Começou pela manhã, numa inocente caminhada.Pés na areia, cabeça voando, barulho do mar e dos próprios passos.Impossível não divagar num dia claro assim, com um sol assim que convida ao mar, na cadência do pisar.E, caminhando e sonhando, fui lembrando ( apesar do gerúndio) das muitas identidades que se vão revelando através dos dias, das necessidades, da força da vida que se impõe a toda hora mudando rumos, trocando senhas,abrindo trilhas...e, quem hoje diria, que um dia eu, já quis ser bailarina.Ter um pé no palco, bailar pelo famoso Lago; mas, nem cheguei a sentir a relva das margens. Um pé-de-vento maroto, o máximo que me permitiu, foi dar uns volteios pelos bailes da vida.
Não cheguei a ser um pé-de-valsa, mas até hoje, dá pro gasto sem fazer muito feio no meio do salão.Fui aprendendo ao pé-da-letra, como se vai adaptando os passos de acordo com o ritmo, descompassando quando preciso, claro, porque ninguém gosta de ter pé pisado.
E lá fui eu, pisando devagarinho no chão da cozinha, meio assustada, me fazendo de entendida, mesmo cheia de medo, resisti à vontade de dar no pé dali. E de fuxico em fuxico, piloto o fogão com certa desenvoltura e até uma pequena ousadia, quando tento por em prática tantas receitas bacanas que aprendo nos blogs de amigas.
Prudência e equilíbrio são ingredientes básicos que logo comecei a usar aproveitando uns instantinhos de parada, pés pra cima, cabeça nas nuvens.
Pena que momentos assim, são curtos e logo alguém chama, o telefone toca, a hora marcada chega e pondo os pés no chão, a realidade pega no pé sem dó.
Acabou a caminhada, nesse devaneio sem pé nem cabeça, parecendo centopéia desenhada me encontro novamente com o pé na cozinha, pois a turma vem faminta da cabeça aos pés.Então deixo nesse pé-de-página, o meu agradecimento à vc, que comigo pôs os pés nas nuvens.
Bjosss!
Imagens: Fave, Janet Hill, Nikko Barber, Renato Silva





