e o curso dos dias transcorreriam de qualquer forma, então, melhor seria que transcorressem desenhados por mim.

Busquei em minhas raízes a história que me moldou. Olhei pro mundo com determinação e respeito. Alinhavei meus passos nos exemplos refletidos pelas boas escolhas vividas e fui avaliando as possibilidades de travessias seguras. 

É a soma dos acertos com a subtração dos erros que ordena as operações na matemática da vida!