Minha filha me mandou um foto sua segurando um copo de guaraná numa mão e um pão de queijo na outra, tudo isso acompanhado dum sorrisão com a legenda:" Isto aqui vale ouro!" Depois que soltei o riso, liguei pra ela que me contou toda animada sobre o seu achado.Na cidade em que mora, está acontecendo dentro duma galeria comercial para produtos alimentícios, uma pequena feirinha internacional e dentre os stands figura um do Brasil.Coqueluche total. O local fica tão cheio que é preciso ter paciência pra ser atendido, mas ela disse que ficaria ali o dia inteiro se fosse preciso só pra não perder a oportunidade de saborear umas delicinhas da terrinha.
Nós que vamos e voltamos, felizes e saltitantes, quando nos vemos fora do país queremos mais é curtir todos os sabores locais num grande e feérico tour gastronômico, isto quando o tempo de estada permite e se não permitir todos os nossos desejos, ao menos alguns serão realizados.
Completamente diferente ocorre com quem mora fora de sua terra natal.Apesar das inevitáveis comparações sobre os costumes e as posturas na terra adotada, ainda mais se ela for no chamado mundo desenvolvido, acontecem as primeiras descobertas, a imersão no idioma, a adaptação à nova realidade e os encantamentos culturais que preenchem os dias ocupando o novo(a) residente.Quando tudo que era estrangeiro torna-se familiar, o espaço do desconhecido já totalmente reconhecido, sobra o tempo da saudade; dos entes queridos ( que sempre esteve presente), das coisas e gostos familiares que estavam adormecidos e aí, acordam!
O novo não perde seu interesse, mas o antigo se faz presente atrás de cada detalhe e, como não há jeito de esgotar a saudade sempre que ela aperta, vai-se conformando no envolvimento dos dias, no trabalho, na lida diária, planejando as férias na terrinha.É assim, com minha filha e acredito com todo mundo que vive fora do país por longo tempo.Não tem como não sentir saudades das coisas familiares, dos gostos, dos cheiros, dos hábitos.Um mês antes dela chegar, nos falamos constantemente, porque a cada hora ela lembra duma coisa que quer comer, ou duma peça que quer assistir...e a lista é longa e nem sempre cumprida à risca, mas euforicamente esperada.
Dizem que o melhor da festa é esperar por ela, e minha filha faz isso toda vez que vem pra casa.Chega tão animada, que nem se incomoda com todos os descompassos da cidade, todos os problemas que vivenciamos dia-a-dia.Comentamos, apontamos nossas frustrações diante do desgoverno brasileiro, ela ouve, participa, opina, mas não perde o entusiasmo por seu país de origem. Esperança? Saudade? Tudo junto e misturado bem ao espírito brasileiro e, claro, regado a petiscos tradicionais.
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Dizem que o melhor da festa é esperar por ela, e minha filha faz isso toda vez que vem pra casa.Chega tão animada, que nem se incomoda com todos os descompassos da cidade, todos os problemas que vivenciamos dia-a-dia.Comentamos, apontamos nossas frustrações diante do desgoverno brasileiro, ela ouve, participa, opina, mas não perde o entusiasmo por seu país de origem. Esperança? Saudade? Tudo junto e misturado bem ao espírito brasileiro e, claro, regado a petiscos tradicionais.
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Imagem: pinterest
