Se contássemos as horas dos dias pelo nº de histórias que ouvimos ou lemos ou contamos em seu decorrer de tempo marcado, teríamos a certeza de que passamos mais tempo nessas atividades que em outras.Mesmo estando no trabalho árido ou braçal, há sempre um momentinho arejado onde as histórias se infiltram e marcam sua presença naquele dia.
Somos seres históricos, nos compreendemos através da fala, da escrita, dos sons e das imagens que nos afirmam, confirmam ou negam, não importa a ordem, mas a permanência desta realidade.O mundo humano se manifesta intensamente nesta prática e nela o interpretamos e também a nós mesmos.
Os antigos eram craques nessa arte.Lembram-se dos mitos gregos?Das fábulas?Dos contos de fadas e os de capa-espada?E muitos outros gêneros de histórias que fomos colecionando ao longo da vida? Pois então, taí a base de muitos sonhos,valores, princípios, ousadias, vocações e descobertas que, adultos, achamos que tais pendores são obra apenas da educação formal. Pura ingratidão com as belas passagens que nos inspiraram a querer navegar pelos sete mares, descobrir o Eldorado, aprender a costurar com as fadas, viajar em tapetes mágicos, viver no Olimpo...
Olhando bem, hoje, em tempos tecnológicos, os antigos contos não nos abandonaram, estão por aí transformados nos Blogs de tanta gente sensível, poeta, cronista,contista, prosadora, apreciadora da palavra de ontem e da de hoje, permanentes doadores de beleza e emoção que nos encantam agora tanto como quando pequenos.
Embora, a dona maturidade seja dona da chave de meu tempo, insisto em manter todas as janelas abertas para os outros tempos que vivi. E faço questão de amanhecer cantando com Os Paralamas:
"O céu de Ìcaro tem mais poesia do que o de Galileu..."

